Aceita tomar um café?
Lucy Werner
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 07/03/16 23:28
Editado: 07/03/16 23:29
Gênero(s): Romântico
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 10min a 14min
Apreciadores: 5
Comentários: 4
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Palavras: 1757
[Texto Divulgado] "Flashback" Ela me puxa para um beijo e me abraça forte, eu não consigo nem pensar em ir embora dos seus braços quentes e cheios de carinho.
Livre para todos os públicos
Capítulo Único Aceita tomar um café?

Lembro-me muito bem da primeira vez que a vi. Não sei ao certo o porquê, mas ela chamou mina atenção assim que entrou na floricultura. Era um dia quente, ela usava um macaquinho cor-de-rosa com uma blusa colorida e seus cabelos ruivos estavam presos em um rabo de cavalo. Ela observou algumas flores antes de vir até o balcão, onde eu tentava ensinar uma nova contratada a fazer um laço para um buquê. Parou em frente ao balcão e pedi para a garota nova continuar a fazer o laço.

– No que posso lhe ajudar? – Ela sorriu. Olhou em direção das tulipas e apontou-as para mim.

– Quero um buquê daquelas. – Voltou a me fitar. – Vermelhas.

E depois daquele dia, voltou todas as outras segundas. Sempre pedia tulipas vermelhas. Percebi que, talvez, ela fosse alérgica a elas, já que toda vez que pegava o buquê nos braços, ela espirrava.

Demorei quase dois meses para descobrir o nome dela. Por que eu sempre fui tímido, mas com ela por perto eu sentia-me mais que o normal. Ela havia derrubado algumas moedas no chão e não me detive em recolhê-las para ela.

– Aqui está, senhorita... – Sorriu e pegou as moedas que eu lhe alcançava.

– Margo, apenas Margo. – Mordeu o lábio inferior. – E você?

– Levine... ahn, Charlie. Esquece o Levine, não é importante e... Charlie. – Terminei de falar estendendo minha mão. Senti meu rosto quente. Ela riu abafado e pegou minha mão. Nunca soube dizer se ela riu de mim ou para mim, mas, de qualquer forma, ela parece ser boa demais para rir de alguém.

Então, a partir daquele dia, eu sempre adiei o momento de convidá-la para tomar um café. Era uma pergunta simples e ela não tinha como interpretar errado. Seria apenas um café. Como amigos, talvez... E, além disso, todo mundo gosta de café.

Mas quando eu finalmente convidaria ela para um café. Ela não apareceu o dia inteiro. Já estava fechando a floricultura, tinha apenas que fechar o valor do caixa e pronto, quando a porta foi aberta. Havia esquecido de fechá-la. Ergui o olhar e percebi que era Margo. Ela estava praticamente encharcada por causa da chuva. O outono sempre era bem chuvoso em Amsterdã.

– Já fechamos... – Foi a única coisa que consegui dizer. Idiota, idiota, idiota...

– A porta está aberta. – Tentou se justificar. Não havia se aproximado para não molhar o restante da floricultura.

E eu apenas concordei com sua afirmação, vendendo a ela as tulipas. Achei que não teria coragem o suficiente, mas consegui perguntar.

– Você se importa em esperar um pouco? – Ela negou com a cabeça. Abraçava seu próprio corpo, sua boca tremia e seu nariz estava vermelho. Ela fungava e coçava o nariz, deveria ficar gripada logo, mas eu apenas conseguia achá-la linda desse jeito.

Fui até os fundos da floricultura e subi as escadas que davam para minha casa. Peguei uma toalha e voltei o mais rápido que consegui até ela. Aproximei-me dela que me encarava confusa e lhe estendi a toalha. Queria ter tido coragem o suficiente para envolvê-la com a toalha, ou secá-la, ou oferecer algumas roupas para ela trocar. Mas eu não fiz isso. Ao menos...

– Você quer sair assim lá pra fora? A chuva só aumentou e... – Negou com a cabeça enquanto secava os cabelos.

– Eu tenho que ir – sussurrou. E ela foi.

Na próxima semana, eu mal havia aberto a floricultura e ela já estava ali dentro. Comia um donut coberto de chocolate, com a outra mão, segurava um copo com o desenho de uma Starbucks. Talvez fosse café. Ou talvez ela fosse uma das pessoas que não gosta de café. Ficou um tempo observando as tulipas, enquanto eu não conseguia parar de observá-la, e quando espirrou, fazendo uma careta fofa, afastou-se delas.

– Quero uma de cada cor – falou para mim. Pôs o último pedaço de donut na boca e sorriu sem mostrar os dentes enquanto mastigava.

Algumas semanas depois, eu a encontrei no meio da semana. Estava comprando o presente de Natal para minha irmã, ela vive me falando que não consegue achar o perfume preferido dela e tenho certeza que é apenas para e ter algo para lhe dar de Natal. Eu nunca consigo encontrar algo que ela goste então apenas peço para ela escolher algo no dia seguinte ao Natal que eu pagaria. E ela detesta isso.

Estava na loja de perfumes onde eu sei que tem o perfume preferido de Isabelle. Enquanto observava uma prateleira com perfumes percebi Margo entrar na loja e ir até o balcão. Peguei um frasco de perfume para ver se o cheiro era o mesmo que o de minha irmã. Conseguia escutar Margo e a atendente conversando alguns passos atrás de mim, pela jeito que conversavam deveriam ser amigas. Outro frasco. Este, é este o perfume de Izzy.

Falo com a atendente que logo foi atrás de um fechado. Margo ainda estava no balcão e batucava os dedos sobre o mesmo. Não provocava barulho algum, pois ela usava luvas. Ela fica tão adorável parecendo impaciente. Encarou-me e sorriu doce.

– Olá. – Sorri torto.

– Oi. – E é isso. Uma grande resposta para um grande idiota. Senti vontade de esmurrar minha própria cara por não conseguir pensar em nada decente para falar ou por não ter coragem suficiente para falar como ela está bonita.

– Devo embrulhar para presente? – Olho para a atendente que sorriu ao obter minha atenção para si.

– Sim.

Percebo ela olhar de relance para Margo e sorrir ao falar.

– Sua namorada é uma garota de sorte... outh! – Massageou sua perna fazendo cara feia. Olhei para Margo que sorriu inocente.

– Huh. – Comecei. – Não tenho namorada.

Pareceu que questionaria sobre mais coisas. Mas por fim apenas perguntou a forma de pagamento e me desejou boas festas.

Faltava uma semana para o Natal quando vi Margo fora da floricultura outra vez. Eu estava em uma das cafeterias que eu sempre ia. Estava um pouco mais lotada que de costume, deveria ser por conta do Natal. O turismo sempre aumentava nessa época do ano. Encontrava-me sentado em uma mesa na janela e meu café já estava pela metade. Pensava em como, finalmente, convidar Margo para tomar café, já que no outro dia eu a veria na floricultura, quando uma voz conhecida perguntou.

– Podemos sentar aqui?

Tirei minha atenção da janela e olhei para a garota loira que sorria amigavelmente. É a atendente da loja de perfumes.

– As outras mesas estão ocupadas – explicou. Então vi Margo ao seu lado.

– Claro.

Elas então se sentaram na mesa. Já tinham xícaras em mãos. Margo tentava aquecer suas mãos com a xícara. A amiga de Margo se apresentou para mim. Chama-se Hanna. Ela começou a guiar uma conversa, onde eu e Margo apenas falávamos algumas monossílabas. Hanna apenas aquietou-se quando uma das garçonetes da cafeteria perguntou se ela incomodava-se em sair do lugar. Ela queria arrumar a decoração de Natal, onde destacou que já deveria ter feito isso.

– Tudo bem. Eu queria ir no banheiro mesmo.

Desconfio que se a garçonete não tivesse interrompido, Hanna teria continuado a falar e falar. Enquanto a garçonete subia na cadeira de Hanna, eu fitei Margo. Ela fitava sua xícara e ao o fazer também percebi que era café. Café! Ela gosta de café! Agora só falta a coragem para fazer a maldita pergunta.

Suas mãos tremiam levemente, ainda estava com frio. Larguei minha xícara e envolvi suas mãos com as minhas. Estavam geladas.

– E suas luvas? – questionei. Ela mordeu o lábio antes de falar.

– Perdi elas.

Acariciei suas pequenas mãos entre as minhas tentando aquecê-la de alguma forma. Lembrei-me, então, de que havia trago minhas luvas. Afastei uma de minhas mãos e peguei as luvas no bolso de meu casaco que estava sobre o encosto da cadeira. Entreguei as luvas para ela.

– Eu não...

Suspirei e peguei uma de suas mãos pondo-a dentro da luva. Ela pôs a outra sozinha. Olhou para cima quando a garçonete arrumou a cadeira de Hanna no lugar. Segui seu olhar percebendo que agora um visco pendia sobre nossas cabeças. Deveria ter a mesma coisa nas outras mesas, mas não consegui deixar de pensar se eu deveria ou não beijá-la...

Voltei a olhar para Margo. Suas bochechas estavam vermelhas. O que me fez achar que ela também havia pensado no beijo.

– Eu tenho que ir.

Hanna chegou na mesa interrompendo minha linha de pensamento. Encaramos juntos ela enquanto a mesma pegava seu casaco e bolsa. Despediu-se rapidamente de Margo e então saiu tão rápido quando chegou.

A conversa entre eu e Margo não fluiu muito depois que Hanna saiu. Eu não sou o único tímido daqui. Mas quando ela falou que iria embora, ofereci-me para acompanhá-la, pois estava tarde e havia começado a nevar. Ela aceitou. Apenas deixei que ela nos conduzisse pelas ruas de Amsterdã.

Não ventada e a neve caia lentamente. Não deveria estar tão frio.

Margo parou de caminhar embaixo de uma fachada de restaurante. Então explicou que seguindo as escadas da lateral do restaurante ela chegaria em seu apartamento. Era isso. Uma despedida. Estávamos próximos um do outro, de modo que ela precisava erguer a cabeça para me encarar.

Desviou o olhar um pouco para cima e suas bochechas ficaram mais vermelhas do que já estavam por causa do frio. Olhei para cima e novamente vi o visco. Dessa vez, eram vários e estavam espalhados por toda a fachada do restaurante. Mas não consegui deixar de comentar.

– Duas vezes...

Então foi a vez dela.

– Isso quer dizer alguma coisa.

Foi isso. Apenas isso foi o necessário para me dar coragem o suficiente para me inclinar na direção dela e unir nossos lábios. Eu segurava seu rosto, minhas mãos estavam geladas e suas bochechas muito quentes. Seus lábios tinham gosto de café e brilho labial de morango. Nunca gostei tanto quanto agora de brilho labial.

Nos despedimos. Falamos em nos ver no dia seguinte. Beijei-a outra vez. Ela corou. Fez menção de devolver minhas luvas. Recusei e disse que só aceitaria elas no dia seguinte. Ela sorriu. Aquele sorriso doce que só ela tem. E eu fui embora.

Prometi a mim mesmo que no dia seguinte convidaria ela para tomar café.

Ela chegou mais à tarde, usava uma touca azul-escura que cobria suas orelhas e tinha um pompom em cima. Escolheu apenas tulipas vermelhas outra vez. Observava-me enquanto preparava o buquê. Eu deveria convidá-la para o café agora. Parei de unir as tulipas e ergui meu olhar para ela.

– Sim? – questionou sorrindo docemente como noite passada.

– Você... huh, bem...

Ela pendeu a cabeça para o lado.

– Aceita tomar um café?

❖❖❖
Notas de Rodapé

Esse conto já foi publicado em outro site (Wattpad) por mim. Não é plágio, apenas postei-a em dois sites diferentes. Tanto que na capa está com o meu user do outro site. Não coloquei o mesmo pois queria mudá-lo já tem um tempo.

Apreciadores (5)
Comentários (4)
Postado 07/03/16 23:32

Se o texto for teu, pode ficar tranquila e postar onde bem entender! =D

Postado 07/03/16 23:33

É que amigas minhas já foram denunciadas em outros sites por causa disso, preferi já deixar avisado :3

Postado 07/03/16 23:40

Se for denunciado, a Academia de Contos vai verificar antes de tomar qualquer medida. E se o texto for de tua autoria, nada acontecerá. Portanto, pode ficar despreocupada e participar tranquilamente do site.

Postado 08/03/16 10:54

como não amar? ti fofinho :3

<3 <3

Postado 08/03/16 22:45

<3

Postado 10/03/16 11:45

adoro ler sobre como o amor acha um jeito de acontecer..lindinho seu texto. parabéns. faz mais.

Postado 10/03/16 20:26

Muito obrigada :3

Postado 04/04/16 21:46

Textinho fofo, but chega a ponto que fica meio parado. Tho fofinho na mesma :3 Continua a postar coisas por aqui <3

Postado 05/04/16 17:23

Esse é meu primeiro texto romântico sem conter coisas a mais (potaria, uhashuau), não estou muito acostumada a escrever coisas fofas sem mais nada (ainda mais no ponto de vista de homem, que quando escrevo a potaria rola solta). Achei meio parado também, mas não soube como arrumar, espero conseguir mudar isso em futuros textos. Agradeço pelo crítica :3