Cheia de Nada
Sabrina Ternura
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 14/12/17 01:42
Gênero(s): Drama Reflexivo
Avaliação: 10
Tempo de Leitura: 1min
Apreciadores: 5
Comentários: 4
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Usuários que Visualizaram: 9
Palavras: 177
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Não recomendado para menores de dez anos
Capítulo Único Cheia de Nada

Vejo minha vida como um mero espectador. É como se meu verdadeiro eu estivesse num lugar longe demais para ser alcançado. Talvez seja tarde demais para busca-lo, mas ainda assim, sinto falta de mim, porque tudo o que sou agora é um enorme vazio.

Meus olhos pesam como pedras que estão prestes a desabar. Meu corpo demonstra cansaço de tarefas que não faço. Meu estômago gira como uma roda gigante em alta velocidade por coisas que estão longe de acontecer. Mas meus lábios permanecem selados pela minha incapacidade de dizer qualquer coisa.

Perdi tudo aos poucos. Decepcionei a todos por não conseguir suportar. Mas, mesmo assim, me sinto feliz por estar ciente de que aqueles que amo seguiram sem mim com a maior facilidade. Significa que eles tiraram de seus caminhos alguém que só servia como pedra de tropeço.

Não consigo mais sonhar. As tarefas mais simples tornaram-se impossíveis de serem realizadas. Tudo o que faço é permanecer olhando para o nada, pois foi apenas isso que me restou: um enorme vazio que simboliza o que sou.

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Comentários (4)
Comentário Favorito
Postado 15/12/17 09:47

Esse sim eu posso dizer que amo por completo (não é romântico, eu ouvi um amém!). Eu gosto dessa sua forma de escrita.

É bem possível que todos nós tenhamos esse bendito vazio. Uns mais do que outros, talvez.

Como a Pami disse, pode e não pode ser depressão. Ao meu ver não é. Talvez eu esteja viajando muito, mas enxergo isso mais como uma aceitação ao seu próprio ser.

"Foi apenas isso que me restou" não me parece tão depressivo. Talvez eu seja meio que uma Doente que ama distorcer as coisas, mas enfim... Eu vejo a aceitação do vazio como um algo. Um nada que realmente é alguma coisa. (Melhor parar por aqui x.x)

Parabéns pela obra!

Postado 16/12/17 02:32

Em minha defesa, quero dizer que sou bipolar até na hora de postar as coisas. Numa hora tem coisa fofa, na outra só tem bad e mais tarde, ou eu tô escrevendo coisas para adultos, ou tô matando geral. Vai entender...

Enfim...

É um aceitar do próprio ser, certamente. A depressão pode ter vários níveis, mas, neste caso, ela ainda não estava por aqui. Escrevi essa obra há muito tempo, bem antes de todas aquelas coisas acontecem.

Obrigada pelo comentário, Flavinha ❤

Postado 14/12/17 05:09

Ah, a apatia... Começo a conhecer esta ausência do próprio sentir cada dia um pouco mais e melhor...

Provavelmente estas poucas linhas retratem o cerne da própria Vida humana. Ou, ao menos e com certeza, a de algumas pessoas. E de uma forma tão singela, tão sincera, tão... Nossa.

Mas... Vida que segue. Até que a Terra pare de girar...

Excelente texto, Srta Tristeza! Tens o dom de exprimir e espremer todo tipo de coisa do coração e transformar em algo admirável como sua pessoa! Bravíssimo!

Atenciosamente,

Um ser vazio desde o ventre, Diablair.

Haha.

Postado 16/12/17 02:25

Muito obrigada, Diab! Sempre bom ter tu por essas bandas tristes e melancólicas ❤

Postado 14/12/17 17:54

beiii ta looocoooo, escreve faciill! <3

amoo tristezaa e você sabe muito bem como escrever um poema assim. <3

Postado 16/12/17 02:26

Obrigada, moço ❤

Postado 14/12/17 22:14

A melancolia é algo extremamente presente nessa obra, mas também a certeza de ser um nada, um ninguém. E, para falar bem a verdade, é como se eu me enchergasse em cada linha, em cada parágrado, como se esse texto fosse um reflexo daquilo que sinto. É impactante, porque parece que foi escrito para mim.

Muitos dirão que é depressão o fato desse vazio preencher o âmago. Talvez seja, talvez não. O fato é que esse vazio é algo incompreensível para alheios, o que torna tudo um pouco mais difícil. Assim como o protagonista explicita, é como se fossemos apenas uma decepção, uma pedra no caminho, o atrasado de outras vidas.

Dói. Dilacera. Enlouquece.

E só quem sente isso sabe o grau de sentimentos que há mesclado nessa obra. Vivendo como se parecesse um rôbo, no piloto automático, nada mais fazendo sentido, nada mais importando. Um corpo vivo com a alma morta.

Postado 16/12/17 02:28

Fico muito feliz em ver a maneira que tu enxerga com perfeição cada parte da obra. Obrigada, Pão ❤