O combustível da Magia do Natal
LEcrivain
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 15/12/17 23:56
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 8min a 10min
Apreciadores: 2
Comentários: 1
Total de Visualizações: 87
Usuários que Visualizaram: 11
Palavras: 1307
[Texto Divulgado] "pausa para um café" Após um dia frustante, Emmanuelle vai encontrar seu amado Matthew para a rotineira pausa para o café. Contudo, esse momento divido por ambos promete grandes emoções.
Não recomendado para menores de dezesseis anos
Capítulo Único O combustível da Magia do Natal

De forma generalizada, as pessoas veem o Polo Norte como uma gigantesca massa de gelo que flutua no oceano. De fato, elas o veem corretamente, mas ele não é só isso, pois possui seus mistérios. Ao olhar em sua plenitude, bem no ponto central da sua imensa área superficial, é possível notar a presença de uma fumaça branca, a qual surge do chão e, surrealmente, é quente. Alguns pesquisadores de grandes centros de pesquisa a observam faz muito anos, mas até hoje não conseguem explicar como ela se forma. Lamentavelmente, essas pessoas são céticas em demasia, o que não permite que vejam o óbvio: a Magia do Natal.

Papai Noel e os duendes, há muito tempo atrás, construíram uma fábrica de brinquedos — os quais seriam distribuídos para as crianças boas no Natal — no local mais inóspito possível, o que garantiria que a produção não fosse abalada por humanos curiosos. Portanto, no Polo Norte, foi cavado um grande buraco de formato cúbico há um quilômetro de profundidade, onde os equipamentos de produção foram distribuídos. No centro da gigantesca fábrica, estão as caldeiras que são responsáveis pelo funcionamento dos equipamentos, pelo aquecimento do local e, consequentemente, pela fumaça branca.

Inclusive, hoje, as caldeiras estão a todo vapor. Isso não acontecia desde 1994, ano em que as crianças bateram o recorde de bom comportamento e,assim, mais de oitenta e cinco por cento delas foram dignas dos presentes natalinos. Ou seja, a fábrica inteira está em êxtase, pois os duendes trabalhadores celebram por saberem que muitas crianças fizeram por merecer a visita do Papai Noel.

No entanto, Jefte, o duende responsável para solucionar as situações problemáticas do processo produtivo, estava muito preocupado pela manhã. Por isso, falar com o Papai Noel se fez necessário:

— Prezado Bom Velhinho! Posso falar com Vossa Entidade?

— Que formalidade é essa, Jefte? E me chama de Papai Noel, por favor.

Ôu! Sinto muito, Papai Noel. Mas estamos com problemas! Nossas reservas de combustível estão muito baixos. Temo não conseguirmos produzir todos os brinquedos necessários para as crianças viverem a Magia do Natal.

— Isso seria um grande problema. Qual é a porcentagem que falta para elas zerarem?

— Acredito que seja um pouco mais de dez por cento, Papai Noel.

— Hôu, Hôu, Hôu! Isso ainda é muito combustível, meu caro Jefte. Não tem o porquê de se preocupar.

— Mas Papai Noel, nunca ficamos com uma reserva tão baixa de combustível! Este é o terceiro ano consecutivo que se tem mais crianças boas do que más. Isso fez nossas reservas desabarem.

— Entendo sua preocupação, Jefte. Aliás, essa preocupação é digna para a posição que você ocupa nesta fábrica. Mas venha, meu bom amigo, e me acompanhe para um pequeno passeio.

Papai Noel abriu uma porta que levava a um grande salão circular, o qual estava repleto de prateleiras que exponham uma infinidade de brinquedos. Os olhos de Jefte brilhavam de encanto por tudo que via. Notou que o passar do tempo o fez esquecer da imensurável magnitude da Magia do Natal. Em cada prateleira estava gravado um número em romano, o qual representava o século que aqueles cem brinquedos ali exibidos foram distribuídos. Cada ano era representado pelo brinquedo de maior distribuição e, consequentemente, sucesso.

— É genial, não é Jefte, nosso trabalho? Olha quantos brinquedos que já distribuímos.

— Realmente, Papai Noel. E um mais lindo que o outro! É possível ver as crianças sorrindo ao receberem seus presentes.

— Hôu, Hôu, Hôu! Você está repleto de razão! E que sorriso lindo que elas têm. É por isso que nós existimos até hoje, meu caro. Mas o que eu quero lhe mostrar está aqui na prateleira do século XV. Tivemos um período entre os anos de 1456 e 1464 em que, em média, sessenta e dois por cento das crianças foram dignas de presentes. Você sabe o quanto isso impacta nas nossas reservas de combustível, né, caro Jefte...

— Sei sim. Ao ver os brinquedos, lembrei-me que chegou a quase zero.

— É, mas não chegou. Tivemos combustíveis para produzir presentes para todas as crianças dignas da Magia do Natal. E isso não aconteceu só nesse período, mas sim em vários outros. Isso é cíclico. Há períodos de anos que há mais crianças boas e há períodos que há mais crianças más. E, no geral, há um equilíbrio entre esses períodos.

— Você está correto, Papai Noel. Realmente me preocupei à toa.

— Nunca é se preocupar à toa quando o assunto são as crianças e seus sorrisos. Nós estamos aqui para recompensar todas aquelas que se comportam e são boas durante o ano. Temos uma função essencial para o bem-estar da sociedade.

Jefte se tranquilizou e voltou ao trabalho com um largo sorriso. Papai Noel, por sua vez, ficou na sala por mais um tempo para desfrutar do seu trabalho. Era árduo, mas muito compensador. Lembrou-se das noites de trabalho em que projetou a fábrica, nos anos dedicados ao recrutamento e ao treinamento dos duendes, no árduo trabalho de ensinar as renas a voarem. Foi muito difícil no começo, mas lhe é muito satisfatório no presente. Não pode se sentir mais orgulhoso, pois sabe, e sempre soube e sempre saberá, que seu trabalho leva alegria ao mundo!

De volta ao seu escritório, Papai Noel foi novamente interrompido, mas dessa vez pelo duende Brownie, responsável pela aquisição de combustível, quem lhe trazia boas notícias.

— Papai Noel, chegou mais um carregamento de combustível da América do Sul. Por ser um ano muito atípico, não foi conseguido muito dele.

— Não tem problema, meu bom amigo Brownie. O combustível da América do Sul tem boa capacidade calorífica. Quase tão boa quanto o advindo da América do Norte. A propósito, já o levaram para o centro de triagem e de preparação?

— Sim. Recém foi descarregado.

— Hôu, Hôu, Hôu! Muito bom! Vou trocar-me e vou até lá. Chame o Jefte, pois quero que ambos me acompanhem.

Os três, devidamente trajados com botas de borracha e roupas de plástico e protegidos com máscaras e protetores auriculares, chegaram ao centro de triagem e de preparação do combustível, onde o combustível recém chegado estava sendo preparado para posterior uso. O processo, para eles, era lindo e o grande segredo que permitiu que a fábrica funcionasse até hoje com eficiência.

Em grandes esteiras, as crianças recém chegadas eram despejadas e logo separadas, com o auxílio de braços robóticos automatizados, por faixas de peso: até 30 quilos, entre 31 e 49 quilos e superior a 50 quilos. Após, eram lançadas em outro sistema de esteiras — as quais conduziam as crianças para fitas de corte específicas para cada faixa de peso — onde elas eram cortadas em pedaços suficientemente pequenos para passarem pela boca do queimador. Era nesse momento em que se jorrava a maior parte sangue e quando as crianças paravam de gritar e clamar por seus pais. Por isso, para frequentar o local, era preciso estar protegido como equipamentos de proteção individuais adequados. Após cortadas, as peças dos corpos das crianças eram jogadas ao lados das caldeiras, para que fossem usadas como combustível.

— Hôu, Hôu, Hôu! A Magia do Natal é linda! É o fenômeno que permite que as crianças más sirvam às boas! É o fenômeno que vai transformar o mundo num lugar mais bonito e de pessoas dignas.

— Realmente, Papai Noel. Preocupei-me à toa. Olha quantas crianças más chegam e como queimam! Teremos energia suficiente para produção de presentes para muitos e muitos anos! Viva às crianças!

Hoje, a produção está em sua capacidade máxima. Injetoras, extrusoras e fresas produzem os mais variados brinquedos graças a energia provida pelas enormes caldeiras. Essas, movidas pela capacidade calorífica das crianças más, estão produzindo uma quantidade gigantesca de fumaça, a qual intriga ainda mais os cientistas céticos. Se observam-se a quantidade de crianças desaparecidas todos os anos e não negassem a Magia do Natal, os mistérios que rondam a imensidão do Polo norte já estariam respondidos.

❖❖❖
Apreciadores (2)
Comentários (1)
Postado 04/01/18 16:21 Editado 04/01/18 16:22

Papai Noel é um doente, sempre soube! KKK's. Amei o texto.

Postado 05/01/18 22:06

Hehehe. É doente mesmo! Muito obrigado pelas palavras =D