Retribuição
Diablair
Tipo: Lírico
Postado: 19/12/17 01:17
Editado: 15/01/18 01:37
Avaliação: 8.87
Tempo de Leitura: 5min a 6min
Apreciadores: 10
Comentários: 8
Total de Visualizações: 239
Usuários que Visualizaram: 14
Palavras: 821
[Texto Divulgado] "Id" Se você quer perder seu precioso tempo lendo tão "negativo"... Vá em frente.
Não recomendado para menores de dezoito anos
Notas de Cabeçalho

Não deve ter nem 5% de coerência/compatibilidade com o tema, mas... Com todo esse ronantismo atual do site, melhor postar essa mácula assim mesmo.

Esta obra não fez, faz nem pretende fazer quaisquer alusões ao tema abordado.

No mais, tenha uma excelente leitura.

Capítulo Único Retribuição

Deixe-me contar uma história de Natal

Ocorrida aqui, em solo nacional:

O palco de tudo, pelo que dizem

Foi em Capela, lá em Sergipe,

Em um vilarejo humilde de povo pacato

Muito religioso e bem reservado.

Lá morava um padre, um idoso sem igual:

Todo mundo conhecia o velho Nicolau.

Um servo de Deus, calmo e bondoso,

Muito respeitado e querido por todos

Por cuidar de crianças abandonadas

Quando mais jovem, sem cobrar nada.

Certa noite, um forasteiro apareceu

Bem trajado, roupa escura feito breu.

Ficou alguns dias, fez amizades

Até que um dia visitou ao padre

Disse que seu nome era Jesus

Em homenagem ao sacrifício na cruz

O velho padre a princípio o estranhou

Contudo, o sentimento logo passou

E se tornou em peculiar familiaridade

Também descartada pela diferença de idade;

Nicolau nunca saíra daquela localidade,

Logo não fazia sentido nutrir tais amenidades

Restando então somente a cordialidade

Entre o forasteiro e o velho padre.

Jesus então, na véspera de Natal,

Visitou a igreja após a missa final

Sem que os habitantes tivessem visto

Pois queria tratar com o padre em sigilo:

"Senhor, o passado me atormenta,

Permita-me confessar à sós sem reprimenda."

O sacerdote não lhe conseguiu negar

Um pedido tão fervoroso e singular

Deixou que entrasse, fechou as portas,

Foi ao confessionário atrás de respostas.

"Padre, nunca fui de me confessar,

Mas tenho algo muito hediondo para lhe contar:

Há muitos anos, havia um menino

Um pobre infeliz que vagava sem destino

Até que um homem bom o encontrou,

O nutriu, o vestiu, o educou

E a tudo isso a criança era grata

Mas, não sabia que não seria de graça:

Uma noite, no finalzinho do ano,

O homem que o estava criando,

Decidiu emsinar-lhe coisas mais adultas

Secretas, odiosas e sujas

No sigilo do silêncio e da escuridão

Homem e criança entraram em comunhão

Não como um filho e um pai

E sim como todo casal faz..."

Nessa hora, o padre pirrageou

E seu olhar em muito se arregalou.

O horror lhe tomava a face enrugada

Enquanto sua mente em frenesi trabalhava

E o jovem de preto que confessava,

Em tom assustador sussurara:

"Não foram minhas mãos inocentes

Que deixaram seu pau tão contente?

Sim, padre. O menino que desapareceu

Depois daquela merda também envelheceu!

Com ódio, vergonha e nojo se ocultou

E como o senhor, um monstro se tornou

Ressurgindo das trevas para mais trevas!

Eu sou sua vítima! Aquele que espera

Que guarde segredo sobre a confissão...

Quantas vezes devo rezar pela sua remissão?"

Um longo silêncio tomou o lugar

Conforme Nicolau começou a soluçar

Com o suor e as lágrimas escorrendo

Sem crer que aquilo estava acontecendo.

"Ora, por que é que está chorando?

Só me diga: desde quando

O boquete de uma criança

Deixou de ser boa lembrança?"

O velho sacerdote sujou a batina

Com um generoso jato de urina;

Ao mesmo tempo, seu corpo tremia...

Sentiu que a musculatura enrijecia:

O porquê, ele nunca saberia

Mas, a resposta estava na parafina

Das velas que o rapaz trocara

Às escondidas durante a madrugada

Tentou, com uma estranha respiração,

Fazer talvez sua própria extrema unção.

O homem do outro lado da tela

Parecia imune aos efeitos da vela

Pois rompeu o silêncio de modo feroz

Não mais ocultando a fúria em sua voz:

"É sério, padre? Vai orar para quê?

Se ninguém me ouviu, por quê então a você?!

Sabe o que eu mais pensava

Quando esquecer eu tentava

Enquanto cada criança comemorava

Com sua inocência imaculada

Toda a magia perpetuada

Por esta maldita data?

Se o Noel e Krampus

Das crianças cuidavam,

Quem aos adultos retribuía

Pelo que fizeram no ano que se ia?

Com certeza não é o seu deus

Pois naquela noite, o senhor e eu

Fomos solenemente ignorados:

Tanto meu suplício quanto seu pecado,

Fui tão bonzinho! Qual foi meu presente?

O senhor lembra? Um jato de sêmen!

Então, farei como naquela noite de bosta:

Do Inferno eu te darei uma amostra!"

E ao vociferar tudo aquilo em sucessão,

O homem de preto levantou-se do chão

Ignorando os clamores de perdão

Que o padre fazia para ele em vão.

Arrombou a porta do confessonário

E iniciou a punição do sexagenário.

Quando os fiéis chegaram ao local

Muitos desmaiaram ou passaram mal:

Havia sangue e pedaços em cada vitral

Vísceras enfeitando o pinheiro artificial

Velas negras a iluminar

Membros arrancados sobre o altar

Uma língua fazia as vezes da óstia

O cálice repleto de rubro à mostra

E aos pés do crucifixo cerimonial

(Que estava invertido, por sinal)

A cabeça sem olhos do Padre Nicolau

Em cuja boca jazia seu saco escrotal

E um bilhete fincado na pirâmide nasal

Escrito com fezes, bile estomacal,

Sangue coagulado e malevolência pura:

"Feliz Natal, pedófilo filho da puta!".

E foi assim que começou a lenda

Do Jesus Maldito de Capela

Que todo Natal se vinga dos pervertidos

Que transformam anjos em seres destruídos...

❖❖❖
Notas de Rodapé

Perdão por ter ficado tão aquém do esperado e, também, pela estrutura.

Haha.

Apreciadores (10)
Comentários (8)
Comentário Favorito
Postado 27/12/17 22:13

Não tenho palavras suficientes para descrever o quão feliz eu fico por finalmente ter você participando com toda a sua magnitude em um dos meus desafios; é um orgulho que não cabe no peito. Pois, apesar de você sempre citar nas notas que nunca está compatível com o tema e que está um lixo, a obra claramente desmente essa afirmação. E a aprovação dos leitores - inclusive a minha - é a prova viva.

Quanto a obra, que baque no leitor! Convenhamos, no início não se dá nenhuma dica do que viria pela frente, meio que se desconfia do surgimento misterioso de Jesus devido ao tema, mas nunca, nunca mesmo, eu pensei em uma vingança, no surgimento de um segredo obscuro. E coloca obscuro nisso.

É deixado aqui uma mensagem clara sobre o que é confiança. Por ser padre, e por ser tão generoso, as pessoas automaticamente confiam cegamente. Mas por detrás de toda essa bondade sempre há algo a esconder. Ninguém é perfeito. E aqui é massacrado - literalmente - essa opinião.

Mostra também que os monstros normalmente não nasceram assim. Ao contrário, a pureza é tirado a força, e todo mal que lhe foi causado transforma-se na vontade de fazer o mesmo com terceiros. Se pesquisar sobre fichas criminais mais famosos é um dos argumentos mais comuns.

Se reproduz o que sentiu. Se torna aquilo que vivenciou.

Uma ótima obra, sem questionamentos. Parabéns!

Postado 12/01/18 21:46

Não tenho palavras, Srta Pam... Somente agradecimentos!

Gratíssimo, gratíssimo!

Postado 19/12/17 01:49

Não deveria desculpar-se, pois eu não posso negar que sua obra me fez gargalhar internamente e extrenamente sem parar por curto longo tempo. HAHAH

Devo confessar que eu não tenho tanta paciência para fazer rimas de final de verso? Por minha incapacidade e sua criatividade eu parabenizo... AHHAHA.

(já começamos a fazer textos natalinos para postar na nossa amada academia?)

Obrigado por postar esse poste de sangue e ódio...

<3

Postado 12/01/18 21:47

És mesmo uma Doente, Guro-chan... O que em muito me comprazo.

Gratíssimo! Gratíssimo!

Postado 20/12/17 06:47

Fiz um cadastro pra poder cuspir elogios nessa sua cara feia. Excelente texto. Arranjo de palavras foi de uma habilidade exemplar. Obrigado pelo excelente trabalho. Vlw, do seu amigo também conhecido como Salazar.

Postado 20/12/17 11:52

Me faltam palavras... Mas, há gratidão e contentento em quantidades satânicas pelas suas, meu inestimável amigo!

Gratíssimo, de todo o meu maldito coração! Gratíssimo!

Postado 21/12/17 02:11 Editado 21/12/17 02:14

Ah, depois de ler isso cheguei a conclusão de que não tenho a menor chance de vencer aquele desafio!

Céus! Com trinta demônios pretos dançando pelados, o que foi isto que acabei de ler? Se não foi a melhor obra desta desafio, não sei o que é!

É deveras impressionante o que tu fez na estrutura do poema, pois você conseguiu contar uma história de início, meio e fim. O que é um feito excêntrico para este tipo de estrutura e ressalta ainda mais a sua genialidade.

A história me deixou sem palavras. A virada de jogo e o fim (mais do que merecido, por sinal) do padre, mostra que a magia do Natal nem sempre se resume somente a felicidade e gratidão.

Parabéns por essa magnífica obra, Diab. Boa sorte no desafio!

Postado 12/01/18 21:49

Ah, Srta Ternura... Pudera eu tecer uma resposta digna de tão enaltecedor comentário!

Gratíssimo! Gratíssimo!

Postado 21/12/17 17:27

E eu que inventei de por um gorro de natal pra ler isso. QUE ESPETÁCULO MALDITO(corações mais corações). Que liberdade de usar um vocabulário não tão rebuscado(isso é um elogio para a sua personalidade quanto autor). Você, com esse clássico que escreveu, despertou em mim até a vontade de escrever qualquer coisa para o Academia De Contos neste natal, MUITO OBRIGADO.

Agradeço também pelos comentários nas minhas histórias, li todos e responderei o mais rápido que conseguir.

Postado 12/01/18 21:51

Sou eu quem humilde e regiamente lhe agradeço, Sr ofadadonathan!

Muitíssimo obrigado!

Postado 22/12/17 09:54

Olá.

Sei que se torna repetitivo, mas volto lhe parabenizar pela estruturação que utiliza nesses textos. Isso somado às rimas tornam a leitura muito agradável e permite que o leitor desfrute do enredo. Parabéns!

Eu achei que nada pode ser melhor para descrever esse texto do que a frase que o Jesus deixou para todos os que foram à igreja: "Feliz Natal, pedófilo filho da puta!"

Caramba, essa frase é quase um resumo do texto. Com o Feliz Natal, vimos toda a parte de amor que o padre tinha para com as crianças que cuidava e todo o prestígio que tinha para com a comunidade. Com o "pedófilo", vimos que o padre, na verdade, era bem sem vergonha e tinha feito aquelas que amava (teoricamente) sofrerem. E com o "filho da puta", vimos uma pessoa revoltada (e com razão) com o que lhe acontecera nas mãos do padre e que todo o ódio ia ser transformado em morte e sofrimento. Se bem interpretei o texto, foi isso que aconteceu, hehehe.

Parabéns, Diab. Mais uma belíssima obra! Obrigado por compartilhá-la.

Postado 12/01/18 21:54

Muito obrigado, Sr LEcrivain!

Postado 25/12/17 22:35

Carai! Isso é que é leitura de natal hahahaha

Diab sempre um poço de maldade e crueldade <3

Vc é foda! <3

Postado 12/01/18 21:55

Tive/Tenho influências suas nesse quesito, Joy do Hell... O que, juntamente com este feedback, muito lhe agradeço!

Gratíssimo! Gratíssimo!

Postado 05/01/18 01:19

meu sonho é que certo pedófilo nojento e dissimulado morra assim! e que seus restos sejam expostos em seu pulpito!

Postado 12/01/18 21:56

Satan...

Outras obras de Diablair

Outras obras do gênero Crítica

Outras obras do gênero Erótico ou Adulto

Outras obras do gênero Poema

Outras obras do gênero Suspense