O primeiro cavalinho de pau
Francisco L Serafini
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 22/03/18 09:44
Editado: 22/03/18 09:45
Gênero(s): Comédia
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 3min a 4min
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Palavras: 534
[Texto Divulgado] "Sonho Esquisito." Tive essa noite um sonho esquisito, envolvia um trem que nunca chegava ao seu destino, a madrugada, pessoas conhecidas e desconhecidas. Um abraço de uma pessoa querida...
Não recomendado para menores de catorze anos
Capítulo Único O primeiro cavalinho de pau

Comprei um carro e dei um cavalinho de pau. Coisa linda, né? Sim, ergueu poeira e cantou pneu. Enfim, lindo como tem que ser. Bem... Salvo pela capotagem que ocorreu.

Maldito precipício! De onde tu surgiste? Certamente, dos quintos dos infernos! Não! Pior! Foi obra do Venâncio, aquele maldito recalcado de merda! Eu comprei o carro na concorrência, porque tu és um bosta, Venâncio! Eu realmente não queria esse carro japonês movido a luz solar. Eu queria um americano V8 turbo que queima um poço de petróleo por acelerada. Mas tu és um bosta, Venâncio! Tu querias que eu desse cinquenta por cento de entrada! Velho, não dou cinquenta por cento de entrada nem para comer tua mãe na zona, seu puto!

E agora tu vens e me prega essa peça. No primeiro cavalinho de pau, tu vens e jogas pó de brita no chão e cavas um precipício de trinta metros de altura. Mais! Duvido não ter quarenta metros de altura. Quiçá sessenta metros de altura. Pela quantidade de vezes que o carro girou, deve ser uns cem metros de altura. É um precipício gigantesco, que faz a Big Tower parecer pequena. Como conseguiste cavar essa merda de precipício se és tão burro, Venâncio? Não era muito mais fácil ter parcelado em cento e vinte vezes sem entrada?

Claro que era mais fácil, mas tu só querias me foder, seu bosta. O carro novo que comprei está todo quadrado. Estamos em 2018 e não existem mais carros quadrados! Salvo o meu, por culpa tua, ó Venâncio de merda. Tem carro redondo, carro pontiagudo, carro sem teto, carro sem porta, carro sem retrovisor, carro que estaciona sozinho, carro que não precisa abastecer, carro que anda na água e no ar, mas não há mais carro quadrado. Salvo o meu. Salvo o meu!

A sorte desse arrombado — tu, Venâncio — é que o carro já tinha seguro. Então, em seis meses, o carro estará como novo. Claro, terei que esperar a importação de peças de todos os lugares do mundo, porque essa merda de carro japonês não tem representante no Brasil. Tem no Paraguai, na Escócia, na Etiópia, na puta que te pariu, Venâncio, mas não tem no Brasil.

Mas tudo bem. Sou um cara abençoado, no fim das contas. O carro, em seis meses, estará pronto para rodar pelo mundo a fora. Quem sabe eu contrate um motorista particular. Quem sabe sejas tu, Venâncio de merda! Porque eu só vou poder colocar o pé no chão daqui oito meses. Depois terei que fazer fisioterapia por mais quatro meses. Depois terei que me apresentar ao centro de formação de condutor e refazer minha carteira de motorista. Eu só me fudi com essa merda de recalque do Venâncio. Tu és um bosta, Venâncio!

Só sei que perto de ti nunca mais dou cavalinho de pau. Não tem como. Teu recalque é corrosivo, destrutivo, impulsivo. É uma merda! Nem a cerveja que bebi, nem a cocaína que cheirei, nem o tapa-olhos que usei me fizeram tão mal na hora do cavalinho de pau quanto teu recalque, seu cocô. Mas beleza, ficou o aprendizado. Quando for comprar um carro, tenho que evitar problemas. Tenho que evitar vendedores de merda.

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