O homem sem cabeça 1° Capitulo
Allen Silva
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 18/04/18 23:10
Editado: 18/04/18 23:20
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 3min a 4min
Apreciadores: 4
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Capítulo Único O homem sem cabeça 1° Capitulo

Eu era repórter do Programa Linha Verdade da Falecida TV Cultura de Criciúma, era um dia a tarde, nós estávamos sem matéria nenhuma para apresentar no programa.

No caso já era umas duas da tarde e nós não tínhamos absolutamente nenhuma matéria, então resolvemos dar aqueles “migué” que os jornalistas dão quando estão sem matérias. Tipo ir no Hemosc falar do banco de sangue, ir no SINE falar das vagas de emprego.

Nós inovamos no “migué” e fomos na sede da Policia Militar fazer uma matéria sobre as câmeras de segurança da cidade.

Nem tínhamos começado a entrevista ainda e o telefone da central de emergência tocou, nos estávamos distraídos falando sobre as câmeras quando ouvimos o atendente falar em alto e bom som:

-Um corpo sem a cabeça? Onde?

Na hora vimos que era uma matéria bem mais interessante que a das câmeras, ficamos ligados no endereço e assim que conseguimos entender, saímos correndo que nem dois loucos para filmar o cara sem cabeça.

Bom, saímos a toda velocidade que aquela joça daquele corsa 1.0 MPFI podia ir, na realidade a nossa maquina de cortar grama era mais rápida que ele.

Chegamos no lugar, uma colina que ficava localizada atrás do cemitério do Bairro Brasília em Criciúma. O lugar era de difícil acesso, tinha que subir um morros e descer outros, eu com esse corpinho já estava quase ligando pro IML trazer saco pra dois.

Com certeza eu ia infartar se tivesse mais uma subidinha daquela.

O que mais me desanimou é que na minha frente ia um policial duas vezes mais gordo que eu, e mesmo com todo meu esforço eu perdi feio pra ele.

Quando cheguei no local a cena foi chocante, um homem deitado sem camisa e sem a cabeça. Um absurdo! Num dia frio daquele onde ele ia sem camisa?

Bom, ao lado do corpo havia uma moça ajoelhada, segurando a mão dele e chorando desesperadamente.

O problema quando a gente chega numa ocorrência assim é que não se faz a mínima ideia do que aconteceu e o cérebro fica meio que voando e pensando coisas idiotas. (Tá tá, eu sei que o meu só pensa coisas idiotas, mas nesses casos, aumenta)

Eu decidi conversar com a moça e nesse momento eu fiz a pergunta mais imbecil que eu fiz até hoje em toda minha vida.

Olhei a moça sem saber como me comunicar com ela, me abaixei quase me ajoelhando também e perguntei:

-Quem era ele moça?

Ela chorando me olhou e disse:

-Meu marido

-E cadê a cabeça dele?

Muito mais desesperada do que na primeira pergunta ela abriu um choro ainda mais alto e respondeu:

-Euuu nããão seiiiii

Aí meus amigos, veio a pergunta derradeira que fez até a moça parar de chorar e começar a rir.

Eu olhei fundo nos olhos dela, já quase chorando junto e perguntei:

-Então se a cabeça dele não ta aqui, comé que tu sabe que ele é ele.

Todo mundo riu, os policiais riram, a torcida riu, o cinegrafista Georgy Ricardo riu, até a viúva riu e se o falecido tivesse cabeça, ria também!

❖❖❖
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Comentários (4)
Postado 27/06/18 22:30 Editado 27/06/18 22:31

COMO EU TENHO RAIVA DE REPORTERES IMBECIS GRRRR

"Está senhora acabou de perder a casa na enchente e junto com a casa, a filha morreu afogada, então, como a senhora se sente?"

Puta hell, que vontade de trucidar! Hahaha

Devaneios putassos à parte, amei seu conto num grau imenso, pensei que nada me faria dar uma risadinha nesse fim de noite, (spoiler: você conseguiu) uma narrativa singela, cativante, muito bem escrita e 100% real, deve ter acontecido em todos os Estados brasileiros, em cada morre e ocorrência bizarra! Hahaha estes textos me animam muito! Meus mais sinceros parabéns e, obrigada!

Postado 21/11/18 02:06

Eu e que agradeço de coração

Postado 28/06/18 00:35

Hahahaha. Eu achei a segunda pergunta mais engraçada, até pela resposta da então viúva.

Essa história é real? Do jeito que é contada, me leva a crer que sim. Ou deve ser daquelas histórias aumentadas, hehehe.

Muito bom. Eu acho que comentei em outro texto seu sobre o seu estilo de narrativa. Vale pra esse texto também, hehehe.

No mais, é uma baita história, daquelas pra contar pros amigos num churrasco.

Valeu!

Postado 21/11/18 02:08

História "realissima". Pior que é verdade. No caso foi em Criciuma e nome do falecido era Jiqui... muito obrigado de coração por seus elogios.

Postado 25/09/18 22:05

Caralho, que final foi esse? Esse humor ácido fundido com a falta de noção, me faz questionar a capacidade humana de agir nas mais variadas situações. De fato, a raça dos jornalistas consegue se superar cada dia mais.

Adorei o texto, meus parabéns!

Postado 21/11/18 02:08

Muito obrigado de coração....

Postado 11/03/19 20:46

Eu juro que tentei não assimilar com Teen Wolf, mas esse começo de narrativa não me ajudou muito. Bateu uma certa nostalgia da série...

Mas voltando para o seu texto, é realmente uma ótima crônica, bem humorada de uma forma que o narrador não tenta forçar as risadas; é algo contagiante e natural. Como se estivéssemos em uma rodinha de amigos contando nossas histórias mais bizarras: tão verdadeiro que parece até uma história para boi dormir.

As cenas também foram bem escritas, e a maneira como o narrador vai contando os desfechos trazem uma proximidade gostosa com os leitores; uma leitura suave e engraçada, não tendo como não rir com a falta de bom senso devido as perguntas. Mas o bom é que pelo menos quebrou aquela tensão pós-assassinato... Não que seja recomendável, e que todos que passam por isso levaram nessa esportiva.

Uma obra muito bem elaborada e contada. Meus parabéns!

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