Abortos Literários (Em Andamento)
Excrement Co-Autores 6 de Janeiro
Julih
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Tipo: Romance ou Novela
Postado: 09/06/18 13:45
Editado: 12/06/18 17:45
Qtd. de Capítulos: 2
Cap. Postado: 12/06/18 17:45
Avaliação: 8.67
Tempo de Leitura: 7min a 10min
Apreciadores: 3
Comentários: 2
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Palavras: 1234
[Texto Divulgado] "Já que é pra mudar" Estaria fadado a viver em desalma Era o que eu pensava Um fantasma almadiçoado a vagar em multidões Que meu rosto para os outros não teria sequer feições
Não recomendado para menores de dezoito anos
Abortos Literários
Notas de Cabeçalho

Nada mais a ser dito... Apenas lamentado.

Primeiro Aborto Kayla - Parte II

"Jaz aqui um poeta morto

Incompreendido

Banido de seus sentimentos

Sugado pela culpa

Pelos demônios internos..."

Um humano recitava com o coração, enquanto o sol tingia-lhe o cabelo. Foi quando a Huldra exalou seu aroma hipnotizante, e, dentro de um segundo, os olhos aveludados dele, se encontaram com os ferozes dela.

O rapaz não era bonito, embora sua fisionomia não fosse de toda desagradável. Tinha um tom de pele engraçado para o olhar sobrenatural de Kayla, que conseguia distinguir todas as miríades do mosaico belíssimo que cumpunha a Mãe-Natureza. As roupas dele estavam em um estado lástimável sobre seu corpo delgado. Mas, os olhos... Aqueles olhos eram ricos em sentimentos.

Sentimentos sombrios. Tortuosos. Intensos. Perversos.

Já para o desafortunado homem, Kayla era simplesmente a criatura mais bela que ele vira desde que saiu do ventre maldito de sua mãe. A desconhecida era tão deslumbrante em seu misto de selvageria e graciosidade que ele sentiu que poderia se cegar pois nunca veria algo igual ou melhor.

Suas rimas deram lugar a um engolir seco, sua inspiração tenebrosa cedeu ao encanto daquela musa que parecia ter brotado do seio da terra diante dele. Ficou parado a admirar como um cego que recuperou a visão depois de anos nas trevas.

Foi nessa hora que seu membro pulsou tão ou mais forte que seu coração, demovendo-o minimamente do assombro que o acometera.

O homem que estava a recitar poemas soturnos no meio das árvores e da noite decidiu continuar o que fazia, mudando um pouco o tema de sua oratória enquanto tentava fazer uma mensura que, sob o fitar divertido da jovem Huldra, era mais um disfarce á escandalosa ereção do que uma demonstração de etiqueta:

- Das trevas da mata que a muitos assombra, surgiu a beleza em pessoa. Sou Dyre, o Perdido, vindo de terras distantes. Permite-me a ousadia de saberes teu nome?

A mulher soergueu a sombrancelha, incapaz de conter um sincero sorriso com o galanteio improvisado, algo inédito para ela, acostumada com prosa um tanto rude e plebéia. Mas, havia algo mais naquele jovem que despertava interesse: era o aroma deliciosamente maculado que exalava na brisa da madrugada.

Ela se aproximou alguns passos em silêncio, desviando de alguns galhos de uma árvore próxima. A luz da lua incidiu sobre sua cabeleira, descendo sobre seu corpo esbelto como que enaltecendo sua existência. Dyre suspirou praticamente comovido com tal visão

- O nome que deseja ouvir é Kayla. - a voz dela parecia feita de puro lirismo tamanha a suavidade com que saiu daqueles lábios ligeiramente vermelhos *feito sangue* - Honrada por conhecer tão distinta figura em uma noite como esta... - um sorriso provocativo surgiu na face da Huldra, instigando o rapaz de um modo nada correto.

- Eu a vi mais cedo na campina, e... Eu apenas pisquei e a senhorita desapareceu. - a garganta do jovem de alguma forma ardida, estava padecendo ao tentar inutilmente falar com a criatura mais linda da face da terra.

A Huldra, com seus lábios brilhosos e seus olhos intensos, fez com que ele se esquecesse dos limites de proximidade e foi chevando cada vez mais perto, desbravando-o... Sua nova presa.

- Talvez estivesse sonhando... - ela sussurrou como mil brisas anunciando o início do verão.

Ele engoliu em seco, suava e suas pernas tremiam, estava catequizado por aquela beleza.

- Então, eu ainda estou sonhando? Pois aparecestes assim, repentinamente de novo... Eu nem vi a noite chegar, é como se a senhorita a trouxesse dentro do peito.

A Huldra corou, inflou o peito pasma, será que ele deduzira que ela havia trago a noite literalmente, ou, era apenas uma poesia modernista?

- Como sabes que eu trouxe a noite? - ela indagou, ereta, tentando controlar seu rabo embaixo da saia que não parava de chicotear o gramado.

- Não... É uma expressão... - ele não queria perdê-la assim como havia perdido todas as outras - É um outro sentido... Eu... - desistiu, se rendeu a aquele olhar enluarado dela - Eu me perdi, eu acho... Devo ter bebido demais. Me desculpe, senhorita.

Ela sentiu em seus nervos, a tristeza dele, era um sentimento excitante, como mil golpes de chicote, era um sentimento dilacerante e alarmante que ela nunca havia sentido em nenhum outro ser humano, a tristeza dele era genuina, atraente... Começou a fervê-la por dentro, logo não seria mais possível conter a agitação. Prontamente ela pisou no próprio rabo, para que isso não se tornasse um desastre.

- Me fale mais sobre isso, meu senhor, quando as palavras jorram de tua língua, é como se... Como se minha cruel existência pudesse enfim ter um sentido digno.

O encanto da Huldra se desfez com aquelas palavras (mal)ditas inocentemente e o jovem desviou o olhar rumo ao céu conforme gargalhou. Mas, não havia graça alguma contida ali: era um misto de ironia e miséria que confundiu por completo o senso da linda mulher diante de si.

- Perdoe-me novamente, Srts Kayla. É que o que disseste sobre a validade de tua existência... - ele parou de rir, mas continuou a fitar o céu, como se buscasse uma resposta que de forma alguma estaria ali. - Como poderia alguém tão indigno e miserável quanto eu falar sobre isso com uma dama que emana grandeza? Não, nem eu conseguiria ser tão hipócrita... - ele suspirou, voltando os olhos para o perigo e encontrando uma espécie de alento neles.

- Nós não precisamos necessariamente conversar... O que nos levaria... O que levaria uma... Mulher como eu a estar sozinha com um estranho? As coisas acontecem, algumas pessoas acontecem.

- O que quer dizer...? - ele indagou ainda confuso num mix de cores e aromas que tilintavam em sua mente embriagada.

- Não podemos escapar do destino, o nosso nos trouxe até aqui, destinos como esse, não precisam de palavras para se preencherem, no entanto, ainda necessitamos de nossas bocas.

A Huldra fez um movimento gentil ao se sentar no gramado e retirar as botinas, deixando com que ele visse os lindos pés que ela possuía; ela atirou as botinas longe entre as àrvores, abraçou seus próprios joelhos e olhou para ele, com aquele tipo de olhar que dispensa qualquer tradução.

Dyre olhou para aquele anjo de misericórdia bem no fundo dos olhos e por um segundo temeu se perder dentro de toda aquela intensidade que parecia arder naquelas íris, sem saber que era a angústia que inundava os olhos dele que gerava tal efeito.

Ele conhecia as lendas, como bom artista que tencionava ser. Mas, como poderia lembrar-se dos alertas quando já havia suprimido a distância que separava seus rostos e se atreveu a beijar aquela boca tão desejável quanto a própria vida?

E ela retribuiu e, surpresa, sentiu seu coração bater estranho no peito com a quantidade de sentimentos que havia ali. Ele a abraçou com um misto de ternura e carência que a tomou de assalto: era como se a alma , e não o corpo dele precisasse daquilo.

Quando o beijo terminou, a Huldra deu um gemido tão indescritivelmente sensual que ambos se assustaram e riram enquanto voltaram a unir os lábios e os corpos novamente, desta vez com mais vontade, com mais liberdade.

Ela cheirava a flores delicadas. Ele, a pecado e arrependimento. A pele dela era como seda e raio de sol. A pele dele tinha um inibriante aroma de uma tragédia mal resolvida. Ambos foram ao chão devagar, famintos um do outro conforme as roupas iam ganhando o ar e o solo.

Eles queriam se descobrir. Precisavam. E iriam, a qualquer custo.

❖❖❖
Notas de Rodapé

E então o que era para ser uma das cenas sexuais explícitas mais impressionantes já registradas neste site/mundo se converteu em um Aborto Literário.

Fin

Houve outro antes deste. Bem antes, na época em que a Srta Julih estava decidindo se me tolerava ou me excluía de seus contatos. Um dia eu posto. Se eu lembrar/encontrar outros Abortos, idem.

Bom, é isso.

Haha.

Apreciadores (3)
Comentários (2)
Postado 17/06/18 21:53

Esse aborto machuca o coração; a alma e o mundo...

Como sempre um aborto jamais é consedido pelo abortado, neste caso, a obra nasceu, mas teve suas pernas e braços cruelmente arrancados (bem dramatica).

Dois mundos únidos por um ou mais desejos, a personalidade ficou mais clara pelo lado da Huldra, porém, nosso rapaz mergulhado em tragédia é uma grande incógnita... Minha imaginação viagará para tentar para ao poeta uma história.

Mesmo não sendo tão bela quanto uma huldra, agradeço por compartilhar esse cruel aborto e parabenizo-los por tamanha criatividade.

<3

Postado 17/06/18 22:10

Este Aborto de fato me faz regurgitar sangue de tão inconformado que fico toda vez que chego ao último parágrafo... Mas, é a vida: nem tudo ocorre como/quando desejamos, não é mesmo?

O poeta. Sim, este personagem cujo passado permanecerá uma incógnita até o Fim dos Tempos. Que Satan receba-o em seus calorosos braços...

Muitíssimo obrigado por ter acompanhado este Aborto até seu prematuro final, Guro-chan! Gratíssimo! Gratíssimo!

Postado 21/06/18 14:14 Editado 21/06/18 14:15

Gente, estou em choque! Como lidar com algo assim? Como planejar um bom comentário diante de tão empreitada? Impossível... Todas as palavras me escaparam a partir do momento que comecei a ler. Tudo me fugiu, lamento por isso.

Parabenizo a vocês por esta obra ♥

Postado 21/06/18 15:32

Srta Ternura, não imagina o quanto seu feedback nos anima e fortalece! Pena que este capítulo também marca o final prematuro e definitivo deste conto... Todavia, em nome da dupla, lhe agradeço de todo o restante de coração que possuo!

Gratíssimo! Gratíssimo!

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