Te amarei para sempre, sua emo
nada
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 24/09/18 10:54
Gênero(s): Drama Romântico
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 2min
Apreciadores: 3
Comentários: 2
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Palavras: 350
[Texto Divulgado] ""
Não recomendado para menores de dezesseis anos
Capítulo Único Te amarei para sempre, sua emo

Os cabelos dela eram como duas cortinas que se abriam cedo pela manhã, e se fechavam resguardadas a noite, elas escondiam aqueles olhos escuro e vazios. Seu rosto era marcado por pequenos resquícios das espinhas que lhe atacaram na adolescência. Seus olhos também exibiam olheiras. Rosto marcado por tantas batalhas que ela não se preocupava mais com cuidados mais profundos. Blusa de mangas compridas para esconder seus cortes, brigas e mais brigas, raiva e mais raiva, tristeza e mais tristeza. Ela era o caos, instável e bipolar, uma vez me atacara com um cabo de vassoura, a segurei até que desistisse e se desmanchasse em lágrimas.

Ela dizia que me odiava, odiava tudo, era o jeito dela de clamar desesperada por esperança, era o jeito dela dizer que me amava. E eu amava ela, mesmo depois de toda a decadência e sofrimento. Ela precisava de mim, e eu estava lá. Adorava vê-la, adorava ver sua dor, porque olhava para minha própria. Eu era apaixonado por uma menina emo. Gostava do rock pesado que ela ouvia, dos choros, e dos cortes. Ela era como uma rainha para mim, uma rainha da tristeza.

Sua condição chegou a tal ponto que ela, em uma explosão, levantara a faca contra mim, ela dizia que me odiava, tentava me cortar, eu tirava a faca das mãos dela, a sacudia e gritava. Mais uma vez, ela caia em lágrimas e me abraçava pedindo perdão.

Eu tentei de tudo para judá-la, mas parecia que ela só piorava, em seu auto vortex destrutivo, ela foi caindo, aos poucos, em uma lama bem funda. Ela me puxava com suas mãos pequenas para dentro daquele lodo, e eu ia, se tinha algo que desejava era afundar junto com ela. E ela afundou, e mesmo no fim, eu não pude puxá-la, ou deitar junto ao seu lado, fazendo-lhe companhia até mesmo em seus últimos momentos. Eu não pude, eu não pude cortar meus pulsos também, me desculpe, me desculpe, amor da minha vida, a única coisa que posso dizer é que te amarei para sempre, te amarei para sempre, sua emo.

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Postado 24/09/18 21:17

Nada como postar isso em clima de retorno da Avril Lavigne.

Confesso que ponderei a honestidade do texto ao final do segundo parágrafo, mas voltei a encará-lo no começo do terceiro.

Enfim, melancólico e muito 2009, é bom voltar e saber que a qualidade não se perdeu neste site.

e uma pergunta, nós nos conhecemos?

Postado 25/09/18 00:00

hmm, acho que saberia se nos conhecêssemos, principalmente pelo seu bom modo de escrever.

já postei histórias em outros lugares, talvez você tenha visto.

enfim, obrigado pelo ótimo comentário, sério, pelas referências, e por essa alma sensível disposta a demonstrar o que considera ser bom, e o que lhe toca

*eu tinha que demonstrar esse lado melancólico, principalmente pelo que tenho passado ultimamente.

*Beijos//

Postado 11/03/19 21:12

Essa obra acabou trazendo um questionamento para mim. Sempre quando falamos de relacionamentos abusivos retratamos o agressor como o homem, e a vítima a mulher. É um certo preconceito estereotipado, e apesar de não ser o foco do texto me trouxe essa divagação. Porque o que o narrador passa é de certa forma uma relação abusiva.

A melancolia presente também é notável, e é uma coisa que muitas pessoas passam: mesmo estando presentes, mesmo perdoando e tentando seguir em frente, às vezes nada disso é capaz de salvar uma pessoa – tanto física quanto mental, e tudo que sobra são as lembranças e o amor que o coração mantém vivo.