Ken Park (Em Andamento)
oFadadoNathan
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Tipo: Romance ou Novela
Postado: 02/12/18 00:31
Editado: 02/12/18 00:39
Qtd. de Capítulos: 3
Cap. Postado: 02/12/18 00:33
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 3min a 5min
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Palavras: 624
[Texto Divulgado] "Descartável" Sabe, eu costumo fazer uso da escrita para desabafar, às vezes da fala também (mas não se pode falar por aqui). A questão deste poema é justamente esta: por que diabos você nem ao menos me escreveu adeus? Foi um descarte, como se o ser humano fosse descartável. Talvez aqui fique, já, uma ressalva: Não confunda às coisas, você não pode comprar tudo. E mais uma lembrança: O ser humano sente! (Parece óbvio, não?) Mas, acredite, há pessoas que parecem ter dificuldades de compreender isso. Boa leitura :*
Não recomendado para menores de dezesseis anos
Ken Park
Capítulo 3 Ken Park

Na sexta-feira de manhã, Mariana e Semie nem se falaram. À noite, ele pediu um uber para a pré-noite. O motorista usava uma touca, mas dava pra ver que tinha a cabeça raspada, e não parava de encarar Semie pelo retrovisor da frente. No fim da viagem, quando procurava o troco, o motorista perguntou. Conhece um Ken Park?. Não. A, é que vocês se parecem muito, se não fossem as tatuagens, a viagem seria totalmente diferente (o motorista disse rindo, ele parecia simpático). Entendi, boa noite e bom fim de semana. Igualmente.

A pré-noite era em um salão de um prédio com piscina e bebida, que acabaram se misturando até o fim da noite. O colega de Semie o chamou até uma área fora do salão, mais escuro e com um clima mais punk. Ele não se sentiu bem ali. Ele não se sentiu “ele” ali. Talvez porque tivesse conseguido prever o que aconteceria com ele se continuasse ali. Não aguentava mais. Aquela metalinguística na cabeça dele, pensando no que estava pensando. Não parecia com ele, era como se seus pais estivessem agindo sobre as escolhas dele naquele exato momento, e ele não queria isso, como se eles tivessem o educado muito bem, e ele não queria isso. Eu quero viver. Ele não tinha vivido nada, e estava ficando velho. Foda-se os pais, ele pensava, foda-se, eu não sou igual a eles, eu sou igual a minha geração.

Que porra é essa?. Cocaína. Foda. Já cheirou?. Cl...Cl...Claro, no meu colégio, eu cheirava com as mina no intervalo dos períodos. KKKKKKKKK, caralho mano que brilho KKKKKK, aproveita ai então.*

Cara, eu jurava que te conhecia. Você parece até outra pessoa**

Aquela noite tinha ficado quente de repente. O carro que levou Semie e mais três pessoas, uma mina e um cara, pra casa abandonada não tinha ar-condicionado. Foda-se, mano , que calor, acho que foi a cocaína, minha cabeça parece que diminuiu. Semie colocou a cabeça pra fora da janela e deixou o cabelo voar em alta velocidade, na verdade tudo estava alto, ele estava, mas sua cabeça cada vez menor e desproporcional. Da rua, ao presenciar Semie com metade do corpo para fora do carro, alguém gritou KKKEEEEEEEEEEEEEEEN PARKKKKKKKKKKKKKK.

A casa abondonada ficava entre a cidade e a cidade vizinha, não exatamente localizada em nenhuma delas. Por um minuto Semie pensou que o carro só iria parar depois de um acidente, mas conseguiram estacionar em um terreno baldio do outro lado da rua. Da janela do carro, ele teve que encolher os olhos com tantas luzes e flashes despontando dos dois andares da casa.

Merda, estamos atrasados (disse quem estava no volante, e imediatamente correu para a festa).

Merda. Meu nariz ta sangrando. E ta muito quente.

Semie, com os faróis do carro acesos atrás dele traçando uma sombra gigante, correu atrás do motorista. A música e a temperatura cresciam em seus ouvidos conforme ele se aproximava.

Ken park?

Onde*

Ken park? É ele?

Caralho.

É o Ken park?

Não, mas ele morreu, não pode ser.

descobriu uma piscina nos fundos da casa e não pensou duas vezes antes de pular. Ao emergir, todos riram do seu cabelo comprido molhado até os ombros. não devia ter vindo, não era ele, ele só pensava na Mariana. Encharcado, subiu as escadas da casa e encontrou um quarto com uma lâmpada verde no teto. Dos cantos das salas, alguns adolescentes punks, cabeça raspada, piercings e canos longos e cadarços vermelhos o encararam com um olhar de espanto. Sob a luz verde, pediu que raspassem o seu cabelo, porque ele não sabia mais quem era. No fim, com o chão cheio de cabelo, no topo da cabeça, revelou-se uma suástica vermelha tatuada, como se ele tivesse nascido com ela.

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