Minha doce criação
Saboya
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 19/10/19 20:05
Gênero(s): Crônica Drama Suspense
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 2min a 3min
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Palavras: 467
[Texto Divulgado] "Espelho" Querido espelho, meu reflexo, meu lado mais perverso... apenas seja o tudo, tudo o que eu quero que seja.
Livre para todos os públicos
Notas de Cabeçalho

A imagem não é de minha autoria, apenas encontrei no google imagens rs Depois de tanto tempo longe deste site, resolvi aparecer... Espero que apreciem.

Capítulo Único Minha doce criação

O som da tesoura soou pelo cômodo, aparando o cabelinho tão escuro feito de um nylon bem fino. O homem depositou o objeto pontiagudo sobre a mesa bagunçada e observou sua mais nova criação. O coração acelerou e as pupilas dilataram quase imediatamente na íris castanha. Ela ficara magnífica!

Tinha os olhos claríssimos com um tom de azul-perolado, polidos à mão por aquele que a criara. Um nariz pequeno e arrebitado enfeitava o rosto de porcelana por cima da boca delicada e avermelhada. Ela fora adornada com roupas dignas da realeza: um vestido branco de mangas bufantes e desenhos ramificados em prata. As mãos eram pequeninas e extremamente suaves.

Richard suspirou, acariciando os fios que formavam o cabelo da boneca. Fizera-a com cerca de um metro de altura e proporções tão humanas quanto possível. As pálpebras podiam fechar, seguidas de negros e espessos cílios, feitos de mesmo material do cabelo. Seus movimentos não eram limitados, pois o homem ruivo colocara articulações em seus cotovelos, joelhos, pulsos...

Pegou-a no colo; era leve como pluma. Apagou as luzes da oficina e saiu do recinto, deixando para trás todas as falhas tentativas de produzir a boneca perfeita. Algumas estavam inteiras, com cabelo, olhos, braços e pernas, mas que não haviam chegado à perfeição; e outras tinham parte do cabelo sem costurar, carecas, sem braços ou pernas e umas ainda jaziam nuas. Nenhuma fora sucedida em alcançar o ápice da beleza.

Enquanto subia as escadas para o quarto, matutava qual nome merecia ser dado a ela. Afundou o nariz nos fios enegrecidos, sentindo o leve aroma de lavanda que exalava do vestido e, então, soube que seria Hinata. Lugar ensolarado, ela seria seu lugar ensolarado, seu porto seguro.

Adentrou o quarto calmamente, caminhando pelo escuro para acender o abajur que ficava ao lado da cama. Ajeitou Hinata de forma cuidadosa entre os travesseiros e cobriu-a com o edredom; aquela era uma noite fria de inverno.

Tomou um banho quente e rápido e logo estava de volta ao quarto para fazer companhia a sua querida criação. Hinata, obviamente, continuava sentada como antes e mantinha os olhos sem vida em algum ponto da parede à frente. Deixou que seu olhar se perdesse no pequeno corpo de porcelana, suspirando lenta e profundamente ao mesmo tempo em que as batidas do coração aceleravam.

Rick secou os cabelos vermelhos e vestiu um pijama de flanela para, enfim, deitar-se ao lado de sua magnífica Hinata. Aconchegou-se a ela e adormeceu, desejando em seu âmago que sua doce criação fosse tão real quanto uma boneca de porcelana poderia ser.

Infelizmente, humanos não são perfeitos, mas naquela noite, Richard sonhou que sua amada era feita de pele e osso; que tinha um coração batendo em seu peito e que sua pele poderia ser quente como os raios de sol.

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Notas de Rodapé

Eu particularmente adoro o nome Hinata, embora a muitos possa remeter ao anime Naruto, ahahaha. Bom, ficou bem pequeno, mas é um dos contos que mais gostei de escrever.

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