împelițat (Em Andamento)
ancksunamunx
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Tipo: Romance ou Novela
Postado: 25/11/19 21:52
Qtd. de Capítulos: 1
Cap. Postado: 25/11/19 21:52
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 12min a 17min
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Palavras: 2050
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Livre para todos os públicos
împelițat
Notas de Cabeçalho

Bom gente, essa história foi postada aqui por mim há mais de um ano, com o nome de Love You to Death. Depois de muito pensar e reformar, eu decidi publicá-la agora com mais conteúdo, mais raízes. Espero que gostem!

Capítulo 1 Moç Maria

ATO I – A LIBERTAÇÃO.

CAPÍTULO I – MOÇ MARIA.

E se eu lhe dissesse que há um caminho para a imortalidade, viveríamos por toda a eternidade. Mas, seria a eternidade algo tão bom quanto é especulada? Durante anos, a ideia de ser um ser eterno pareou minha mente, sem me deixar descansar um segundo sequer. Talvez, você queira chamar isso de trauma familiar – uma vez que muitas pessoas de minha família morreram e, se você acredita em coincidências, a maior parte foi numa data extremamente próxima ao meu aniversário; o que fez com que meu avô dissesse que eu era uma maldição. Mas, toda maldição tem um início e devemos concordar que, se a maldição chegou à minha família com o meu nascimento, eu também sofri com ela.

Vamos ao que realmente interessa: a imortalidade e como eu a alcancei. O ciclo que foi seguido por mim talvez não agrade às pessoas que veem a imortalidade como uma das melhores formas de viver. Temos que entender que tudo tem um ciclo, mesmo quando se quer viver para sempre; e isso me faz questionar: temos essa sede pela imortalidade por amor à vida ou por temermos a morte? Podemos dizer que, a única certeza que temos na vida ser a morte coloca um certo limite em nossas cabeças, como se tudo fosse acabar quando morrêssemos e não restaria mais nada. Isso faz com que nós repudiemos a morte com todas as forças que temos, mas quando se tem a eternidade em mãos, a morte se transforma em um desejo longe de ser realizado. Minha imortalidade vem junto de um nome que eu nunca esquecerei: Stefani.

Eu a conheci um tempo depois do falecimento de minha tia, Elisabeta e, coincidentemente, meu aniversário. Minha tia foi, com certeza, a familiar mais próxima que eu tive. Minha mãe morreu no meu nascimento, meu pai diz que às vezes, a vida e a morte vêm juntas. Eu já estava estagnada da situação em que estive durante todos os meus dezenove anos, que nunca foram comemorados. Ver minha tia deitada no caixão de madeira, enquanto todos choravam me fazia pensar no quão diferentes as coisas seriam se ela fosse imortal, se todos os que se foram fossem. Minha relação com a morte naquela época não era a melhor, eu não a entendia. A mesma coisa acontecia com a possível Grande Força que nos cerca, eu a questionava todas as noites querendo saber o porquê de levar todos ao meu redor sem nenhuma explicação. E foi nesse dia, que meu avô convenceu meu pai a me levar para a Wallachia, ao convento Moș Maria, onde ele acreditava que tudo de mal que estivesse em mim seria levado para longe em nome do Espírito Santo. O convento era um lugar extremamente silencioso, nós podíamos falar apenas o necessário e as preces tinham que ser em sussurros. Mas, eu não vou mentir, o silêncio me agradava. Nos anúncios do convento eram lindos os textos escritos em caligrafia perfeita, com pequenos desenhos religiosos e promessas de santidade e garantia do paraíso. O que eles não contavam era a parte obscura da história, mas eu não os culpo pois ninguém nunca conta. Minha colega de quarto se chamava Stefani e pode-se dizer que ela tinha alguns problemas que faziam com que ela não conseguisse dormir. Alguns dos sussurros que eu ouvi diziam que ela estaria possuída, mas eu acredito que os problemas da pobre garota eram reflexos do que faziam com ela.

– Olá – eu disse entrando no pequeno quarto que dividiríamos. E lembro-me perfeitamente do olhar são que ela tentava transmitir. Os olhos castanhos claro me encaravam com desespero enquanto ela tirava os cabelos escuros do rosto e os colocava atrás das orelhas. – Está tudo bem? – falei enquanto me aproximava, seu olhar transbordava medo e era possível ver o suor em seu corpo devido à longa camisola que ela usava.

– O demônio não a deixa falar e, pelo visto, não a deixa usar as roupas adequadas para o convento – disse a irmã Soare, segurando-me pelo braço. – Arrume seus pertences vá até o salão principal, Stefani lhe mostrará o caminho, certo? – perguntou olhando para a jovem que se levantara da cama e acenara repetidas vezes.

Soare era uma das freiras principais do convento, responsável pela entrada das noviças. Eu nunca a vira com os cabelos soltos, os mesmos sempre estavam cobertos pelo chapéu do hábito mas, a julgar pelas sobrancelhas, ela deveria ser morena; com grandes olhos cor de mel que transmitiam um julgamento a cada relance. Era de poucas palavras, não gostava de conversar com ninguém e passava quase o dia todo em sua sala analisando e direcionando os perfis das noviças que entrariam no Moș Maria.

Já Stefani fora gentil comigo desde o primeiro segundo em que eu a conheci. Me ajudou a vestir o hábito com as mãos trêmulas, que foi uma das minhas maiores dificuldades e era incrível como eu não conseguia ver demônio nenhum naquela simples menina. Nós fomos até o Grande Salão naquele dia e aquilo virou uma rotina, tínhamos que estar lá para realizar as rezas para Deus e seus Santos. Mas o que mais me recordo naquele dia foi da “conversa” que tive com Stefani à noite. Era complicado conversar num lugar extremamente silencioso e tínhamos problemas também com o fato de que a irmã Soare checava todos os dormitórios de uma em uma hora até as 21h e depois havia um guarda que fazia esse serviço para ela. Perguntei à garota se havia algum modo para que pudéssemos nos comunicar e ela retirou um pequeno caderno debaixo de seu colchão com um pedaço de giz preto de cera.

– O que aconteceu com você? – eu perguntei me sentando em sua cama e franzindo o meu cenho enquanto arrumava a longa camisola que me fora dada para dormir. Ela apenas balançou os ombros num gesto que dizia que ela não sabia o que havia acontecido. – Nunca conseguiu falar? – ela negou. – Não há nenhum demônio, não é? – o gesto com os ombros se repetiu. – Por que eles checam os quartos de uma em uma hora?

Estamos na ala dos ímpios.” – respondeu ela no pequeno caderno.

Muita coisa fez sentido depois daquela informação, naquele momento, tudo era estupidamente óbvio. Eu era uma maldição e Stefani era possuída por algum demônio, não havia outro lugar para nós. Os quartos eram checados para terem certeza de que os ímpios não fizessem nada de mal para ninguém. A pobre garota que apenas era muda desenvolveu crises estranhas após os rituais de exorcismo que eles praticavam com ela.

Um ano se passou, junto com ele houve várias desavenças de minha parte com a irmã Soare em relação às medidas que eram tomadas com Stefani. Ela piorava a cada dia, dizia ter crises estranhas onde chegava a perder os sentidos. E tais desavenças fizeram com que ela me mudasse de dormitório e me colocasse já fora da ala dos ímpios. Eu passei sete meses junto dela e tudo o que aprendi fora incrível. Talvez, eu possa dizer que a amei tal como amei minha tia Elisabeta. Todos os dias eu descia até a ala dos ímpios, usando a desculpa de que eu queria orar por todos os que estavam ali em sofrimento, e deixava bilhetes para ela, perguntando como estavam as coisas e se os tratamentos brutais haviam se sessado.

– Talvez, tudo o que ela precise seja um doutor – eu disse no dia em que consegui conversar com a irmã Georgeta, que era extremamente próxima da irmã Soare, uma freira jovem que possuía uma feição extremamente serena. – Ela só não fala, não há um demônio nisso, talvez com ajuda médica ela apresente algum progresso, não acha, irmã?

– Para ser sincera, irmã, eu nunca entendi o que ocorre com a pobre garota. A única coisa que a irmã Soare fala é que ela é desse jeito pois é o fruto de um pecado... provavelmente sua mãe teve relações íntimas antes do casamento ou coisa do tipo.

– Irmã Georgeta, há tantas coisas erradas para serem colocadas como um pecado, por que nós mulheres usamos nossa intimidade para nos condenar? – perguntei franzindo o cenho. – Não acha um pecado deixar a pobre garota trancada num quarto na maior parte de seu dia e praticarem rituais de exorcismo sem terem um laudo médico?

– Está dizendo que a voz do homem deve ser ouvida antes da voz de Deus? – me perguntou arregalando os olhos. – Está na bíblia, irmã Odile. Não discuta mais sobre isso – disse e se levantou. – Pare de chorar e se importar com o modo que tratamos Stefani, é para o bem dela.

– Eu vou lutar pela justiça por ela, irmã. Temos que lutar por quem amamos, então, eu tenho lutado e irei lutar, eu tenho chorado e eu até morrerei por me importar.

Duas semanas depois eu desci até a ala dos ímpios e escrevi para Stefani, mas assim que peguei seu bilhete o guarda disse que a irmã Soare procurava por mim e isso fez com que eu guardasse o pequeno papel comigo até o final do dia. Após a missa das 19h, enquanto andava para meu dormitório, escutei a irmã Dominique correr até mim e sussurrar que no dia seguinte teríamos o enterro de Stefani, que não resistira a mais uma tentativa de exorcismo. E foi ali que eu me culpei por não poder fazer mais nada, as irmãs Georgeta e Soare haviam me prometido que chamariam um médico caso ela não melhorasse, em vão. Naquele dia não houve jantar para mim, não houve mais nada. Eu apenas entrei no quarto e peguei o pequeno bilhete que me havia sido entregue mais cedo.

Espero que esteja tudo bem com você e que os banhos de sal que Soare estava lhe dando diariamente tenham acabado. Hoje eu acordei melhor, não tive nada durante a noite e consegui dormir tranquila. Mas estou triste porque cortaram meu cabelo como penitencia por derrubar a estátua de Nossa Senhora ontem, foi um acidente pois eu estava subindo as escadas para ir até o Grande Salão e caí, batendo meu braço nela, ele até ficou um pouco roxo. Também sinto sua falta, mas acredito que vamos nos ver logo, a irmã Georgeta disse que, por ter dormido sem fazer barulhos hoje, talvez eu saia da ala dos ímpios mais rápido do que eu imagino. Amanhã eu irei ver se consigo lhe escrever um poema como presente de aniversário, caso eu não lhe vejo amanhã lhe entrego depois. Feliz aniversário, Odile!!

Com amor, Stefani.”

O bilhete de Stefani foi guardado por mim com muito carinho. No dia seguinte, eu fingi ir no sepultamento mas aquilo não era de meu interesse; não queria vê-la magra e com a aparência sofrida que ela se encontrava, até porque ela não estava mais ali. Sempre soube que minha ligação com ela era algo muito além do físico. Havia um sofrimento em minha alma, e eu passei a acreditar que eu realmente era uma maldição. Pois amei minha tia e Stefani com a mesma intensidade e as duas se foram, uma após a outra, ambas em uma data que deveria ser feliz para mim. E mais uma vez eu me peguei pensando na imortalidade, no quão as coisas seriam diferentes se elas fossem eternas ou se eu fosse junto com elas.

Por sorte, ninguém me viu andando até a fonte localizada no fundo o convento. Decidiram sepultá-la depois da missa das 19h, o que me foi confortável pois eu sempre me senti mais a vontade sob a luz de prata da lua. Eu estava sentada na beira, com meus pés quase sendo congelados pela água gelada da fonte. Eu pedi para Georgeta que me deixasse ir até o quarto de Stefani e consegui pegar o pequeno caderno que ela deixava embaixo do colchão. Foi naquele momento em que eu me permiti chorar tudo o que eu não havia chorado ainda, eu chorei por Elisabeta, chorei por Stefani e me permiti chorar até por mim. Mas dentro de meu coração eu sabia que eu havia as amado até a morte e além.

– Odile! O que está fazendo aí? – perguntou a irmã Dominique. – O irmão de Stefani está aqui e disse que quer falar com você.

E agora entramos em uma parte muito importante de minha história: Dragos.

❖❖❖
Notas de Rodapé

Espero que tenham gostado!

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