Uma carta ao [meu] pequeno príncipe (Terminado)
Cria de Minerva
Usuários Acompanhando Nenhum usuário acompanhando.
Tipo: Antologia Poética
Postado: 06/02/20 19:01
Editado: 06/02/20 20:06
Qtd. de Capítulos: 2
Cap. Postado: 06/02/20 19:55
Cap. Editado: 06/02/20 20:06
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 6min a 8min
Apreciadores: 0
Comentários: 0
Total de Visualizações: 37
Usuários que Visualizaram: 1
Palavras: 1065
[Texto Divulgado] "Querida Ansiedade" Olá, eu sou a pessoa que, às vezes, você prejudica. Então, estou escrevendo essa carta para deixar claro uns assuntos.
Livre para todos os públicos
Uma carta ao [meu] pequeno príncipe
Capítulo 2 O retorno das estrelas

Eu já havia perdido as esperanças de que meu viajante regressasse à terra, há dias eu não via o sol, não enxergava as estrelas. Como eu poderia olhar para elas se você sentenciou à elas os seus olhos? Mas tudo bem, não importa. Um dia você me disse que todas as crianças grandes já foram criança um dia- mas poucas se lembram disso. Então o que pude fazer foi me apegar a lembrança dessa frase, nutrindo a criança que existia em mim para aproveitar a vida.

Contudo, os dias foram passando e a criança se tornou uma bela pirracenta, que apenas gostaria de retornar ao seu colo. Como explicar à ela que você estava longe? Que retornará aonde sempre pertenceu, embora eu não soubesse bem como chegar lá. Tentei explica-la, assim como você me disse, que é preciso suportar duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas, mas sentia que mentia não só para ela, mas também, pra mim mesma. As últimas borboletas que encontrei, estavam no meu estômago. E só retornavam quando estava com você. Acho que graças ao seu doce natural, era mais agradável para elas do que eu, já que desde que você partiu, elas nunca mais voltaram a passear por aqui.

Até que um belo dia, tomei coragem para encarar as estrelas novamente. E senti uma felicidade estupenda em notar que permaneciam no mesmo lugar, diferente do meu coração. A criança dentro de mim, se alegrou com a coragem que obtive e aceitou aquilo como uma lembrança fervorosa de você. Dia pós dia eu retornava onde nos encontramos da última vez, no poço, onde você cessou minha sede com seus beijos. Decidi observar as estrelas ali, não faria mal um pouco de nostalgia. E quando isso já tinha virado rotina, uma nova estrela apareceu, mas ela parecia estar se movendo rápido, se aproximando cada vez mais de mim. E, por incrível que pareça, não senti medo algum, somente esperei para perguntar à uma de minhas velhas amigas o que ela precisava. Imagine minha surpresa ao perceber que eram um par de estrelas, os mais lindos e negros que já vi. Acompanhado de uma risada que faz qualquer árvore farfalhar, um cabelo tão loiro e quente como o céu. Eu mal pude acreditar que você retornou, que novamente poderia sentir todo o seu calor. E você cumpriu sua promessa, trouxe as mais váriadas estrelas que eu gostaria de conhecer, trouxe momentos brilhantes e calorosos. Mas, entre todos os presentes, o que mais gostei, foi a rosa. Uma rosa belíssima, porém reclamona. Toda vez que eu a segurava, ela respondia com espinhos, a rosa me machucava, sim. Mas era bela.

Entretanto, você se tornou distante. Eu não entendi e pensei que pudesse ser a cobra que rondeia aquele poço, que ela estivesse novamente insistindo para que você partisse. Cheguei até pensar que o rei que encontrou durante sua viagem possuisse alguma influência sobre você, que tinha começado a pensar como ele "que o mundo é muito simples, todos os homens são súditos". Deveria ter me lembrado de mais um de seus ensinamentos, é mais fácil julgar os outros do que a sí mesmo. E julguei você, nunca obtive um julgamento próprio. Porém, ao final do dia, você realmente obtinha motivos. Era, novamente, a hora de partir. E foi assim que aprendi, sou eternamente responsável por aquilo que cativo. Mas jamais serei dona, jamais terei certeza de o quanto minhas plantas irão crescer, por qual o caminho meus passáros decidirão voar. E tudo bem.

Portanto, aceito que precises voar. É preciso exigir de cada um o que pode dar, não posso pedir algo que nunca esteve disposto a fazer. Não posso pedir para que fiques quando desejas partir. Seus presentes continuam comigo, guardados. Menos as estrelas, acho que elas se alimentavam do brilho natural dos seus olhos pois, assim que partiu, elas também se foram, pouco a pouco. Ansiei jogar tudo fora, mas não posso, jamais pude. Seriam passos que não estou pronta à dar. Quando a gente anda sempre em frente, não pode ir muito longe, de qualquer forma. Acho que dar uns passos pra trás não fará mal. E mesmo que eu jogasse qualquer resquício do meu querido viajante fora, o essencial é invisível aos olhos, e só se vê bem com o coração. Mesmo que os presentes estivessem no lixo, meu coração ainda conseguiria vê-los em qualquer lugar.

Ainda me sento ao lado do poço, aguardando que volte. Se és um viajante, percorrerá todo universo, mas precisarás retornar ao local do crime, onde assassinou meu amor e um futuro de expectativas. Encontrei muitas cobras, algumas dizendo para te acompanhar na viagem, outras dizendo para que eu pule do poço e algumas que até recomendam para que eu esqueça você. Conseguiram me confundir, sorte a minha que a raposa me amparou. Uma verdadeira amiga que, apesar dos pesares, jamais me julgou. Em retribuição, jamais esquecerei dos seus pelos ruivos e seu focinho arrebitado. Sim, eu sei. Era um raposa igual a cem mil outras, mas eu fiz dela uma amiga. E agora era única no mundo. Ela me lembrou de coisas muito bonitas, me disse que o que nos salva é dar um passo e outro ainda, desde que as escolhas sejam minhas. E, também, me disse que conheço bem tudo aquilo que cativo. Isso me fez pensar que cativei você, não o prendi, mas o conheço bem. Assim, como cativei a rosa que me deu. Entendi que ela precisava de espaço, por isso, não mais a apertei, a deixei em um vaso bem bonito, onde todos a pudessem ver e elogiar (ela era bem vaidosa, sabe.) Não permiti que nenhum inseto a incomodasse, nenhum ser rastejante. E ela me agradeceu imensamente, jamais voltou a reclamar e eu nunca mais a pressionei contra as mãos.

Mas acho, que a esse ponto da narrativa, já te cativei bastante para que me conheças. E acredito que saiba muito bem que, no fundo, aguardo ansiosamente que meu pequeno viajante, que meu pequeno príncipe, tenha ido buscar mais estrelas para mim. E você está certo. Meu único pedido é para que, dessa vez, faça um estoque. Dessa forma, não será necessário retornar tantas vezes. Ei, não me julgues. Quando cativamos alguém e esse alguém nos cativa, nós criamos necessidade do outro. Contudo, a gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixa cativar.

❖❖❖
Apreciadores (0) Nenhum usuário apreciou este texto ainda.
Comentários (0) Ninguém comentou este texto ainda. Seja o primeiro a deixar um comentário!

Outras obras de Cria de Minerva

Outras obras do gênero Drama

Outras obras do gênero Fantasia

Outras obras do gênero Romântico