Em tempos de Corona
Scheffer
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 03/04/20 18:38
Editado: 05/04/20 16:47
Gênero(s): Crítica Reflexivo
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 4min a 5min
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Capítulo Único Em tempos de Corona

Talvez pensar nos últimos acontecimentos culmine em uma reflexão que nos mostre o quanto fizemos sentido na temporalidade (e sim, nesse caso estou me familiarizando com Heidegger). Apesar da proposta do texto não ter uma perspectiva, digamos que, em primeiro plano ontológica (particular do ser); ela nos remete a algumas demonstrações de um comportamento, talvez, tendencioso da humanidade. É na temporalidade que é possível reconhecer o passado e compreender o nosso horizonte de possibilidades futuras. É nela que podemos ter a noção do acontecido e projetar um futuro melhor. No entanto, o fato é que, apesar de reconhecer uma única evolução, a tecnológica, ainda me parece que, como ser, recorremos a semelhantes incorreções.

Desde menores escalas, como é o exemplo da Boate Kiss, às pandemias mundiais, seria uma condição natural a negligência de pequenos indícios de que algo pode dar muito errado? E o que, talvez, é pior: há um mecanismo recorrente, mas, não regra, que primeiro nega a realidade dos fatos, em segundo inferioriza e por terceiro se arrepende, quando não, tarde demais. E isso, não diz respeito apenas às pandemias; podemos recordar o presente debate a respeito das mudanças climáticas e de que forma estamos a cada dia mais esgotando o planeta com desculpas (sim, de forma negligente até o ponto de uma nova catástrofe).

É interessante analisar a possibilidade de mudanças quando há um risco iminente do que para nós é mais precioso (a vida). E não quero colocar tal proposição como um erro, mas, gostaria de fazer pensar, também, em como podemos diagnosticar as pequenas negligências de nossa rotina, que irão acumular para prováveis irremediáveis situações, e muda-las! Olhares atentos para um fenômeno que parece desvelar a natureza humana e mostrar as nossas reais importâncias.

Apesar das relações econômicas, teoricamente, ainda pesarem em medidas drásticas e talvez mais efetivas como teria sido o caso de fechar as fronteiras (todas elas) e como está sendo o caso de ficar em casa; talvez, os acontecimentos relacionados a um ser microscópico (aqui me refiro ao vírus) possa nos despertar de um ciclo inserido em superficialidades: ademais, o que é a marca de uma roupa quando o mais importante passa a ser o nosso pijama confortável?

Eis um momento possível para se refletir também na influência dos nossos governantes ou até mesmo na importância de selecionar líderes com virtudes essenciais que se relacionem à coragem, acuidade e resiliência. Pergunte para si se você fecharia o seu comércio, indústria ou deixaria de ir trabalhar se tivesse a liberdade de escolha. Pergunte às pessoas se elas entregariam a sua rotina por uma ameaça “cega” que parece nunca chegar. Obviamente não tenho essas respostas, no entanto, é digno de nota a iniciativa, de alguns, em acreditar na ciência dos dados e aprender com casos recentes de que não há infraestrutura suficiente, nem tecnologia para conter a disseminação do vírus sem drástica interferência financeira (observações com base no cenário brasileiro); note como está sendo possível, mesmo que, bastante discutível pesar o fator econômico e a vida das pessoas; nós paramos, pois, alguns de nossos governantes entenderam que não parar significa financiar a morte em um número crescente de seres humanos (ao menos eu não consigo ver de outro modo).

Ainda recordando Heidegger, o reconhecimento de que o ser humano se encaminha para a morte (seja amanhã ou daqui a cem anos) é o que o motiva, teoricamente, a buscar um sentido à vida. É justamente nisso que a projeção futura conjuntamente com a ideia de finitude influencia as nossas ações presentes. Apesar do medo, talvez, seja esse justamente o momento para repensar as nossas significâncias, afinal, o que realmente importa?

Para concluir, seria praticamente impossível elaborar um texto com as mais variadas problemáticas sem recordar da ciência, sem observar a destreza e a racionalidade humana se tornando a nossa maior esperança. Além disso, com os últimos acontecimentos, ressuscitei a crença de que os heróis existem: são aqueles que estão colocando a sua própria vida em risco para salvar a todos nós!

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Notas de Rodapé

Caro leitor, aqui peço desculpas pela falta de coesão do texto, mas espero que, apesar disso, possa ter servido como reflexão.

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