KATE SLATT
LAVENDER
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 03/08/20 20:00
Editado: 03/08/20 20:04
Gênero(s): Mistério
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 6min a 8min
Apreciadores: 3
Comentários: 3
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Palavras: 962
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Livre para todos os públicos
Capítulo Único KATE SLATT

Eu tinha acabado de me formar no colégio, e o que vou contar é verdade, não algo que a gente sonha e começa a confundir com a realidade depois de alguns anos. Era 2018, e eu tinha acabado de me formar no colégio. Eu já tinha escrito vários textos aqui na Academia. Como vocês podem ver no meu perfil, minha conta data do ano de 2016 de agosto, dia nove, então daqui a alguns dias vai fazer quatro anos, não consigo acreditar, parece que foi ontem que postei meu primeiro conto, pois me lembro de cada detalhe do dia. A maioria do que postei aqui são contos, mas esse em particular é mais uma carta para quem já leu algo meu. Enfim, todas as memórias e sentimentos que eu tenho daqui são muito boas, e sempre que volto aqui, mais velho claro, é como se encontrasse o meu eu mais novo.

Enfim, o que vou falar é verdade. Quando me formei em 2018, foi na segunda escola que já estudei. A primeira fica em outra cidade que eu e meus pais saímos quando eu tinha por volta de sete anos, hoje tenho dezenove. Quando comecei a postar textos aqui, eu tinha quinze, pensar nisso me deixa nostálgico. Enfim, depois que me formei em 2018 na segunda escola que já estudei, resolvi ir visitar a primeira escola que estudei, que ficava em outra cidade. Eu fui sozinho, de trem, sem meus pais saberem. Foi em um dia comum da semana, numa quinta-feira, nas férias de verão, portanto a escola não estaria aberta, mas tava tudo bem, eu nunca quis entrar na escola, só queria encará-la de frente por alguns minutos e esperar que alguma memória antiga retornasse. Eu não planejava ficar muito lá, no máximo uma hora. Falei pros meus pais que ia na casa de um amigo e fui pegar o trem. A cidade não era longe, então a viagem durou mais ou menos vinte minutos. A cidade era pequena, então a estação ficava bem perto da minha primeira escola, que foi pra onde fui. Passei por alguns lugares que estavam exatamente iguais a como estavam quando eu era pequeno, e eu adorei, pois me senti um viajante do tempo que tinha retornado a própria infância. Porém, quando cheguei à frente da escola, ela estava completamente diferente, o que me frustrou muito. Os muros que eram cheios de desenhos coloridos dos alunos, tinham sido limpos, e o portão irreconhecivel. O nome dela tinha mudado para uma série de letras que não faziam sentindo uma na frente da outra. Era claramente uma abreviação do nome original, mas continuava sem sentido. Ver aquilo me entristeceu demais, estava parecendo um quartel militar. Foi depois dessa constatação que entendi que meu passeio havia sido arruinado, mas o dia estava muito bonito pra eu simplesmente pegar o trem de volta, ainda era muito cedo. Foi quando tive a ideia de revisitar minha antiga casa.

Tive que atravessar algumas ruas e subir várias lombadas. Passei por umas casas que tenho quase certeza que eram de antigos colegas meus, que provavelmente nunca se mudaram de lá e passaram seus primeiros anos de vida nessa cidade pequena. Eu sinceramente tenho inveja deles. Quando cheguei à minha antiga casa, a parte de fora parecia igual, o que me deixou feliz. Era como se eu nunca tivesse saído de lá. A casa era grande, talvez a maior da cidade, com um grande pátio no qual eu vivia correndo com meus primos, uma piscina, e dois gigantes andares de piso, e a parte de trás que era praticamente outro pátio, só que de pedra. Eu juro que tudo isso é verdade, pode crer, juro por tudo. Enquanto eu encarava a casa pela grade, uma garota nua, com apenas fita isolante tapando os mamilos e a vagina, abriu a porta da frente e ficou me olhando. Eu fiquei sem entender nada, até ela vir na minha direção e parar na minha frente. Ficamos nos olhando separados pela grade. Ela perguntou quem eu era, e respondi que já tinha morado ali. Aquilo tudo foi muito estranho, e de repente ela me convidou para entrar. O nome dela era Mariana, e ela morava ali com a sua irmã gêmea Fernanda, que também estava usando apenas fitas isolantes quando a conheci. Eu me apresentei para que elas se apresentassem pra mim. As duas eram gêmeas idênticas e tinham acabado de se mudar pra aquela casa. Fernanda disse que as duas moravam sozinhas, mesmo sendo tão novas. Enquanto conversávamos, notei que a parte de dentro da casa também parecia exatamente do jeito que eu lembrava.

Não quero entrar em muitos detalhes, porque esse texto já está ficando mais longo que eu esperava, mas o que quero dizer é, até hoje não esqueci o rosto delas, e é horrível. Mas o que me intriga mais é o sentimento de que eu as conhecia de algum outro lugar. Na verdade, é como se elas fossem um lugar que eu já estive antes, como a minha antiga casa. Elas realmente eram idênticas, tipo, não só de rosto, mas em todas as medidas do corpo. Lembro que quanto eu mais observava elas, mais macabro ficava, por isso fui embora, se não eu teria enlouquecido. Desde esse dia, criei uma paranoia em relação à coisas que são extremamente parecidas com outras coisas, sabe, ou coisas que permanecem iguais por muito tempo também. Isso me assusta demais hoje. O nome do texto é Kate Slatt porque dei esse nome para essa síndrome: Síndrome de Kate Slatt, achei legal. Queria perguntar pra vocês se conhecem alguém com esse problema, ou sou só eu? Eu sou o único? Não tem ninguém parecido comigo? No fundo, eu desejo que não, se não eu ficaria mais maluco ainda.

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Apreciadores (3)
Comentários (3)
Postado 03/08/20 21:43

Nathan, você vai me matar, eu tenho certeza disso!!!! E que me mate, não me importo. Seus textos explodem minha mente em mil pedaços!!!!!!!!!!!!

É surpreendente como você consegue prender a atenção do leitor logo no começo do texto, jogando diante dele uma questão, sendo que você vai trabalhar outra. A narração deste texto me lembrou muito a de Lolita do Vladimir Nabokov (não em questão de conteúdo, certamente, afinal são narrativas distintas), pois em ambas o leitor se depara com o que nós das letras chamados de narrador não confiável. Caracterizado por escrever em primeira pessoa, este tipo de narrador apresenta um relato no qual somente ele é testemunha; geralmente trata-se de questões polêmicas ou não possíveis. O mais importante de tudo: a retórica deste tipo de narrador é impecável.

ENFIM! Digo tudo isso, pois, em diversos momentos da leitura, me deparei sendo convencida de que a situação toda é real. Você apresenta fatos, datas e argumentos. Tudo é direcionado para a sua perspectiva, então quando o final chega, PUF! Somos surpreendidos e já não sabemos mais o que é verdade e o que é ficção. Sinto que você nos jogou em um paradoxo sombrio kkkkkkk

Respondendo a sua pergunta: não conheço ninguém com esse "problema", mas depois da experiência de leitura, não me surpreenderia se todos os leitores desenvolvessem ele kkkkk

Caramba, esse texto foi uma aventura maravilhosa e misteriosa e duvidosa! Mil vezes obrigada!

Parabéns, Nathan ♥ Sua presença por aqui é um colírio para os meus olhos castanhos.

Postado 04/08/20 02:26

Sr Nathan, seus textos são, com todo o perdão e exatidão das palavras, FODAS DEMAIS! Eu realmente quero crer que tudo isso é real, mesmo que signifique que o senhor esteja traumatizado pelo resto da vida por conta disso, pois esta obra transmite uma veracidade e estranheza MONSTRUOSAS ! E gerar sensações tão fortes em nós é algo incrível e digno de elogios!

Excelente texto/relato! Como sempre, o senhor não le decepcionou! E duvido que consiga fazê-lo!

Atenciosamente,

Um ser que imaginou a coisa toda perdendo as tiras de fita isolante e descambando para o sublime/grotesco, Diablair.

Postado 04/08/20 11:17 Editado 04/08/20 11:18

Sr Diablair, seus comentarios ME LEVANTAM DA TUMBA, mórbido como um passarinho. Muito obrigado pelo comentário, é uma graça ler a sua visão, eu fico infinitamente feliz, e admito que talvez seja vaidade da minha parte mas eu nao me importo hahahahah, e pode ficar tranquilo, tudo o que leu você aconteceu DE VERDADE

obrigado por abrir seus sentimentos

Postado 18/08/20 19:07

Uau, eu estou completamente impressionada com essa história!!

Sr. Nathan, você escreve maravilhosamente bem!!

Eu adorei completamente toda a narrativa!! E admito que fiquei com muita vontade de, daqui alguns anos, ir visitar minha antiga casa!!

Prefiro realmente acreditar que isso é real, pois para mim pareceu realmente natural, e eu adorei tudo como tal.

Abraços!!!