Companhia Mortal
Sabrina Ternura
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 30/10/20 03:42
Editado: 30/10/20 03:46
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 2min a 3min
Apreciadores: 3
Comentários: 3
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Palavras: 364
[Texto Divulgado] "Iminnar" Tudo o que ela precisa é completar o treinamento e se provar, para si mesma e o fantástico mundo que lhe cerca.
Não recomendado para menores de dezoito anos
Notas de Cabeçalho

[Sfida Musicale II: 13 - Uma música sobre morte]

"Rest now, your heart

It's all right

We're all right

Although you're gone

I'll be here to hold you

I've got you"

(I Hold You - CLANN)

Capítulo Único Companhia Mortal

Sentada no chão, a pequena criança observa uma mulher vestida de branco flutuar acima da cadeira. Ela havia acordado naquele lugar estranho e encontrou aquela imagem curiosa diante de seus olhos. O corpo da mulher girava lentamente, enquanto a menina balançava a cabeça da esquerda para a direita, tentando manter seu corpo ativo perante aquilo que estava diante de seus olhos. Certamente ela não entendia — tal descoberta só aconteceria aos dez anos, cinco anos depois desse acontecimento —, por isso, ela se levantou e começou a girar em volta da mulher, enquanto falava:

— Como é que você prendeu o pescoço aí em cima? — A menininha puxa a barra do vestido da mulher, notando que a mesma se encontra com os olhos fechados. — Oh, desculpa, viu, dona moça... Não sabia que você estava dormindo… A mamãe diz que uma música de mimir tira os pesadelos. Vou cantar para você…

E a menininha, desentendida, passa a dançar lentamente em torno da mulher pendurada por uma corda, cantarolando “la la la Luce”.

Subitamente, a porta do quarto se abre. A garota se assusta.

— LUCE! Graças a Deus você está bem! — A mãe da menininha corre na direção da mesma, abraçando-a. O pai dela entra logo em seguida.

Vários policiais se aglomeram no local. Luce, surpresa, pergunta:

— Por que tanta polícia?

— Ah, Luce! Nós avisamos que você não pode falar com estranhos. Olha só o que aconteceu! — Repreendeu o pai, com lágrimas nos olhos.

Luce arqueou as sobrancelhas e respondeu:

— Mas a moça me colocou para dormir e ela dormiu lá em cima. Não teve maldade! — Ela aponta para a mulher vestida de branco pendurada.

A mãe solta um grito de horror. O pai abraça ambas com força. Luce ouve um policial dizer em seu rádio:

— A garota foi encontrada, mas a mulher está morta. Sim… Ela cometeu suicídio na frente da criança…

Luce agora estava no colo de seu pai, sendo conduzida para fora do quarto. Sem ter tempo de perguntar ao pai o que era suicídio, a menininha acenou em direção ao corpo da mulher, porque, sentada na cadeira, estava a mulher do pescoço torto, acenando de volta para ela e dizendo:

Obrigada por me fazer companhia.

❖❖❖
Apreciadores (3)
Comentários (3)
Postado 30/10/20 10:31

Ora, o que temos aqui... Se me permite farei uma interpretação do microconto. Sendo essa sua intenção ao escrever ou não, captei algo como a morte da inocência. Sendo a mesma representada pela mulher enforcada, pelo fato de estar vestindo branco, cuja cor dizem representar a inocência. E com ela a menina, que não entende o que acontece e enxerga tudo como algo normal, coisa que irá mudar quando ela amadurecer e perceber o real significado daquele acontecimento. Quando ela perceber que tais toques, tais atos libidinosos, não eram parte de uma brincadeira e sim um abuso.

Sei que não há nada realmente indicando isso, mas enxerguei tal mensagem.

Isso, aos meus olhos, enriqueceu o texto. Sendo ou não intencional, consegui absorver algo que ultrapassa a narrativa concreta.

Agora, não sei se houve uma intenção maior que contar uma história. Se houve eu adoraria saber.

Bem, foi isso. Realmente um excelente conto. Adoro ler e absorver algo do que li.

Postado 31/10/20 17:27

A intenção era falar sobre a inocência infantil acerca da morte mesmo. Mas obrigada por compartilhar sua perspectiva.

Obrigada pela presença e comentário ♥

Postado 02/11/20 21:28 Editado 02/11/20 21:29

Senhorita Sabrina, que obra mais incrível e magnífica temos aqui!!

Eu pude ir sentindo a tensão crescer a cada linha, e foi um sentimento horrível pela pobre menininha...

Eu acho muito triste ver e inocência infantil sobre a morte, não sei, me deixa com um sentimento muito melancólico, como se o mundo estivesse perdido. Sei que é loucura da minha parte, mas não sei porque sinto desse modo...

Eu gostei muito desse texto, o desespero dos pais é palpável e angustiante, o que me fez ficar muito impactada com a leitura!

E no final quando a mulher agradece pela companhia... Socorro, eu quase dei um grito aqui, isso foi genial demais!!

Parabéns por sua mente tão criativa <3

Abracinhos para a senhorita <3

Postado 03/11/20 11:59

Bem forte... Interessante a inocência da pequena diante de tal cena. A pureza das crianças torna até um momento tão brutal como este um pouco mais leve considerando esse ponto de vista. Uma cruel verdade que ela só entenderia anos depois. Sua descrição foi perfeitamente equilibrada. Parabéns pelo texto. <3

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