O Desígnio da Deusa (Em Andamento)
True Diablair
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Tipo: Romance ou Novela
Postado: 11/11/20 00:26
Editado: 13/06/22 00:44
Qtd. de Capítulos: 16
Cap. Postado: 11/11/20 00:26
Cap. Editado: 27/10/21 23:30
Avaliação: 9.99
Tempo de Leitura: 7min a 10min
Apreciadores: 6
Comentários: 5
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Palavras: 1230
[Texto Divulgado] ""
Não recomendado para menores de dezoito anos
O Desígnio da Deusa
Notas de Cabeçalho

Saudações.

Esta é a minha singela, todavia nefasta contribuição à mitologia criada pela Srta Brina, que gentilmente me concedeu permissão e confiou plenamente em mim para fazê-lo.

Diferente das outras obras abordando tais personagens e mundo, esta terá um tom bem mais sombrio e, quiçá, violento/maligno. Desde já peço desculpas por isso, mas é o meu modo de ver e fazer as coisas.

Música Tema/Inspiracional do capítulo: Sweet Dreams - Myuuji

Ps: esta obra se passa alguns anos antes dos acontecimentos épicos ocorridos em Garraduende (de autoria da própria Divina Brina).

Espero de coração que possam apreciar tal leitura.

Ato I Hora Derradeira

A famigerada Mansão Infernal havia tido um dia mais que especial: naquela data, Ternura havia completado seis anos de uma vida plena e feliz. Houve uma festa muito bonita, com direito a um incêndio de artifício providenciado por Diablair, para o deleite da pequenina aniversariante e toda a sua familía. O Soberano Iníquo até chegou a usar o chapéu de caubói de Ternura e gritar um "irrá" quando ganhou seu pedaço da guloseima, o que fez até mesmo a Tristeza gargalhar com tão inusitado fato. Ele inclusive surpreendeu a todos quando executou com perfeição a Valsa das Dez Lâminas com Tortura e a Imperatriz, algo totalmente inesperado já que ele literalmente adentrou na coreografia tão logo ela foi iniciada.

E após o fim da festa, arrumação da casa e todos irem para seus devidos aposentos (exceto Imperatriz e Tortura, que saíram "escondidas" para uma missão secreta de assassinato), Sarah e Diablair consumaram sua união de um modo ainda mais afetuoso e intenso por cerca de cinco horas, em uma entrega plena um ao outro. Agora, a bela mulher estava adormecida sobre o peitoral um tanto massivo de seu amado, com um suave sorriso nos lábios. O homem afagava a cabeleira púrpura dela, aspirando levemente o delicado perfume que ela exalava. Com cuidado, ele moveu o corpo de modo a sair da cama sem despertá-la, porém ouviu a frase "fica comigo" sussurrada por sua ainda adormecida, porém desejosa esposa.

- É tudo o que mais quero, minha Sacerdotiza Sombria... - sussurrou Diablair em resposta, tocando de leve os lábios de Sarah e acariciando seu rosto. - Mas, preciso fazer algo antes.

- Hmm...? Tá bom... Mas volta logo... - respondeu com um misto gracioso de manha e malícia enquanto se ajeitava nos lençóis de seda Infenalli.

Diablair ficou parado por alguns momentos, observando e admirando sua esposa... Ela era simplesmente perfeita para ele em tantos aspectos que muitas vezes ele sequer acreditava que ela existisse. Tantas lembranças e emoções permeavam seu íntimo que um grato sorriso surgiu nos seus lábios grossos dele. E, ainda assim, agora ele tinha que tomar uma decisão que poderia por toda aquela felicidade a perder. Tomar, não: manter. E ele decidiu seguir em frente, após fechar os olhos e dizer em um tom quase inaudível "Creio que você esqueceu que dia é hoje, Sarah... E quero acreditar que foi melhor assim".

Dito isso, Diablair emitiu um feitiço simples e instantâneo de higienização corporal, colocou suas roupas e se dirigiu à saída do quarto sem olhar para trás. A lentos passos, rumou para o quarto de Ternura, que de longe era o ambiente mais fofo e delicado de toda a residência. Ele avançou com cuidado para não pisar ou esbarrar em algum brinquedos, puffs e toda sorte de itens que invocavam a essência da garotinha que ali dormia em sua enorme cama feita de um material macio e gelatinoso que assumia a forma que ela quisesse. Ternura estava de barriga para cima, com seus braços e pernas esticados e havia dormido de pijama e com chapéu de caubói cobrindo o rostinho lindo que ela tinha. Chegava até a roncar de leve.

Diablair a observou por um tempo com um brilho estranho nos olhos, algo como carinho e pesar permeando suas íris conforme a encarava. Quando se virou para sair do quarto, Diablair ouviu um "irrá!" e se viu laçado por uma corda cor-de-rosa. Ele voltou o corpo para a cama da menina e a viu lutando para manter o equilíbrio enquanto manuseava a corda de maneira a puxá-la, tentando arrastar o tio para junto de si.

- Perdeu, caubói do Inferno! Perdeu! - brincou a infante, rindo enquanto ajeitava o chapéu e fazia força para puxar o homem, que se deixou levar embora fingisse certa resistência.

- Você devia estar dormindo, mocinha... - disse Diablair com tom de voz baixo, sentando-se na "beirada" da cama, ainda amarrado e sacudindo o corpo de leve para mostrar que estava lutando contra o aprisionamento.

A menina foi parando de sorrir, largou a corda e passou a mãozinha na face de seu tio. Fitou os olhos dele, como fez tantas vezes desde a mais tenra idade e, depois de cerca de um minuto, enfim perguntou:

- Tio Diab, se hoje é um dos dias mais felizes da minha vida... Por quê sua alma está magoada desse jeito? Eu fiz ou disse alguma coisa errada? - havia uma genuína preocupação tanto nas palavras quanto no olhar da menina conforme ela se sentava ao lado daquele homem peculiar.

- Não, Ternura! Claro que não! - respondeu Diablair de imediato, removendo a corda rósea que o impedia de mover os braços. - Mas, aproveitando o ensejo, tenho uma coisa para te dizer. Algo que a própria Divina Brina mandou que eu falasse para você.

- Hã? Como assim, tio? O que quer dizer com isso? - inquiriu a pequenina, visivelmente surpreendida e curiosa enquanto se aproximava mais do ouvinte.

- Slaap, Teerheid, slaap. Vir die toekoms om hoop te hê, môre moet wreed wees.* - proferiu o homem negro enquanto observava Ternura ser tomada por uma letargia crescente e inexorável até que seu diminuto corpo voltasse a jazer adormecido na cama. - E, respondendo a sua pergunta... Quem vai fazer coisas erradas... Serei eu, Ternura. Serei eu.

Após deixar o chapéu de caubói sobre o rosto da menina tal qual estava quando adentrou o quarto, Diablair olhou uma última vez para sua protegida e saiu do recinto em total silêncio, com ainda mais pesar no olhar. O que ele não esperava era ver Tristeza parada no corredor tomado pela penumbra, com a cabeça baixa. Ele se aproximou dela em silêncio, constatando que a linda garotinha estava chorando sangue, mas seu pranto era extremamente contido, apenas um singelo filete rubro que escorria como que em câmera lenta pelo seu rosto. Diablair então se ajoelhou, de modo a ficar na mesma altura que sua sobrinha e se limitou a erguer delicadamente o queixo da criança com a falange de seu dedo indicador.

- Você sempre soube o que viria a partir de agora, não é mesmo? - perguntou baixinho o homem com um tom de voz triste, porém determinado.

- Eu te perdôo pelo que você vai fazer conosco, tio Diab... - respondeu a infante, incapaz de encarar o adulto de pele escura diante dela enquanto fungava o nariz e sacolejava os ombrinhos segurando o choro. - Mas, estou chorando por você... Com você...

Ele sentiu uma vontade imensa de abraçar aquela menina que sempre fora tão forte ao carregar um fardo como o da profecia com tão pouca idade, mas não podia ceder. Então Diablair se limitou a levantar, dar dois tapinhas no ombro da sobrinha e seguir seu caminho rumo ao fim de um extenso corredor localizado no subsolo da Mansão Infernal, onde estava a entrada do único cômodo cujo acesso era proibido para qualquer um exceto Sarah e o próprio Soberano Iníquo. Era uma porta enorme, feita de um metal escuro como ébano e entalhada com inúmeras runas ancestrais de proteção que formavam uma carranca demoníaca em meio à chamas.

- Divina Brina, dai-me forças... - exclamou Diablair ao gesticular de modo a cancelar as diversas magias que permeavam a superfície metálica e destravavam o mecanismo de tranca. - Dai-me todas as forças!

E então ele adentrou o recinto e trancou o local atrás de si, sendo imediatamente engulfado pela imensurável escuridão que ali existia: seria o início de um dos maiores pesadelos que aquela família jamais vivera até então.

❖❖❖
Notas de Rodapé

* do Africâner: Durma, Ternura, durma. Pois para que o futuro tenha esperança, O amanhã terá de ser cruel.

Link para a música tema do capítulo:

https://youtu.be/pbQ1AZpUFGQ

Apreciadores (6)
Comentários (5)
Comentário Favorito
Postado 30/12/20 22:49

De vez quando, a vida decide ser extraordinária e nos presenteia com as mais diversas alegrias. Como autora da obra que serviu de base para a criação desta incrível jornada que se inicia, posso dizer com tranquilidade: essa leitura, de fato, é um dos presentes que a vida nos dá. Não só como autora, mas também como integrante dessa família maluca, meu coração só consegue sorrir de gratidão. E como poderia ser diferente? A vida, por mais cruel que seja, me trouxe uma segunda família, a qual amo pertencer. Não é brincadeira quando dizem que lar é onde mora o coração, até porquê o meu sempre estará com vocês.

A abertura da obra consegue cativar a atenção do leitor com maestria. Há mistério, doçura, terror e, ao fundo, pode-se ouvir os tambores que anunciam a chegada de uma iminente tragédia. A pequenina Ternura e seu guardião Diablair, são opostos em todas as perspectivas possíveis, então, vê-los tão entrosados e se divertindo, aquece o coração de todos os leitores. A cena em que a Tristeza diz que está chorando com o Diablair partiu meu coração. Certamente acontecimentos terríveis hão de vir.

Definitivamente essa obra tem o potencial de se tornar a minha favorita. A riqueza da escrita, assim como a preocupação em entregar ao leitor uma narrativa diferenciada são fatores que conseguem ser vistos logo no início da obra. Dizer que tenho grandes expectativas para com essa obra seria eufemismo.

Parabéns por essa incrível história! Já estou amando!

Mil vezes obrigada, Tio Diab.

Um imenso abraço da Ternura, cowboy nas horas vagas, mas que sempre será sua irritante e amável sobrinha ♥

Postado 10/01/21 20:31

Divina Brina, ainda me lembro com alegria de quando retomamos contato e do quanto nossa amizade tem se aprofundado desde então. Logo, concordo contigo e posso dizer com propriedade que sua existência me é uma dessas alegrias que a vida pode conceder aos mais afortunados.

Tendo Diablair sendo inserido nesta teoricamente improvável, todavia espetacular família, não havia como eu não tentar escrever algo sobre/com esta mitologia espetacular que vem sido criada e a qual tanto aprecio. Sendo assim, fico imensamente feliz e orgulhoso por estar tendo sua aprovação nesta bizarra empreitada!

Saiba que suas palvras me deixaram absolutamente radiante e agradecido; espero continuar fazendo jus às suas expectativas e, quem sabe, até eventualmente superá-las!

Muitíssimo obrigado, Divina Brina! Gratíssimo!

Postado 11/11/20 14:20 Editado 12/11/20 19:18

Para tudo, que antes de mais nada eu preciso dizer que eu amei essa música, socorro, ela é macabramente perfeita para o clima melodramático que você criou aqui, Diab * --- *

Nossa pequena Ternurinha está crescendo, só imagino ela com seus seis aninhos, toda meiga com seu chapéu de caubói, essa é a nossa menina!

Fiquei tão contente com toda a fofura demonstrada pelo Diablair nesse primeiro capítulo! Ele até dançou com a Imperatriz e a Tortura, isso deve ter sido lindo!

E eu me emocionei tanto com a nossa cena de entrega! Eu tenho em Lúcifer que algum dia estarei descansando adormecida em seu peitoral após nossa noite mágica! Obrigada Diab <3

Ainda falando sobre suas fofuras, a cena em que ele entra no quarto da Ternura, e fala sobre o rostinho lindo dela, eu quase explodi de tanta fofura! E tudo aqui foi doce, terno, ele fingindo que o laço rosa o estava segurando, e ele falando tão docemente com a Ternura em sua frase em africâner!

O que me assustou foi a aparição da Tristeza... Fiquei tão triste por ela estar carregando um fardo sozinha... Estou em desespero aqui só imaginando tudo que ainda está por vir de trágedia e desgraça nessa história...

Principalmente por aquela frase que disse para mim hora que estava saindo do quarto, de que a Mei havia se esquecido que dia era aquele... Isso me deixou muito assustada...

Esse final do capítulo acabou comigo. Não faço ideia do que o Diablair está indo fazer, só sei que ele deixou sua esposa e suas sobrinhas, e isso vai destruir o coração da Meiling...

Não quero nem imaginar o quanto que todos irão sofrer, principalmente o Diab, sozinho, enfrentando seilá o que maligno que o espera...

Preciso continuar essa leitura, minha alma está chorando só de pensar em tudo que vai acontecer...

Esse primeiro capítulo foi uma mistura perfeita de emoções, digna desse autor maravilhoso e estupendo que você é, querido Diablair <3

Um grande abraço, atenciosamente, de uma criatura que queria estar agora deitada em seu peito,

Meiling <3

Postado 11/11/20 23:02

Este comentàrio foi tão sublime e adorável que me vi sorrindo de leve ao término dele... Não tenho palavras sequer adequadas para lhe agradecer por tudo o que foi dito e sentido, bem como o quão feliz e orgulhoso me fizeste sentir, minha inestimável Mei...

Muitíssimo obrigado, de tudo o que me resta de coração! Gratíssimo! Gratíssimo!

Postado 13/01/21 20:44

Eu me sinto muito feliz em fazer parte dessa família tão maluca e acolhedora. Estou animada para embarcar nessa jornada sinistra que está por vir e já me sinto triste pelo tio Diab.

Certamente coisas grandes estão por vir e estou ansiosa para descobrir o que Imperatriz e Tortura estavam fazendo, embora já tenha um certo palpite do que seja. Essa dupla é realmente muito boa quando quer!

Parabéns, tio!

Postado 07/02/21 22:02

Mil perdões pela demora em lhe responder, Srta Flávia! E saiba que sinto as mesmas coisa por sermos parte dessa insanidade familiar!

Bom, graças ao spoiler sem querer querendo que saiu nos pvts da vida real, as estripulias da Imperatriz e da Tortura lhe foram praticamente reveladas, então peço desculpas...

Muitíssimo obrigado pela presença, leitura e feedback! Gratíssimo, gratíssimo!

Postado 18/01/21 00:20

Sua escrita como sempre é impecável e que texto mais doce, mas tão cheio de tristeza e sofrimento...

Amei este primeiro capítulo mas confesso que temo em me aventurar pelo resto ignorando as tags... A Meu me deixou traumatizada... Rsrsrs

Parabéns e posso lhe dizer que foi uma mui agradável leitura!

Obrigada por compartilhar conosco.

Postado 07/02/21 22:09

Primeiramente, mil perdões pela demora em responder seu comentário, Srta Sonja. Fico extremamente lisonjeado que tenha lido e gostado deste primeiro capítulo e ouso dizer que a senhorita pode acompanhar sem muito temor, pois ela não chega nem perto do terror/horror pesado e cru que costumo postar aqui.

Sobre a questão do trauma, infelizmente parece que a senhorita em questão tem realmente o dom de traumatizar as pessoas, então não lhe culpo se não quiser arriscar a continuar a leitura, embora isso não me impeça de agradecer profundamente sua presença e elogios atuais!

Muitíssimo obrigado! Gratíssimo, gratíssimo!

Postado 18/11/21 16:25 Editado 18/11/21 16:27

Depois de alguns dias maratonando essa obra, enfim aqui estou. Decidi ler tudo antes de comentar, tendo em vista que foi impossível interromper a leitura que, a cada capítulo, tornou-se extraordinária e cativante. A narrativa dessa obra é poderosa e me fez ficar ainda mais deslumbrado com seu talento com as palavras tanto no quesito das descrições, quanto na inserção do leitor na história.

Das personagens da Brina, a Ternura é a minha favorita (mesmo que a minha digníssima seja uma maníaca e goste de maltratar a pequenina caubói), então, acompanhar essa jornada de crescimento dela foi uma experiência tremenda e impactante.

Sobre este capítulo... Apesar do tom sombrio e de iminente tragédia pairando, foi impossível não sorrir com a Ternura dizendo: "Perdeu, caubói do Inferno! Perdeu!". Isso é a cara da personagem e da própria pessoa que a originou, pois a Brina realmente gosta de fazer esse tipo de coisa: fingir que está dormindo para atacar a pessoa depois que ela vira as costas -_- A descrição do quarto dela também foi outra coisa que me lembrou da Brina. Enfim, há muito da Ternura nos detalhes e, automaticamente, da Brina, o que só destaca a riqueza da narrativa.

O final deixa todos apreensivos e o leitor, assim como Diablair, também clama pela Deusa, pois só ela para nos ajudar com o que virá a seguir hahaha

Essa obra é muito, muito foda, mas, acima de tudo, extraordinária por todos os ângulos, por isso me sinto muito afortunado por ter a oportunidade de lê-la. Meus parabéns, Diab!

Postado 22/06/22 22:01

Estimadíssimo Mr Black, nem cogitas o quanto ler seu comentário melhorou minha noite, é uma satisfação imensa ter um feedback tão detalhado e positivo vindo da sua pessoa, posto o papel absolutamente vital que o senhor tem dentro e fora tanto do Garraverso quanto na vida pessoal da própria autora!

Fico muito honrado e agradecidíssimo por tamanho prestígio, sério! E peço mil desculpas pela demora homérica em lhe responder, desculpe este pobre Diab(o)...

Muitíssimo obrigado! Gratíssimo!

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