Maria da Pena
Renato Franklyn
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 21/12/20 22:27
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 3min a 4min
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Notas de Cabeçalho

MINICONTO - Maria da Pena

Capítulo Único Maria da Pena

No maior desacato de minha mente, pus-me em cima do muro outra vez. Imagine, Zito, logo ele, meu grande amor, envia-me esta carta que seguro agora em minhas mãos. Se de dentro vem uma amargura que me faz fechar as mãos e amassá-la... lá de dentro também vem uma vontade imensa de definhá-la lentamente, como se fosse algum deus da morte definhando uma alma. Essa alma que pode ser lida, compreendida apesar dos pesares. Mesmo após ele ter feito o que fez.

Tenho medo, sabe... O que hei de fazer? Eu não me sinto mais segura perto dele; logo por esse motivo que o mandei de casa para fora. Mas mesmo assim, coração é coração, e amor é amor, e perdão é perdão. Mas será que basta apenas o perdão? Deus, de fato nos deixou esse legado de amar e perdoar. E se eu o amo... como sou amadora... e ele me ama... como é o amador, então somos contrapostos, não há pernas em falso nesta mesa, vide, Maria: se você é quem ama e também quem é amada, e ele é quem é amado e também o amador, logo, os dois devem de estar juntos! Mesmo com a crueldade que ele te fez... Pensa!

Eu olho as recordações que ele deixou ficar. Não sei se posso chamá-las assim, pois não sei se foram deixadas com o propósito de me amolecer. Vejo a camisa de futebol que ele usava todo domingo... Pensando bem, faz muitos domingos sem ele aqui; vejo a fita amarela que ele me presenteou no Carnaval... E ainda lembro o que havia me dito quando me entregou o regalo “Joias não são o bastante para realçar tua beleza, logo, trouxe o mais simples que havia, pois nada te deixa mais bela que tu mesma... E amarelo é tua cor favorita, não?”. Sim, ele era muito bico-doce, e continue sendo...

Maria, mas pare e pense: é melhor evitar do que remediar. Ele é bruto, mesmo sendo um doce. A camisa de futebol, a faixa amarela, o porrete no quintal... Lembro como hoje. Não. Lembro como agorinha. Era véspera de Natal, ele já tinha tomados umas. A bebida não me importava, apesar de ele mudar um pouco depois de alguns tragos. Eu estava na cozinha, descascando as batatas para fazer o purê, quando o maldito passa avoado pelos cômodos em direção ao quintal. Ele pega o porrete e diz em voz alta “Hoje tu não me escapas, Maria! Hoje eu tô só o fogo pra te pegar. E todo mundo vai te ver humilhada à janta de hoje, e eu terei sido o teu carrasco.” Eu me tremi inteira, corri como um pé-de-vento, coração acelerado e a visão turva. Quase que não dava tempo. Vi levantar o porrete, mas no momento em que ia desferir o golpe, eu consegui te salvar, Maria.

Maria... Maria... Minha querida da mamãe! Pode ser o Diabo na minha frente, mas se ele vier querer fazer-lhe mal, eu vou pra cima! Você é a única coisa que me faz companhia... Bem... Mais ou menos. O Zito é um grande homem, não há como negar, mas querer te fazer de ensopado no Natal mesmo sabendo o quanto eu te amo... Ele é um completo louco!

E a carta??

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