Ritual
Mariana Heloise
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 07/02/21 11:48
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 8min a 10min
Apreciadores: 2
Comentários: 1
Total de Visualizações: 486
Usuários que Visualizaram: 6
Palavras: 1284
[Texto Divulgado] ""
Não recomendado para menores de doze anos
Notas de Cabeçalho

Olá caro leitor, esse conto é um terror levinho, ele é segundo texto de terror que escrevo e ele se passa no mesmo lugar que o primeiro e tem até os mesmo personagens, o lugar que se passa a história é meu antigo colégio, tem muitas lendas sobre ele e e eu estou explorando um pouco delas, espero que gostem. Fiz ele para o desafio ACN.

O primeiro texto é "Terceiro Andar" você encontra aqui no meu perfil.

Boa leitura.

Capítulo Único Ritual

“O vento frio da manhã golpeava o rosto da jovem, mas isso não era algo novo, afinal, Curitiba era conhecida pelo seu clima inconsistente. O rabo de cavalo balançava seguindo o ritmo da ventania matutina, o som das pessoas caminhando era audível, a mesma rotina que a garota tinha todos os dias pelos últimos três anos e meio e que permaneceria até a formatura que ocorreria no final daquele ano. O Centro da cidade era um lugar agitado durante todo o dia, contudo no começo da manhã quando a jovem de cabelos castanhos caminhava em direção a escola, a calmaria ainda reinava. Quando a menina chegou no prédio rosa, ou salmão, era difícil de definir a cor e isso causava discussões entre os estudantes, ela cumpriu seu ritual de todo dia.

O ritual era feito de forma inconsciente, a garota chegava na sala de aula, tirava a blusa de frio, pendurava a mesma no encosto da cadeira, pegava a chave do armário na mochila e após deixar a bolça ao lado da mesa, abria o armário da sala – devido a jovem ser representante e nunca faltar aula, ela ficava responsável pela chave do armário que continha os materiais de todos os alunos de sua turma – pegava seus livros, voltava ao seu lugar – primeira carteira da fila do meio – retornava a chave para mochila e por fim dizia sua típica frase “Bom dia Erasmo, cuida das minhas coisas e da sala”, após as palavras deixarem a boca da jovem ela saia da sala em busca de seus amigos, e como todos os dias, a menina não fechava a porta, pois ela batia sozinha num estrondo.

A jovem de olhos verdes continuava a sua vida escolar sem se preocupar com a brincadeira que fazia ao dizer tal frase, ela não sabia ao certo quando começou a dizer, talvez fora há uns meses quando descobriram que sua sala era ao lado do salão nobre da escola – este era famoso por ter um quadro supostamente amaldiçoado que mudava a figura conforme quem olhava – de qualquer forma, ela não se importava com a brincadeira, afinal, os boatos eram comuns entre os estudantes desde que a menina começou a estudar ali. Quando dava a hora de retornar à sala de aula a menina voltava tranquilamente e ao abrir a porta dizia “obrigada Erasmo já cheguei” e como sempre, suas amigas ficavam bravas com ela, de forma que hoje não era diferente.

“Você deveria parar de importunar o fantasma Mel” Amanda, uma garota baixinha de cabelos loiros e olhos azuis que era três anos mais velha que Melissa, disse num tom de reprovação.

“Relaxa colega. Não é como se ele realmente existisse” Melissa respondeu no seu típico tom de zombaria, ela realmente não acreditava naquilo.

“Não diga isso Mel, ele sempre fica atrás de você por causa dessa sua mania de falar com ele” dessa vez quem falou fora Renata.

Renata era uma garota quase da altura de Melissa que assim como Amanda havia chegado na escola nesse ano, mas diferente da primeira que parecia apenas ter receio, Renata era de uma religião que levava os espíritos a sério e embora Melissa não acreditasse naquilo, ela nunca diria algo estupido que pudesse ferir a amiga. Melissa era conhecida por ser alguém de fácil acesso, ela conhecia muitas pessoas e muitas pessoas a conheciam, ela tinha a capacidade de falar com qualquer um independente da idade ou gênero. Por isso quando as duas meninas se transferiram para escola no início do ano, Melissa fora a primeira a fazer amizade com elas.

“Vamos dizer que seja isso mesmo” a jovem de cabelos castanhos disse “Ele parece um bom cara, quer dizer, a escola tem o nome dele e tals” Renata revirou os olhos e permaneceu calada, Amanda olhou para os lados receosa como sempre.

“Estou te falando, pare de chamar o nome dele, vai que a Renata tem razão, e isso me incomoda de toda forma” Amanda falou e logo soltou um suspiro exausto.

Melissa concordou mesmo contrariada, ela não faria mais a brincadeira, pelo menos, não na frente das duas.

Quando a aula terminou ao meio-dia, Melissa fechou o armário e seguiu para ir embora, a menina aproveitou que as amigas desceram na frente e soltou sua frase típica “Até amanhã Erasmo”.

No outro dia Melissa repetiu o seu ritual antes dos outros chegarem, mas algo parecia diferente, o estrondo que fechava a porta foi mais leve do que o usual, e na aula de matemática um barulho de giz raspando no quadro negro foi ouvido e era insuportável, mas a pior parte é que Melissa era a única que estava ouvindo.

“Parem de brincar comigo” a menina disse com um sorriso tremulo “vocês estão escutando também”

Apenas Amanda e Renata ficaram preocupadas com a amiga, os outros colegas riram achando que se tratava de mais uma brincadeira.

“Mel, você está bem?” Amanda perguntou com os olhos cheios de receio.

“Eu falei pra você parar com essa brincadeira” Renata disse num sussurro.

O resto da manhã foi insuportável para a menina de olhos verdes, algo parecia errado, e embora o barulho tenha parado a sensação de estar sendo seguida e observada apoderou-se de Melissa. A garota roeu as unhas da mão direita para amenizar a ansiedade que a corroía, mas nada adiantou, o sentimento de perseguição continuava agitando o peito da jovem. No fim da manhã quando todos saíram e Melissa ficou para cumprir o dever de fechar o armário, algo aconteceu.

Quando as mãos tremulas da jovem seguraram o cadeado para batê-lo, uma voz rouca sussurrou próximo ao ouvido dela, “adeus” foi tudo que a voz disse, todavia aquilo foi o suficiente para fazer Melissa correr para fora da sala e consequentemente pelas escadas, quando chegou na escada que levava ao térreo, o pé direto da garota pisou em falso e ela caiu, em apenas um minuto o corpo que antes corria assustado estava caído ao final dos degraus de mármore.

Infelizmente quando os outros alunos se deram conta do que acontecera e chamaram ajuda, a jovem de cabelos castanhos já estava sem vida. Ninguém entendeu o que aconteceu, tudo foi tratado como um acidente ocasionado pela falta de cuidado da jovem, contudo, Amanda e Renata tinham certeza, que algo incomum teria ocasionado isso, pois Melissa não era alguém que descia as escadas de forma descuidada e muito menos correndo...”

“O senhor deveria parar de me contar essas histórias ‘seu’ José” murmurei e logo após me levantei do muro da escola onde estava sentada “o senhor vive me contando essas coisas absurdas, desse jeito vou ficar com medo de vir pro colégio”.

“Deixa de bobeira menina, é história sem fundamento, além disso, qual sala você está esse ano?” o velho de sessenta anos sorriu de forma misteriosa e eu parei para pensar.

“Eu estou na cinquen...” parei no meio da frase ao me dar conta que minha sala era a sala ao lado do salão nobre, um arrepio percorreu minha espinha ao chegar nessa conclusão “que bobeira né? Nem tem armário naquela sala” comentei após engolir em seco algumas vezes.

“Ah, é verdade. Tiveram que tirar de lá, ninguém mais quis o armário por perto, já que a representante era a responsável por ele” senti o vento bater no meu rosto ao mesmo tempo que e o sorriso do senhor a minha frente desapareceu “tome cuidado”.

Sem mais a dizer, me despedi do ‘seu’ José e fui para casa, todavia antes de ir para o ponto de ônibus parei na esquina e olhei para a escola, mais precisamente para a janela da minha sala e me perguntei, se a menina realmente existiu.

“Besteira” sussurrei “eu deveria parar de escutar aquele velho”.

❖❖❖
Apreciadores (2)
Comentários (1)
Postado 24/03/21 17:38 Editado 24/03/21 18:18

Duas coisas: obrigado por compartilhar essa obra-prima e pelo amor de Deus cuidado com as pinturas e pianos na escola.

O escopo da estória aumenta em relação à primeira e isso foi maravilhoso: a introdução das novas "personagens" (entre aspas porque não sabemos se são personagens ou pessoas, claro) deu vida à obra; tive pena da Mel, me senti estranhamente atraído pelo misterioso 'seu' José, e muitíssimo interessado pelo "Erasmoverso".

Ademais, o estilo da narrativa é cativante, além da estória toda ser muitíssimo verossímil.

Parabéns, Mari, e espero que você continue a escrever terror, obrigado por compartilhar <3.

Also: tu já assistiu o anime "Another"? Acho que tu gostaria, é bem semelhante no quesito escola misteriosa onde desgraças acontecem.

Postado 24/03/21 18:34

Muito obrigada pelas palavras! Fico muito feliz e pode deixar que tem continuação sim, as ideias estão aí! 'Seu' José ainda tem muita história para contar!

P.S: Obrigada pela sugestão, estava mesmo procurando um anime novo para assistir! <3

Outras obras de Mariana Heloise

Outras obras do gênero Drama

Outras obras do gênero Mistério

Outras obras do gênero Sobrenatural

Outras obras do gênero Terror ou Horror