Como Surgiu o Antro Maldito
True Diablair
Tipo: Lírico
Postado: 27/02/21 23:24
Editado: 28/10/21 05:42
Avaliação: 10
Tempo de Leitura: 3min a 5min
Apreciadores: 9
Comentários: 7
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Palavras: 634
Este texto foi escrito para o concurso "Concurso de Aniversário da AC" O Concurso de Aniversário da AC, é em homenagem aos 5 anos que a Academia de Contos completa este mês! Os usuários terão de escrever obras com o tema "Academia de Contos" e que vençam os mais memoráveis! ❤️ Ver mais sobre o concurso!
Não recomendado para menores de dezoito anos

Esta obra participou do Evento Academia de Ouro 2021, indicada na categoria Mistério.
Para saber mais sobre o Evento e os ganhadores, acesse o tópico de Resultados.

Notas de Cabeçalho

Uma singela poesia referente à minha visão e história distorcidas deste Antro Maldito por onde tanto perambulei e onde tantas atrocidades indescritíveis cometi/idealizei...

Espero que esteja minimamente digno de quaisquer leituras.

Música Tema Eterna: Black Sabbath (versão da banda Type O Negative do álbun Nativity in Black).

https://youtu.be/Ah7rYLhngoE

Capítulo Único Como Surgiu o Antro Maldito

Sabe, houve um tempo distante

Em que descobri uma Dimensão peculiar

Que permitia a qualquer de seus Habitantes

Criar vidas e universos como bem desejar

E com tudo aquilo fazer o que quisesse,

Desde de que respeitasse algumas Regras

Que o Fundador da Dimensão impusesse.

Como os Habitantes realizariam tal atividade?

Tudo se daria mediante a Escrita

Que, imbuída com o poder da Criatividade,

Em realidade ali se transformaria.

Um infinito Conjunto de conjuntos,

Infindável acervo de inúmeras Escrituras,

Cada uma preservada e, acima de tudo,

Coexistindo com as antigas e as futuras.

Como tudo com a Escrita se iniciaria

E todos começariam Aprendizes de modo igual,

O Fundador decidiu que chamaria

De "Academia de Contos" tão excelso local.

A Academia foi abrigando Criadores nela

E cada um deles conceberam suas Obras,

Mostrando uns para os outros suas Criações.

Logo se viu que Criatividade tinham de sobra

E não demorou para surgirem as Apreciações.

Diziam que tudo era paz, amor e carinho...

(Talvez um ou outro Drama, é verdade)

Raramente alguém trilhava outros caminhos

E se o faziam, era com muita suavidade.

A tudo em quietas sombras observei;

Inquieta minh'alma sombria estava

Pois a bondade parecia ser Lei

E com isso, meu estômago revirava.

Não pude mais me controlar

E então comecei a Criar também.

Contudo, minhas Obras eram para manifestar

Todo o Mal existente ali, em mim e além!

Só que isso não me foi suficiente:

Sem hesitar, logo passei a visar

Até mesmo os próprios Habitantes

Que ousassem comigo confraternizar...

Indo até os limites distintos

Que as Regras tentavam me cingir,

Dei vazão aos mais primitivos instintos

Que meu coração mofado pudesse nutrir...

Recordo-me muito bem

Da primeira a morrer:

Era tão Jovem

Com tanto Poder!

Amizade instantânea,

Uma admiração profunda!

Fiz que rasgasse a garganta

Com as próprias unhas...

Segui matando

Outras e outros

E fui me tornando

Um verdadeiro Monstro.

Claro que todos ressuscitavam:

Afinal, eram igualmente Criadores.

Alguns até se tornaram

Por fim, meus executores.

Uma Habitante, achando tudo bem louco,

Decidiu imperar na Carnificina!

Ambos matamos um ao outro

Inúmeras vezes... Eternos rivais nas chacinas!

Contudo, eu matava tanto

E com tamanha paixão,

Que acabou gerando espanto:

Alguns me chamavam de Bicho Papão...

Por vários fui repudiado

Por ser uma criatura maligna.

Entretanto, por outros fui admirado

Por alegremente chafurdar em tripas

Pois o Terror/Horror os atraía

E fascinava com deleite sombrio...

Mas sem exceções eu tolhia

Cada vida o mais cruelmente possível.

Meu Mal foi se espalhando

Como uma Doença

E alguns acabaram abraçando

Suas respectivas malevolências.

As contas fui perdendo

De quantos deles trucidei...

Chegou ao ponto extremo:

Até ao Fundador eu exterminei!

Nem mesmo minha amiga tão adorada,

Uma Divindade do mais alto escalão,

Escapou de ter a cabeça arrancada

E enfiada dentro de um garrafão...

Com orgulho e nostalgia,

Lembro de meu derradeiro terror:

Uma criança destruída

Se convertendo em um novo Horror..

Para meu espanto, todavia,

Algo muito mais destruidor chegou:

O Tempo, que com sua passagem irrestrita,

A muitos Criadores levou...

Novas Criações foram escasseando:

Na medida que o Tempo passava,

Várias Obras foram se Ocultando

E a muitos Criadores, o Tempo Anulava...

Eu mesmo quase fui vítima

Desde onipotente Adversário:

Teimoso, insisto em minha sina

Mesmo cada dia mais solitário

Até que em uma noite, sem aviso,

Ele finalmente me vença

E assim como Habitantes novos ou Antigos,

O Diabo da Academia desapareça...

Enquanto isso, vez ou outra,

Tento uma nova Criação

Para a Morte correr solta

E manter viva minha Escuridão...

Bem, foi exatamente assim

Que o outrora Paraíso

Foi sendo tão tingido de carmesim

E maculado pelo Maligno

Que nunca mais tornaria a ser puro e singelo...

Por isso, com muito orgulho digo

Que levei para lá um pouco do Inferno

Até converter parte dele em um Antro Maldito!

❖❖❖
Notas de Rodapé

Bons Tempos que infelizmente nunca mais vão voltar.

Nunca mais...

Muito obrigado pela eventual leitura e boa sorte aos demais participantes!

Just... One more time...

Apreciadores (9)
Comentários (7)
Comentário Favorito
Postado 24/03/21 08:27

Amei seu texto Diablair!

Sem dúvida você alcançou a excelência aqui.

Suas rimas bem como as ideias e fatos por elas narrados encaixaram-se perfeitamente.

Sem dúvida você é o MESTRE do terror, mas também tem seu lado doce no amor...

Parabéns pela poesia e muito sucesso no concurso!

Postado 24/03/21 08:47 Editado 24/03/21 08:49

Srta Sonja... Suas palavras simplesmente roubaram as minhas com total êxito, não tenho como agradecer o sufiente por uma autora e leitora tão incrível me direcionar um feedback tão enaltecedor...

(És a segunda pessoa a utilizar a palavra "doce" para definir algo relacionado a mim... Fiz bem em sepultar o Diablair: a imagem from utter hell dele foi destroçada para sempre, pelo visto... Que pena)

Muitíssimo obrigado por tamanha lisonja! Gratíssimo!

Postado 24/03/21 09:30

Eu não acho que esteja sepultado, só acho que somos feitos de diversas nuances que vão se intercalando de acordo com o momento e os fatos que ocorrem na vida...

O lado que mais te agrada, sempre estará aí com você!

Vivemos de momentos, alguns de euforia, outros de depressão, mas aquilo que somos em essência permanece e ao seu tempo se faz ver, se renova, tal qual Fênix que das cinzas revive...

É preciso entender e aceitar que a maturidade também traz suas marcas, de repente não há todo aquele fogo de antes, mas há a astúcia que a tudo perscruta.

A audácia e a explosão, bem como a fúria pode continuar aí, mas de repente vão aos poucos atingindo um certo grau de refinamento...

Outra questão importante é que somos muito mais do que vemos, pensamos e podemos imaginar e isso é bom e é o que traz graça à coisa toda!

Até os brutos amam, não é mesmo?!

Postado 24/03/21 11:01 Editado 24/03/21 11:04

Srta Sonja, jamais cansas de me encantar e surpreender?! Que argumentação excelsa, inspiradora e admirável, estou tremendamente feliz e impressionado com suas palavras, não tenho como deixar de concordar em gênero, número e grau com a senhorita!

E sim... Até os brutos. Até mesmo os diabos são capazes de tal milagre se tiverem a sorte e o privilêgio de encontrarem alguém que lhes incite e complemente a esse ponto...

Muitíssimo obrigado por me presentear com tamanha preciosidade! De todo o restante de meu coração, gratíssimo!

Postado 28/02/21 00:12

Hohohoho! Eu amei as rimas e referencias internas da comunidade, m8. Achei fascinante como tu condensou tua historia na plataforma em prosas tão profundas, curti de verdade. Acho que ilustrou muito bem o totem profrano que tu representa por aqui com teus contos de horror. Ninguém tem a menor duvida de que você é o manda-chuva no genero, bro.

Obrigado por esse presente, tenho certeza de que será um dos fortes concorrentes a vencer no concurso. That's it, paw.

Postado 28/02/21 00:23 Editado 28/02/21 05:15

Shahahahahaha! Quem me dera, Sr Wolffen... Quem me dera!

De todo o modo, fiquei muitíssimo feliz, enaltecido e agradecido por suas palavras, certamente me fizeram ganhar a noite e toda a semana que ainda está por vir!

Muitíssimo obrigado, de todo o meu íntimo miserável, por este feedback que tanto me honrou e entusiasmou! Gratíssimo, gratíssimo!

E muito boa sorte no concurso para o senhor também, caso decida participar/esteja participando!

Postado 01/03/21 11:23

Acredito que a introdução deste texto poderia estar na abertura do site, existem diversas formas de escritas, mas você absorveu uma postura criacionista maravilhosa. Como alguém deveria ter feito.

Parabéns e boa sorte.

Postado 01/03/21 11:42 Editado 01/03/21 20:17

Suas palavras me enalteceram profundamente, Sr Alenz07 e a elas lhe agradeço com toda a humildade.

Muitíssimo obrigado! Gratíssimo!

Boa sorte para o senhor também!

Postado 22/03/21 20:04 Editado 22/03/21 20:06

Cada uma dessas referências... Cada palavra... Cada sentimento... Cada tristeza...

Acho que eu nunca odiei tanto o significado de uma palavra, e toda a tristeza que esse significado representa: anular...

Você sabe, Diab... E eu não consigo fazer um comentário como essa obra prima merecia receber...

Só espero que mais nada que eu amo desapareça daqui...

Um triste abraço, atenciosamente, de uma criatura que fez/faz/fará parte do Antro Maldito...

Meiling...

Postado 24/03/21 03:18 Editado 24/03/21 08:48

Não se preocupe quanto a isso, Srta Meiling: talvez nem haja mais o que ser dito, mas tão somente sentido, (re)lembrado e lamentado...

Muitíssimo obrigado pelo feedback. Gratíssimo...

Postado 02/04/21 19:07

Eu estou sem palavras, realmente... Eu gostaria de tê-las, DIAHELL do céu, que obra mais putrefadamente magnífica! Tantos Easter Eggs, tantas referências, só quem viveu sabe... Você é realmente o compositor do caos e ao mesmo tempo, compositor de várias das melhores obras que eu já tive o prazer de ler, e esta, é a master piece! Completamente incrível, impecável, supreendente, me sinto em um navio em alto mar, o mar está em fúria e o Diablair remexe as ondas com seu tridente gigante... Há seres e coisas que são imortais, digo com meu coração escaldante que você e esta obra, com certeza o são. Meus mais sinceros parabéns! Boa sorte no concurso, Senhor do Caos.!

Postado 04/04/21 02:17

Por Asami! Que me cortem os dedos se não me senti nostalgica!

Como me lembro bem que a cada passo duas a três possas de sangue, aqueles foram anos sangrentos dentro da Academia de Contos. Não espero tempos iguais a aqueles, espero tempos melhores que aqueles! Tempos de tamanha diversidade volte a reinar no site e todos tenham muito a escrever... O que eu puder, eu farei!

Seu texto ficou incrível, de tamanho encanto volto ao desejo de sangue, facas e caçada a vitima~~ Como sempre minha maior fonte de inspirações, obrigado por existir, Diabito! Agradeço por compartilhar sua obra participar do concurso, boa sorte!

Assinado uma pequena vampira, <3

Postado 06/11/21 00:36

Queria muito ter lido essa obra antes...

Manu, nunca conseguirei descrever o que você fez nesta obra. A maestria com a qual você poetizou acerca deste antro maldito foi homérica. Realmente, nem eu escapei de ser massacrada kkkkk e ainda bem por isso. Penso que foi uma maneira de você mostrar que se importava comigo. Uma grande amizade nasceu dessa carnificina.

Esse antro, apesar de tudo, me trouxe muitas coisas maravilhosas, uma delas foi você. O antro é maldito, porque nós somos malditos, também. Maldições!

Obrigada por compartilhar conosco!​

​Parabéns, Diab ♥

Postado 16/06/22 22:16

Shahahahahahahahahahahahah! Eu nunca vou esquecer quando lhe chamei de Srta Tortura pela primeira vez, Divina Brina! Que tempos glorioso! Eu faço minhas as suas palavras, pois uma das coisas mais preciosas advindas deste Antro Maldito foi lhe conhecer e a subsequente e inestimável amizade que ainda hoje perdura!

Minha mais sincera e profunda gratidão pela leitura e feedback, Divina Brina!

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