O Pecador (Em Andamento)
Rafael Marchiori
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Tipo: Antologia Poética
Postado: 08/03/21 12:08
Editado: 10/03/21 08:14
Qtd. de Capítulos: 2
Cap. Postado: 08/03/21 12:08
Cap. Editado: 09/03/21 14:02
Avaliação: 10
Tempo de Leitura: 3min a 4min
Apreciadores: 2
Comentários: 2
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Palavras: 583
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Não recomendado para menores de catorze anos
O Pecador
Notas de Cabeçalho

Somos apresentados ao protagonista, ainda sem nome certo, chamado de "Pecador".

O Pecador acorda de um transe que sofria no interior do tronco de uma árvore.

O responsável ao seu despertar é a figura do Demônio, ou "Pecado" como é chamado em certos momentos.

Demônio decidiu acordar o Pecador para fugir do inferno, motivações ainda desconhecidas.

Ambos dialogam e decidem sair do Inferno que vivem.

Inferno Canto 1

Abriu então os olhos com um chamado,

Vindo de fora da escuridão,

"Levanta-te, ainda não jaz em pecado!"

Estava ainda em sua própria perdição.

Sentia galhos perfurar suas costas,

Tocava o caule no chão.

Estava dentro da arvore do pecado,

Em meio a madeira que o prendia,

Sabia que ali seria condenado.

Estava por passada heresia.

Balançou seus braços,

Ouviu então do outro lado

A voz mais forte que todos os aços,

Era novamente o chamado:

"Vamos! Rompa-se desses laços

De madeira que lhe sugam pelo pecado!"

O Herói então gritou.

Em meio a escuridão,

Cerrou os punhos e os levantou

Bateu contra a madeira de seu caixão.

A sua frente se rompeu,

Foi de encontro ao chão.

Sangue em suas veias percorreu

Sentia mais uma vez o coração.

Caído como a besta de Teseu.

Seus músculos rígidos pela tensão.

Havia saído do interior da árvore

E a voz mais uma vez se pronunciou:

"Vamos, não demore!"

A besta se aproximou.

"Se quer, então chore!"

O jovem caído, ergueu a cabeça e viu aquilo

Logo se assustou com o porte

Mais assombroso que as torturas de Ésquilo.

De pele vermelha e crânio de bode.

"Erga-te, homem!"

Falou a besta carmesim.

"Mantenha a calma, não sou Lobisomem,

Vampiro ou Morto-vivo, sou Demônio, sim!

Pois deixe-me apresentar

Sou um rebelde que lhe observa, ceifado.

Sou seu Demônio particular!

Me chame pelo nome de seu agrado!

Não tenho poder militar.

Nem ao menos um soldado.

Pois tenho ti! Meu amigo.

Eu o levarei ao Sagrado!"

Nosso Herói o via como um antigo

Conhecido de caminho errado.

Este se levantou e proferiu:

"Seria você meu demônio penitente?

Que ao lado de seus irmãos, deferiu

um ataque ao Onipotente!

Este então os feriu...

Caído como eu, no lago fervente!

Seria então esse meu Abismo?

Que pecado vim a cometer?

Dessa tragédia terminada, o protagonismo

Me resta mais do que o viver?

Não se aproxime de mim, criatura!"

Se colocou contra uma rocha.

Continuou: "Isto tudo és loucura!"

Seu demônio debocha:

"Sim! Você falhou

E eu serei seu guia, sua tocha!"

O Pecador e o Pecado

Se calaram como se deve.

O Pecador se viu desconcertado

Pois sua pele estava coberta pela neve.

Engoliu a vontade de chorar

Como faz uma criança.

Ao respirar, via que estava a baforar,

De sua boca saia uma leve fumaça.

Desejou ter asas para dali voar.

E fugir de vez de sua desgraça.

"Como poderá me ajudar?"

Perguntou ao Demônio.

Respondeu: "Teremos que andar,

Eu sei o caminho de Pandemônio"

Viu em sua volta uma floresta

Árvores negras e terra vermelha,

De neve toda a vista estava coberta.

Sabia que, como, de dentro de cada árvore velha

Tinha uma alma a ser descoberta.

Teve de falar: "E o que quer ganhar com isto?

Pelo que sei, Demônio é sempre mesquinho."

Demônio: "Aqui sou malvisto!

Estou cansado desse joguinho!

Quem agora lidera é Asmodeus!

Este que nunca gostou de mim

Oh, como quero retornar a Deus!

É isso que quero, isso sim!

Sair daqui sem nem um Adeus!

A muito fui um querubim.

Porém aqui eu sou um escravo.

Malditos rebeldes Serafins!

Meu valor foi reduzido a um centavo,

Mas posso te ajudar a sair desses confins...

E o que me diz? Deseja paz?"

Estendeu a mão de unhas grandes,

Foi retribuído pelo rapaz.

"Me prometa a saída de Hades"

Disse sem o ver como capaz.

O Demônio acreditava em suas habilidades.

Partiram para a saída da floresta Rubra.

Ambos despidos de qualquer censura.

❖❖❖
Apreciadores (2)
Comentários (2)
Postado 08/03/21 13:20

Meu camarada!!! Que história intrigantemente apaixonante!!

Mal vejo a hora de receber a oportunidade de ler um novo capítulo!

Logo de início devo elogiar sua escrita mais que elegante e noto sua pesquisa pelo tanto de referências citadas nesse primeiro poema, preciso a pontar também essa trocar livre de interesses entre esses dois personagem e o quanto me intrigou! Até onde vai a vontade dos dois?

Seja muito bem-vindo ao site e está foi uma bela estreia!

Agradeço por compartilhar sua obra e desejo ter a honra de ler uma continuação, adorei!!

Assinado uma pequena vampira, <3

Postado 09/03/21 09:50

Muito obrigado! Logo eu vou finalizar o segundo Canto, revisar, corrigir os pequenos erros que sempre ficam, e criar coragem para publicar aqui!

Postado 09/03/21 17:13

Que aventura sombria, intrigante e emocionante foi discorrer pela sua obra! Muito bem escrita, cheia de chacoalhões, é impossível de uma forma ou de outra não me ver vestindo a mesma pele do narrador, quanta dor, incerteza, ânsia de viver!

Tremendamente bom! Mal espero por mais capítulos! Parabéns por esta obra maravilhosa!

Postado 10/03/21 01:38

Obrigado! Fico feliz de ter gostado, e pode esperar que logo escrevo e posto mais!