A paz que ficou
Lady Lótus
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 29/04/21 22:53
Editado: 29/04/21 22:57
Gênero(s): Drama LGBT Romântico
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 2min a 3min
Apreciadores: 6
Comentários: 3
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Palavras: 402
[Texto Divulgado] "Liberdade da tua Voz" Quando algo tão belo cai em nossas redes, o certo é soltar.
Não recomendado para menores de dezesseis anos
Notas de Cabeçalho

Esse mês é reinado das cores e sentimentos e a minha escolha foi o Branco com o sentimento paz.

O Branco pode significar a ausência de cor como a representação de todas as cores e tem essa conotação de início e fim, por isso em muitas culturas ele é símbolo do nascimento e em outras da morte. Também significa pureza e espiritualidade, assim como equilíbrio interior.

E foi tentando juntar tudo isso que eu escrevi o texto deste mês.

A história se passa em Magnóila, capital de Gardélia, uma das regiões de nosso adorado reino, e é um dos principais centros de tecnologia, especializado especialmente na conservação ambiental.

Espero que gostem e aproveitem.

E ao Obheron pela capa e pelo apoio no texto.

Capítulo Único A paz que ficou

A paz que ficou

É impossível esquecer a primeira vez que nosso olhar se cruzou, era primavera de 2018, as ruas de Magnólia exalavam o perfume das flores características de Gardélia, eu havia recém chegado do interior e ainda era capaz de distinguir todos os aromas, assim como as matizes de cores.

Caminhava distraído com a música no meu fone de ouvido, estava na entrada do Parque Alvorada na pétala norte da capital Magnólia quando lhe vi passar correndo, ou melhor, a sua luz branca me ofuscou tirando-me da indiferença. Mas surpresa mesmo foi descobrir que trabalharíamos juntos no mesmo laboratório, eu um mero estagiário iniciando a carreira e você responsável por minha supervisão.

Foi impossível não nos aproximarmos, moravamos perto e sempre que nossos horários permitiam corríamos no parque naquele ritual mudo porém confortável, cada um imerso em seus pensamentos e musicas e depois apreciavamos um café da manhã no bistrô da esquina de casa, você o frapuccino e bolo de laranja e eu o café preto sem açúcar com pão de queijo. Você ria da falta de açúcar em minha bebida e eu reclamava do seu exagero açucarado.

Mas tu era o exagero que apreciava, era a luz que me iluminava e orientava com sua presença circular arredando todos os resquícios d’alma. Seu sorriso brilhava, purificava e sua presença me trazia a paz e tranquilidade que há muito não experimentava.

Seu olhar, por vezes faminto e inquisitivo, me consumia e me fazia amaldiçoar a santidade e questionar a pureza na qual lhe impus; e em algum momento isso se quebrou me permitindo ver que dentro da sua calmaria tu era a composição de todas as cores possíveis do espectro.

Em suas mãos me encontrei, me perdi, me descobri, amaldiçoei e bem quis, mas posso dizer que perdi a contagem das vezes que gritei o seu nome enquanto me consumia em luxúria entre os lençóis de minha cama, enquanto tu me fazia dançar de ponta a ponta nas cores que melhor lhe compunham.

Perdi a paz, a calma, a pureza, a alma. De fato, entreguei tudo de mim em bandeja de prata. E você correspondeu, pelo menos naquela estação, até que chegou o inverno em que disse aquela palavras antes de sair de casa:

"Vou me casar com a Sofia, me desculpe Arthur, mas hoje é a nossa despedida".

E assim tu partiu levando a paz e tudo o que restou.

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Apreciadores (6)
Comentários (3)
Postado 30/04/21 11:57

Já disse que sou apaixonada pela sua escrita? Quando é sofrência então, aí que eu amo mesmo!!!

Postado 01/05/21 14:01

Acho que tenho andado muito com o Gans para escrever tanta sofrência assim. kkkkkk Obrigada duquesa!

Postado 30/04/21 20:45

Que final mais triste...

Amei sua narrativa!

Obrigada por compartilhar conosco.

Postado 01/05/21 14:02

Olá! muito obrigada por ter gostado!!!

Postado 27/05/22 15:35

Esse final melancólico é de partir coração, ótimo texto

Postado 29/05/22 20:29

Olá, fico feliz que tenha gostado. Obrigada