Um amor do tamanho do infinito;
Mèng NíngYì
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 14/06/21 18:58
Editado: 23/06/21 12:57
Avaliação: 10
Tempo de Leitura: 4min a 6min
Apreciadores: 8
Comentários: 5
Total de Visualizações: 819
Usuários que Visualizaram: 13
Palavras: 738
Este texto foi escrito para o concurso "Amor à Moda Antiga" Escreva uma carta que fale sobre amor, seja romântica ou não. Ela deve ser endereçada a alguém (real ou imaginário) e você pode falar sobre que quiser nesta carta desde que seja sobre amor! Ver mais sobre o concurso!
Não recomendado para menores de dezoito anos
Capítulo Único Um amor do tamanho do infinito;

Enviada: 29 de maio de 2000

Recebida: 12 de junho de 2000

Para minha doce Agnes,

Eu sinto sua falta.

Sempre que me lembro de nós, meu coração palpita novamente. Sabe, eu nunca acreditei nisso de palpitação, no entanto, quando nos conhecemos tive certeza que um coração realmente podia palpitar por outra pessoa.

A primeira vez que nos vimos, era a hora da saída. Desde aquele momento, fiquei vidrado por esses lindos fios ruivos e olhos azuis. No início, pensei que fosse só um pensamento passageiro. Mas, depois que vi que, em sua nova fase escolar, eu seria seu professor, o mundo dentro de mim colapsou. Um relacionamento entre aluna e professor parece até meio clichê, não é? Todavia, aqui não. Nossa história é única, completamente sem igual.

Estávamos na aula de reforço, só eu e você, quando não nos controlamos. Eu fechei a portas e as janelas, joguei todas coisas da mesa no chão e nós o fizemos, com intensidade, desejo e amor. Muitas vezes me perguntei como se sentiu ao perceber que encontrou o amor da sua vida e pôde vivê-lo e senti-lo nas aulas de reforços, todos os dias da semana, começando às duas da tarde e terminando às cinco.

Foram quase três semanas realizando essa ação. Já havia experimentado outras mulheres antes, mas você... É a única que não me dá chance de auto controle. Vê-la vestida e não gritando, é quase como uma tortura.

Me recordo das suas curvas, do seu cheiro, do seu toque, seu cabelo, o jeito como a prensava na parede enquanto segurava seus pulsos, a forma como eu a possuía e fazia ser minha apenas com o olhar, aquela saia e aquela camiseta que podiam ser facilmente tiradas, o modo como sua pele clara era marcada sem dificuldades... isso a destacou de todas. De tudo, eu lembro de tudo. Até parece loucura, ainda sim... devia pensar em você todos os dias da minha vida? Por favor, não me ache doido ou algo assim. Apenas a amo, é um amor do tamanho do infinito.

Linda, preciosa, inesquecível e que precisa ser protegida. É isso o que eu penso sobre você, minha querida aluna.

Porém, eu fui um desgraçado, não pude protegê-la direito. Eu realmente não entendo por que depois de três semanas de amor, chorou falando que não aguentava mais? Não me queria também? Não, não pode ser isso, vi como me olhava. Disse que me amava. Talvez eu tenha sido muito grosseiro quando te vi conversando com aquele garoto, eu sabia que alguma coisa não estava certa, aquele traste lhe beijou a força. Assim, eu fiz o que qualquer homem que ama e quer proteger sua mulher faria. O matei e não possuo arrependimentos. É aceitável que tenha se traumatizado ao ser tocada a força pelo desgraçado.

Entendo que devia estar assustada com um corpo sem membros depois que os levei até minha casa, contudo, mesmo após nossas rodadas de amor, precisava ligar para a polícia? Que crime eu cometi? Se amar demais é um crime, eu quero morrer agora. Entretanto, isso não vai acontecer, porque não é um crime.

Consequentemente, eu saio desse inferno que sua mãe me enviou, daqui a duas semanas. Apesar disso, não fique triste, sei que não teve a intenção. Estupro? Não, é amor. Eu nunca lhe forcei, seus pais que tiraram isso da cabeça deles, só pelo fato d’eu ter gravado nossa primeira aula e mostrá-la muitas vezes para você ver o quanto exalávamos o puro prazer e perfeição. Eu só queria mais, isso não é errado. Todos me culparam por motivo nenhum, eu gostaria de saber o que fariam ao saberem daquele beijo forçado? Que absurdo. Contudo, tudo bem, relembrar da sua existência me acalma como algo que nunca vi.

Minha ansiedade me faz sentir várias dores pelo corpo! No entanto, sem problemas, o que importa é que nos reencontraremos daqui a pouco e repetiremos nosso amor de novo. E sem a intromissão dos seus pais. Isso me deixa extremamente feliz.

Por favor, não fique triste. São apenas duas, o que são quatorze dias perto de oito anos? Rápido, não?

Acho que essa é a centésima carta que lhe envio, poderia dizer que esse é o tamanho do que sinto, mas não é. Eu amo você, Agnes. Um amor do tamanho do infinito que nunca conseguirei demonstrar totalmente. E tenho certeza que sente o mesmo, minha doce garota.

Apaixonadamente, seu doce professor.

❖❖❖
Notas de Rodapé

Primeiramente, eu peço infinitas desculpas por ter fugido do tema do concurso. Originalmente, era para ser a carta de um escravo contando a história do seu amor proibido com seu Sinhozinho (quando meu bloqueio para escrever coisas românticas passar, talvez eu o faça). Atualmente, eu acho que a vida está tão cinza. Todas as poucas felicidades são limitadas e logo em seguida, são estragadas por uma notícia trágica. É por isso que o romance está tão dificíl, não tenho inspiração para escrever algo colorido envolvendo o amor, se tudo o que eu vejo e o que se passa na minha mente é o escuro.

Em segundo, um dos gêneros está marcado como romântico, pelo simples fato de ser a visão do nosso protagonista. Portanto, por favor, não pensem outras coisas.

É isso, obrigada por ler <3

Apreciadores (8)
Comentários (5)
Comentário Favorito
Postado 21/06/21 17:01 Editado 22/06/21 19:56

Que todas as vítimas do Dilúvio me assombrem por toda uma madrugada se esta não foi uma das obras mais monstruosas que já tive a oportunidade de ler neste recinto maldito... Realmente, a diversidade das abordagens envolvendo o tema do concurso tem sido uma série inestimável de aprendizados e ouso dizer que a sua foi uma das mais audaciosas e complexas que aqui figuram!

O modo como a coisa toda foi se transformando conforme a leitura prossegue indo de um pólo deliciosamente luxurioso para um extremamente asqueroso foi de um esmero magnífico, admito! Claro que o contexto deturpado em si é monstruoso, revoltante e surpreendente, mas não me é possível negar o brilhantismo da autora em sua abordagem única do tema proposto, bem como sua maestria ao tecer a trama de modo a convertê-la lenta e habilmente em algo tão pesado (o que de modo algum decresce ou sequer altera o imenso valor desta obra ao meu modesto olhar).

É algo sombrio, tétrico e, infelizmente para muitos, real? Sim, claro que sim. E por isso mesmo esta carta de "amor" é extraordinária, pois desnuda sem medo uma faceta atemporal da realidade humana. Absolutamente excelsa!

Srta Mèng, meus mais sinceros, entusiasmados e enaltecedores parabéns pela criação de algo tão polêmico, robusto e impactante!

Admiradamente,

um ser que desmembraria com todo o prazer certos professores, Diablair.

Postado 22/06/21 19:43

Eu nem sei o que dizer, Senhor Diablair. Apenas agradeço imensamente por todos os elogios e por pensar isso da minha obra! <3

Postado 04/07/21 16:53

Satã tem poder...

Preciso admitir que eu iniciei o texto sem ler as tags, e que por esse motivo eu realmente pensei, no início da história, que seria apenas um conto sobre o romance de uma aluna com seu professor... Mas... Quando percebi para onde tudo estava caminhando, eu fiquei sem chão...

Parei a leitura, olhei as tags, entendi tudo, respirei, comecei a ler novamente desde o começo, mas agora tendo outro olhar sobre a situação. E eu tenho que dizer, meu Deus do céu, quanta raiva eu senti ao ler os absurdos da mente desse homem...

Isso me fez lembrar muito do livro Lolita, que na primeira vez que eu o li, eu realmente fui influenciada pela visão do narrador. Depois de o ler mais duas vezes, agora sinto nojo do livro.

Fico me perguntando como que certos homens conseguem ter uma visão tão deturpada da realidade... Como esse professor consegue achar certo o que ele fazia, e como ele consegue não entender o motivo pelo qual Agnes chorou dizendo que não aguentava mais... FIco tão triste pensando nisso...

Bom, gosto de imaginar que esse professor morreu antes de conseguir encontrar Agnes novamente...

Sua história está incrível para o concurso! Muito boa sorte!

Um grande abraço para você, senhorita NíngYì <3

Postado 05/07/21 23:25

Querida Mèng,

Aqui quem fala, é a Seis, tá passada?

POR QUÊ EU TÔ... ESBURACADA.

Sua criatividade atingiu níveis nunca antes vistos, e como a Meiling, eu também não havia lido as tags e de repente, BUM, explode na minha cara sobre o que realmente se trata esta obra... Um maldito psicopata, que acabou com a vida de uma aluna... Tenebroso, não duvido realmente que os sentimentos sejam reais, não duvido ainda, que ele possa, em sua consciência se justificar, mas isso jamais é justicável e eu temo mesmo pela vida da Agnes, tanto que... Quase me esqueci de que nada disso é verídico, ufa.

Mas é isso que você fez, mexeu na mente do leitor de tal forma, que o cérebro ainda balança após a leitura, sua proposta foi muito ousada e você a arquitetou com maestria!

Meus parabéns por uma obra com tanta qualidade! Muito obrigada por participar do concurso, e boa sorte!

Com carinho,

Aquela que não sente mais medo em odiar seus abusadores e clamar pór justiça,

Seis.

Postado 09/07/21 01:16

OHH~~ essa é uma obra diferente~~

Você me pegou de jeito, Mèng, eu já estava super naquela vaipe de uma amor de diferença de idade bem fofinho em que o mais velho espera o mais novo virar adulto e vivem felizes juntos no final <3

~~~Mas não era bem por ai, um tema polêmico, mas gostei dá forma como tratou e desenvolveu a obra tornando/revelando o autor da carta como um monstro ao mundo. Estou impressionada, parabéns~

Agradeço por compartilhar sua obra, adorei sua escrita e fico honrada de ter seu textop participando do concurso deste ano!!

Assinado uma pequena vampira, <3

Postado 10/07/21 08:21

Como a Seis e a Meiling, eu também não li as tags e fui surpreendida!

A gente começa gostando do cara e de repente... SOCORRO!

Confesso que o final me causou náuseas e tal qual a Seis fiquei torcendo para que a pobre Agnes tenha sumido no mundo...

Também não creio que o teor da carta a desmereça para o concurso, sua obra é extremamente original, criativa e com certeza chocante.

Obrigada por compartilhar conosco e boa sorte no concurso.