Pecadores presos a si mesmos
Renato Franklyn
Tipo: Lírico
Postado: 16/07/21 22:10
Gênero(s): Crítica Reflexivo
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 53seg a 1min
Apreciadores: 1
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Palavras: 142
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Livre para todos os públicos
Capítulo Único Pecadores presos a si mesmos

Tenho um arrependimento tão intenso e tão brutal que talvez não seja adequado dar seus detalhes. Arrependo-me profundamente de todos os meus atos, mesmo que por amor, mesmo que por achar que... que tudo o que fiz foi pelo bem da pessoa amada.

Estava errado, e hoje sei que não existe perdão unilateral. Preciso de seu perdão. Mesmo que por pena de um fascínora que roubara sua juventude e a pusera no mundo fatal e adulto que desejamos viver, porém, quando o vivemos, oramos para voltarmos no tempo.

Estou presos às suas correntes. Mesmo que diga que não sente mágoas, sei que sua vida apenas piorou após nós termos nos amado por tão pouco tempo. Sinto muito. Sinto muito. Sinto muito. Mas isso não basta, não é verdade? Não seja tão benevolente com quem assassinou a sua infância; mesmo que por amor.

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Apreciadores (1)
Comentários (1)
Postado 30/07/21 22:17

Santíssimo Satã...

Por vezes sou uma pessoa um tanto lerda e um tanto devagar, então tenho minhas dúvidas quanto a ter realmente entendido o texto ou não. Porém infelizmente acho que na verdade entendi...

Nesse exato momento estou me sentindo do mesmo modo que me senti quando li Lolita pela primeira vez. Ou seja, estou sentindo que eu consegui ser enganada por esse narrador. No caso de Lolita eu jurei que era amor, antes de ler o final, e principalmente antes da minha segunda leitura, uns anos mais velha. No caso do seu texto, eu poderia jurar que há um arrependimento sincero por parte do narrador, mas, mesmo que isso seja verdade, mesmo que o arrependimento seja sincero, alguém que tenha cometido atos que ele próprio tem vergonha de dizer, mereceria mesmo receber perdão?

Colocando isso de um modo um tanto frio, tentando acreditar que um estuprador poderia algum dia arrepender-se genuinamente, em minha opinião o único e verdadeiro perdão que ele poderia receber seria o autoperdão. Mas nunca o perdão de sua vítima.

Não sou uma pessoa religiosa, mas, vou ter que acabar colocando essa questão no campo religioso para falar sobre esse "perdão". Acho o autoperdão muito importante para qualquer tipo de indivíduo que tenha cometido qualquer tipo de crime hediondo. Pois um arrependimento sincero deve vir carregado de um autoperdão. Mas as vítimas não precisam perdoar seus agressores, nunca, em hipótese alguma. Mas não consigo concluir meu pensamento a respeito disso, afinal, não tenho muita base religiosa para dissertar sobre o assunto.

Mas, mesmo eu tendo falado desse modo, a Meiling, ou melhor, a Alícia, a pessoa por trás da Meiling, não acredita que exista arrependimento verdadeiro em casos de crimes hediondos. Posso estar sendo muito inflexível, mas realmente não acho que o ser humano tenha essa capacidade. Acho pelo contrário que isso talvez seja apenas o ego querendo ser acariciado, na inútil tentantiva de se sentir merecedor de perdão. Ou não. Não sei e não posso dizer...

Mil perdões por toda essa minha divagação...

Se eu fui capaz de compreender o texto, e se toda a minha reflexão foi pertinente de algum modo, eu digo que esse texto teve um efeito devastador em mim.

Obrigada por compartilhar essa brutal surra na alma que eu acabei de levar...

Postado 31/07/21 23:08

Nesse caso, não seria nescessariamente algum crime hediondo. Acho que o texto serve tanto pra quem comete crimes quanto pra quem apenas peca no amor. Há relacionamentos em que alguém (ou os dois) sempre se sente culpado. Às vezes há o que se culpar genuinamente, mas às vezes, são apenas coisas da nossa cabeça. Quem sabe o crime não é apenas a dor da perda?

E quanto a Lolita, desde o início dá para se ver que o H. Humbert é um pedófilo. Quanto ao amor que ele poderia sentir pela Lola, creio que o filme (o mais recente) mascara bem as perturbações dele, mas o livro, não dá margem. O H. H. estava atraído por aquela ninfeta; mas a pergunta que fica é: será que, se ela o amasse, e ele a amasse tal qual ou mais ainda, ainda seria um crime passível? Bem... Eu acho que eu sigo essa linha de raciocínio quando escrevo. E por ser um amante das fatalidades e tragédias que a vida nos pinta, transcrevo a imagem exatamente igual... ou pior.

Postado 01/08/21 00:48

É realmente triste quando nos sentimos culpados apenas por coisas da nossa cabeça...

Eu não tinha conseguido enxergar o texto desse ângulo, acho que porque eu tenho uma tendência muito pessimista em sempre ver o pior lado possível...

Sobre Lolita, perdoa a minha euzinha de 14 anos kkkkkk ela leu o livro romantizando completamente a pedofilia porque ela não tinha noção de nada ;--;

Mas ainda bem que a gente cresce e (alguns de nós) finalmente para de romantizar tantos tipos de coisas horríveis...

Você é um ótimo escritor! Parabéns por escrever de forma tão profunda <3