A Turma da Rua 13 (Terminado)
Silva
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Tipo: Romance ou Novela
Postado: 29/08/21 12:31
Editado: 18/04/22 19:42
Qtd. de Capítulos: 7
Cap. Postado: 18/04/22 19:39
Cap. Editado: 18/04/22 19:39
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 3min a 5min
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Palavras: 620
[Texto Divulgado] "Luna Nostra" Um trilionário terráqueo visita velhos amigos de outro mundo em busca de socorro.
Não recomendado para menores de doze anos
A Turma da Rua 13
Capítulo 6 O Coveiro - Parte 1

Hoje talvez nem tanto, mas antigamente toda cidadezinha tinha seus causos e histórias de assombração, e a crendice popular por vezes dava um certo ar de veracidade à coisa. Antes de todo mundo ter internet e esses serviços de streaming em casa, era comum a turma alugar filmes no fim de semana na locadora do Seu Serafim e ainda só devolver as fitas VHS na segunda. Bolinha alugou tanto aquela fita verde do Rei Leão que acabou ficando com ela quando vieram os DVDs.

Vez ou outra o irmão mais velho do Carlinhos pegava algum filme de terror, pois com certeza se divertia mais com as reações do caçula do que assistindo o povo morrer. Principalmente com os filmes do Chucky, o qual rendia uma boa dose de sustos e risadas com os gritos do medroso da turma. Com a ascensão do horror nos anos 80 e 90, também cresciam as lendas urbanas. E com o Cemitério das Boas Almas não era diferente. Vários boatos corriam sobre alguma aparição por lá. Almas penadas atormentadas, fantasmas que vinham buscar crianças travessas e claro, a fama também perseguia o coveiro, o Seu Epaminondas. O velho sinistro que andava entre as lápides e falava com o coisa ruim.

— Tem certeza que o Diogo foi pra lá mesmo? — Lucas perguntou ao Bolinha, levando o olhar para as lápides mais distantes, próximas a uma capela.

— Tenho sim. — Bolinha confirmou. — Tava bem atrás dele, mas o Diogo disparou feito o Flash e eu fiquei atrás de uma árvore mesmo.

— Então me chame de Ligeirinho, porque quem vai disparar daqui a pouco sou eu! - Carlinhos ironizou contrariado. - Pô, o cara foi logo pro lugar mais sinistro! E se o coveiro pegou ele?

— Eu num tô nem aí pro Epaminondas! — Lili exibiu o estilingue como a She-ra erguia sua espada antes de se transformar. A loirinha girou o boné pra trás e afirmou convicta: — Ele que venha, minha mira vai ser certeira!

— Cês perderam mesmo a noção do perigo... Se der errado não digam que eu num avisei.

— Se der errado Carlinhos, a gente vai tá junto. Igual nas brigas da escola. — Encorajou-o Bolinha.

— É isso aí, a gente sempre ajuda. Sempre. — Lucas cerrou o punho e levantou-o. — Rua 13? — Os outros repetiram o gesto, falando o nome da rua onde moravam em coro. "Rua 13!"

Por fim, o líder da turma deu o comando. — Tá na hora galera... vamos nessa! — O menino de cabelo castanho foi na frente, pegou dois gravetos no chão e os empunhou como se estivesse com espadas. Bolinha o seguiu mastigando um confeito enquanto Carlinhos ousou alguns passos hesitantes.

— Anda logo! — A loirinha empurrou o medroso, completando a retaguarda da turma. A quietude tomou conta do lugar novamente enquanto a turma rumava até a capela por um corredor formado de árvores chamadas primaveras. A folhagem era cheia de flores rosas e amarelas que contrastavam com o cinza das lápides. O pequeno santuário ficava mais ao fundo, erguendo-se na típica fachada triangular onde logo acima havia uma pequena cruz.

O branco das paredes estava um pouco encardido, além de algumas rachaduras e um pouco de mofo que davam um ar meio assustador à edificação. A turma trocou olhares mais uma vez, mas já não podiam voltar atrás. O Diogo podia estar em perigo, e eles não sairiam de lá sem o amigo. De frente para a assombrosa capela, uma porta de madeira meio carcomida estava diante deles. Lucas ergueu uma mão para empurrar e Lili já puxava o elástico do estilingue, pronta para soltar a pedra. Bolinha mastigava com mais intensidade enquanto Carlinhos engoliu um nó na garganta. A turma iria encontrar o coveiro, embora não soubessem que o velho já esperava por eles.

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