A Turma da Rua 13 (Terminado)
Silva
Usuários Acompanhando
Tipo: Romance ou Novela
Postado: 29/08/21 12:31
Editado: 18/04/22 19:42
Qtd. de Capítulos: 7
Cap. Postado: 18/04/22 19:42
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 6min a 8min
Apreciadores: 0
Comentários: 0
Total de Visualizações: 33
Usuários que Visualizaram: 1
Palavras: 1006
[Texto Divulgado] "Luna Nostra" Um trilionário terráqueo visita velhos amigos de outro mundo em busca de socorro.
Não recomendado para menores de doze anos
A Turma da Rua 13
Notas de Cabeçalho

Muito obrigado pela leitura. ♥️

Capítulo 7 O Coveiro - Parte 2

Lucas empurrou, e a porta se abriu fazendo um rangido horripilante. A turma finalmente pôde ver a assustadora paróquia por dentro. Escura, empoeirada e com santos que pareciam observar os pequenos invasores do recinto que parecia misturar o sagrado e o macabro. A pouca luz do lugar vinha das janelas, onde tons de laranja no céu anunciavam o finalzinho da tarde.

Foram adiante cautelosos, com passos furtivos enquanto uma quietude inquietante crescia. Subitamente, o som de algo rasgando chamou a atenção de todos. Quando olharam para trás, Bolinha acabara de abrir um pequeno pacote de pipoca e já mastigava algumas. O gordinho apenas deu de ombros.

― O que foi? Essa pode ser minha última refeição.

― Oh Diogooo! Aparece aí caramba! ― Lili logo quebrou os poucos cacos de silêncio que restavam.

― Xiu! Tá doida menina?! ― Carlinhos pôs uma mão na boca da garota. ― Nunca viu um filme de terror não? O coveiro vai vir direto pra cá!

― Quietos vocês dois! Ele pode tá usando o Diogo de refém e a gente aqui perdendo tempo. ― Lucas argumentou enquanto Bolinha arregalava os olhos.

― Aí galera... o que que é aquilo lá? ― O gordinho apontou para a frente e nas sombras um vulto negro correu entre os bancos. Carlinhos empalideceu, voltando a benzer-se três vezes. Tentou correr, mas sua fuga foi frustrada por Lili e Bolinha que o seguraram.

― Vocês não tão girando bem da cabeça não, pelo amor de Deus, isso é coisa pra adulto resolver, a polícia, o Batman... qualquer um! Não um bando de pirralhos feito a gente! ― Ao passo que Carlinhos tentava convencê-los a ir embora, Lucas caminhou na direção do vulto. Empunhou os gravetos e quando finalmente chegou perto, um gato preto correu do garoto, partindo para a janela e sumindo entre as lápides.

― Era só um gato. Sério que vocês tão com medo? Esse lugar não me assusta nem um pouco.

― Mas devia... ― Uma voz rouca surgiu na escuridão, enquanto a silhueta do coveiro se aproximava de uma das janelas. Lili logo correu para perto de Lucas com estilingue a postos. Bolinha e Carlinhos também se juntaram a eles.

― Desembucha velhote! Cadê o Diogo? ― A loirinha indagou rispidamente.

― Ele está ótimo... E logo vocês estarão com ele... num caixão! ― E para horror da turma, uma furadeira foi ligada acompanhada duma risada macabra. Carlinhos gritou por socorro, Bolinha começou a chorar e Lucas ficou paralisado de medo. Enquanto o terror se espalhava na face dos meninos, Lili puxou o elástico, mirou e atirou. A pedra voou no ar como uma bala, acertando a janela onde a sombra pairava. Pouco depois, um interruptor fora ligado, acendendo as luzes da paróquia. Lá estava o velho Epaminondas com a furadeira, e ao seu lado, o garoto ruivo que morria... morria de rir, segurando a barriga.

― Deviam ver a cara de vocês agora! Essa foi histórica! ― Ainda rindo, Diogo apontou para eles, que ficaram sem entender nada. O coveiro tirou a furadeira da tomada e a pôs no chão. Ergueu os braços e pediu desculpas pelo susto. O Seu Epaminondas era calvo, e tinha longa barba branca que o deixava parecido com um Papai Noel. Vestia uma dessas camisas de botão quadriculadas, bermuda camuflada e um par de chinelos nos pés. Diferente de antes, sua voz continuava rouca, mas agora tinha um tom calmo e gentil.

― Desculpem crianças, eu não resisti em pregar uma boa peça em vocês, mas digo logo que foi tudo ideia dele. O Diogo me contou sobre as histórias que falam de mim, e é tudo bobagem. Eu posso ter essa cara feia e enrugada, mas não faria mal a uma mosca! Quem vê cara não vê coração né? E vocês tão certos em desconfiar, tem muita gente ruim por aí, então escutem seus pais quando dizem pra não confiar em estranhos.

― É sério isso? Era tudo... armação? ― Lucas perguntou, ainda confuso.

― E vocês caíram direitinho! ― O ruivo confirmou com um sorriso zombeteiro, já Carlinhos ficou irritado.

― Pô Diogo, a gente ia pensar o quê? Que susto danado cara!

― Ah mas isso vai ter volta um dia, pode esperar... ― Lili advertiu com uma franzida de testa.

― Pelo menos todo mundo terminou vivo. ― Bolinha, já aliviado, voltou a mastigar a pipoca. Apesar da situação a princípio parecer sair de um filme de terror, no fim todos riram. O Seu Epaminondas não tinha nada haver com o quadro que pintavam dele.

― Meu trabalho é bem solitário, não recebo muitas visitas. Minha companhia é aquele gato preto que vocês viram. Chamo ele de Meia-Noite, porque sempre que dá essa hora o danado fica pelo telhado miando.

― E o senhor nunca... viu nenhum fantasma aqui no cemitério? ― Perguntou Carlinhos, ainda meio acanhado e um pouco temeroso pela resposta.

― Rapaz, eu espero nunca encontrar um tão cedo, até porque não aguento correr muito. Quando era novo até jogava de lateral e corria um campo inteiro, hoje vou devagarzinho até pra chegar na padaria. Mas é a vida, o tempo voa e de uma hora pra outra, suas costas começam a doer. As minhas? Coitadas, já estão pedindo minha aposentadoria faz tempo. ― Bem-humorado Seu Epaminondas comentou, vendo alguns sorrisos se formarem ao redor. Lili abriu a bolsa de lanches e deu a ele metade do seu cachorro quente. Durante o lanche, a turma ouviu o coveiro contar alguns de seus causos de infância e malassombros, sustos e risadas se misturavam em meio ao gesticular das narrativas.

Foi uma tarde e tanto, ninguém esperava que a brincadeira fosse terminar daquele jeito. Afinal quem poderia imaginar que o assustador coveiro de que todos falavam era só um senhorzinho simpático? Quando deu a hora, lá pelas cinco e meia, os amigos despediram-se do velho e voltaram para casa com uma história e alguns motivos pra dar risada depois. Lucas, Diogo, Lili, Carlinhos e Bolinha aprenderam de um jeito inesperado que as aparências enganam e que não se deve acreditar em tudo que se ouve por aí. Enfim, a Turma da Rua 13 desvendou o mistério do agora não tão assombrado, Cemitério das Boas Almas.

❖❖❖
Apreciadores (0) Nenhum usuário apreciou este texto ainda.
Comentários (0) Ninguém comentou este texto ainda. Seja o primeiro a deixar um comentário!