A Luz
Nelrem
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 09/11/21 03:02
Avaliação: 10
Tempo de Leitura: 2min
Apreciadores: 5
Comentários: 1
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Palavras: 336
[Texto Divulgado] "Asas de papel... A resposta" Um poema que mostra as dificuldades relacionamentais e um amor que serve como porto seguro.
Livre para todos os públicos

Esta obra participou do Evento Academia de Ouro 2021, indicada na categoria Conto ou Crônica.
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Capítulo Único A Luz

Um túnel de luz, como nada que havia visto antes abria-se para ela, envolvendo-a, moldando-a como uma mandala de cores e formas incompreensíveis, tornando-se tanto mais complexas como mais simples em meio a Luz. Ela cortava a escuridão como se esta jamais tivesse existido. Apenas traços desta restavam e desses traços, meras sombras. Padrões geométricos de tempo e espaço surgiam como se a realidade fosse um caleidoscópio. Fundindo-se com ela revelando eras passadas e futuras.

A luz também trazia sons e flashs de memórias. Uma queda. O som ecoante que seu crânio fez ao bater na calçada. O gosto e cheiro de sangue, sirenes e a escuridão. De repente a Luz. Ela sentia-se pulsar com toda aquela energia, as memórias não a perturbavam pois havia ali a Luz. Era como se toda a felicidade do mundo estivesse em seu ser, ela poderia explodir com aquilo tudo.

Aos poucos, sons começaram a vir da luz, eles eram murmurinhos intangíveis, sem importância.

Interrompendo abruptamente os murmurinhos um outro som. “Prrrtum!” Essa onomatopeia estranha também pulsava da luz, de maneira contínua e cada vez mais intensa, assim como os sussurros. Talvez fossem... Choros? Não sabia... Quando sentia que a resposta estava a milímetros de sua mente... “Prrrtum!”.

No entanto, mesmo ante essas interrupções sua percepção se expandia, primeiramente acanhada, depois uma forma concreta se manifestou. “uma janela?” Os murmurinhos se tornaram prantos, agora claros como um dia de verão e a luz vazava para dentro... Para dentro!

A realização violentou sua consciência, seus olhos não estavam abertos, mas ela via, sua boca não se mexia mas ela gritava, suas mãos arranhavam o verniz, mas seus dedos não se moviam. “Prrrrrrtum!”.

Até que a luz a abandonou, deixando apenas escuridão e desespero. Sozinha... Com os vermes e o pó de velhos ossos.

Seus gritos mudos arranhavam sua garganta, enquanto a última pessoa, uma velha, sua mãe, encurvada pela idade e lágrimas, ia embora. Com passos lentos e atentos a velha desviava das brancas lápides estendidas pelo vale, até o horizonte.

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Apreciadores (5)
Comentários (1)
Postado 09/11/21 21:38

É assustador pensar que talvez não haja nada depois da Luz ou antes dela, que ela seja apenas um único lugar (ou ser) em toda a eternidade finita que chamamos de vida. Com certeza, porém, sabemos que os vermes e a terra estarão lá para nós, prontos para nos transformar assim como muitos outros antes de nós.

Me senti num turbilhão enquanto lia sua obra pela primeira vez, e confesso que li mais umas três vezes, só para ser atingido pela brutalidade das imagens novamente. É muito bom.

Muito obrigado por compartilhar A Luz e parabéns pelo belíssimo texto!