Tradição Natalina
Kusadewareta
Tipo: Lírico
Postado: 10/12/21 14:15
Editado: 10/12/21 14:25
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 1min a 2min
Apreciadores: 3
Comentários: 2
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Usuários que Visualizaram: 7
Palavras: 317
Este texto foi escrito para o concurso "Terror Natalino" Neste Natal, o Papai Noel sumiu e o Jack é o menor dos problemas. Ver mais sobre o concurso!
Não recomendado para menores de dezoito anos
Notas de Cabeçalho

TW: Violência explicita. Se for sensível a esse tipo de conteúdo, cuidado.

Escrevi isso num surto pós noite virada na base de 8 xícaras de café, ouvindo Matanza. Nem achei que fosse conseguir fzer algo pro concurso, mas como queria muito participar por participar mesmo (amei a proposta), vos apresento este poeminha, mostrando-lhes o psicopata natalino que criei especialmente pra vocês.

Texto por Jess. Capa humilde provisória pela Kusa até ela desenhar algo mais decente/propício.

Capítulo Único Tradição Natalina

Como qualquer dia, na manhã de natal

Ergueu-se um sol gelado, típico do inverno

Esmorecido e belo, nessa data especial

Nunca distinguiu o céu dia terminal ou terno

Madruguei por toda a véspera preparando nossa ceia

E pela manhã a mesa já estava bem feia

Longa noite no orfanato, lua cheia a brilhar

Finalmente eu saciava minha vontade de matar

Vísceras e carne, ossos pra se empanturrar

Crianças que aturei pelo ano neste lugar

Para os malcriados essa foi a punição

Não é minha culpa se os bonzinhos saberão

Mas dizem que o Velho Noel não esquece de ninguém

Para fazer jus, pois, lhes alcançarei também

Na taiga iluminada o inferno lhes trarei

A caçada desse ano, jamais esquecerei

Desatino alguns nós, meia matilha segue afora

Manco até a troia, onde outros esperam a hora

As luzes distantes que juntos fizemos antes

Agora sinalizam meu caminho em instantes

Se vissem meu trenó com clareza, recostado

Vero saberiam, Rudolph foi inventado

A cor da lenda não passa de sangue encrustado

Rubro puro no focinho dos meus cães alimentados

Cascos galopando? Só seus corações batendo

Não por muito tempo, uivam meus esfomeados

Cada história que contei, cada amor que prometi

Ah, por este secreto momento, foi pra matá-los aqui

Largo as muletas, estatelam-se no chão

Como os bons garotos, penso rindo de antemão

Na sacola de presentes várias facas pra atirar

Apesar da idade, sei que ainda vou acertar

Os primeiros gritos começaram a ecoar

Bastou um crânio partido, com massa a espirrar

O cutelo se cravou bem na nuca do sujeito

E pude ver o corpo desfalecendo sem jeito

Os cães logo se juntaram no clamor de dor perfeito

Ri-me, só, pelo meu feriado sem qualquer defeito

Um por um os garotinhos acabaram chacinados

Então forjei minha própria morte, batina extra entre os finados

Afinal, este Noel encontrado não pode ser,

senão, não haverão mais lareiras a descer!

❖❖❖
Notas de Rodapé

Só de curiosidade, o nome do padre louco doentão é Aaron, mas ele muda a cada ano por... razões. No ano do poema, estaria atendendo por Ezequiel. Não tem uma das pernas, mas seus cães puxam o trenó bem mais rápido do que a maioria das pessoas consegue correr, mesmo, e quando isso não é o suficiente, ele compensa com a mira boa na hora de atirar o que tiver na cozinha. Feliz Natal e obrigado pela proposta divertida! kSKHSKHS

Apreciadores (3)
Comentários (2)
Postado 21/12/21 22:26 Editado 21/12/21 22:27

O que mais gostei na história foi a qualidade da escrita, nem uma vírgula fora do lugar. Meus sinceros parabéns! Se tem algo que me faz bem é ler um texto que sabe usar a linguagem com maestria.

Não ficaria admirada se descobrisse uma geração inteirinha que cresce com medo do Papai Noel depois dessa poesia. O bicho é ruim, mesmo! Adorei como o mito das renas puxando o trenó não passou de um mal entendido (que o velhinho aproveitou pra usar em seu favor, já que ele não é bobo nem nada).

Parabéns pelo texto e boa sorte no concurso <3

Postado 25/01/22 23:51 Editado 26/01/22 00:00

Sorrio de orelha a orelha (re) lendo suas palavras e sabendo que foi uma leitura agradável.

Interesse expresso pelos meus personagens, nos quais tanto gosto de trabalhar, sempre alegram minha semana, assim como um elogio tão direto aos meus versos.

Sei que estou respondendo tardiamente, mas tem minha sincera gratidão!

-Jess

Postado 03/01/22 15:27 Editado 03/01/22 15:45

Para mim, as tradicionais tradições natalinas sempre foram sinônimo de tédio. Por mais que eu não sinta um apego e/ou devoção para com essa época festiva e suas tradições, não significa que sua obra não tenha chamado minha atenção. Muito pelo contrário!!! Ao decorrer da leitura, minha atenção aumentava, assim como a minha vontade de descobrir as ações hediondas deste eu lírico.

Um aspecto interessante em sua obra está na estrutura da mesma, pois foi a única do concurso a utilizar o tipo lírico. Esta estruturação, por si só, possui uma complexidade mais elevada do que o conto/crônica. Além disso, os versos são muito bem construídos, possuindo um ritmo constante com rimas acentuadas (imagino que isso tenha dado um trabalho danado). Todos esses aspectos estão dançando em torno dessa melodiosa sinfonia hedionda de natal.

Ademais, seu poema está bem escrito, no entanto senti falta dos pontos finais ao término das estrofes. O aspecto criativo, assim como a compatibilidade estão de mãos dadas o tempo todo ao decorrer dos versos. O eu lírico de seu poema traz à tona ao decorrer da leitura a violência natalina na medida certa, portanto, é certo dizer que me encantei e gostei bastante.

É com grande alegria (e um leve trauma após a leitura kkkkk) que agradecemos sua participação em nosso concurso! Muitos cenários hediondos foram desbravados através desta proposta, porém, o seu em especial, nos mostrou como um cenário natalino bem elaborado e encharcado de sangue e violência, combinam com a sutileza da poesia. Queremos e esperamos vê-lo participando dos posteriores concursos que estamos elaborando.

Obrigada por compartilhar conosco.

Parabéns, Kusadewareta ♥

Postado 26/01/22 00:14

Ohoo! Significa muito para um poeta de poucos versos quando dizem que sua obra "compridinha" capturou a atenção. Fico realmente agradecido!

Poesia pode até dar trabalho, mas diverte-me o bastante para que nem veja o tempo voar, então, quando vi "lírico" na proposta, de forma alguma deixaria passar batida uma oportunidade tão boa para um banho de sangue quentinho em meio à neve.

Mas, realmente, eu escrevi e revisei esse texto mais fora de mim do que dentro. Típico comportamento de um meio-lobo. Portanto, com mais alegria ainda, aceito suas palavras gentis, o convite para os próximos concursos... E o trauma. Hehe. Obrigado mais uma vez,

- Jess.