Nossas (in)coincidências astrológicas
Green
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 26/01/22 22:07
Editado: 13/03/22 19:06
Gênero(s): LGBT Romântico
Tags: Azul_
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 4min a 5min
Apreciadores: 1
Comentários: 2
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Palavras: 671
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Livre para todos os públicos
Capítulo Único Nossas (in)coincidências astrológicas

Ainda me lembro dos tons floridos nos teus olhos quando me sorriu pela primeira vez. Como sempre fui do tipo que observa, fascinou-me à primeira vista as tuas palavras cheias de sonhos, os teus gestos avoados que me roubaram sorrisos envergonhados de curiosidade palpitante.

Surpreendeu-me com teu inusitado interesse em mim. Justo eu, que, dentre todas as pessoas que compunham aquele círculo social em que você ascendeu sem aviso prévio, era o mais calado, o menos interessante.

Eu realmente não esperava ter a atenção de um pequeno raio de sol como você. Realmente não esperava os teus olhos floridos tão focados em mim quando descobriu que eu assistia à tua série preferida. E quando, no final daquele dia, tu pediu meu número e perguntou se podia me mandar mensagens, com aquele sorriso puro de quem acabara de fazer um amigo, eu achei que nada mais em ti me surpreenderia. Mas, é claro, eu estava enganado.

Descobri com o tempo que tu era demasiado apegado às pessoas da tua vida, e percebi que eu era uma delas quando ligou-me de madrugada para chorar a morte do teu gato, que naquele dia fora identificado atropelado numa rua perto da tua casa. Eu soube que era importante quando segurou minha mão forte aquela vez que encontramos por acaso o teu ex no shopping, numa daquelas nossas saídas aleatórias para tomar sorvete e jogar conversa fora.

E eu acho que acabei me apegando a você também, já que nunca antes havia sentido ciúmes de um amigo que voltou com o ex namorado, por mais escroto que ele fosse. Logo ele, que nunca te valorizou, mas que ainda assim você era perdidamente apaixonado. Eu odiei ter que ver teu coração ser despedaçado novamente e não poder fazer nada além de te ajudar a recolher os cacos. Mas foi exatamente isso que fiz, já que eu era egoísta e queria poder admirar novamente os teus olhos floridos.

Confirmei minha teoria de que eu esperava mais do que apenas aquela amizade que nos conectava quando tu me beijou naquela noite na casa dos teus pais, quando me convenceu de que beber um pouco de vinho em baixo da mesa “porque era divertido” não seria um problema, já que eles “provavelmente não notariam”. E quando tu sorriu com os olhos floridos meio cerrados pelo álcool e me pediu desculpas, dizendo que não devia fazer aquilo como uma pessoa como eu, que era preciosa demais para fazer parte dessa parte confusa e frustrante da tua vida, e eu também culpei a bebida quando ignorei todos os meus avisos mentais e te disse que não precisava complicar as coisas, então tive certeza.

E eu não soube identificar na hora com exatidão as borboletas no meu estômago quando, na manhã seguinte, tu encolheu-se ao meu lado naquela cama improvisada que fizemos para mim no chão do teu quarto, me abraçou com as mãos geladas e murmurou um bom dia sonolento como se fosse a coisa mais natural de todas.

Eu nunca soube te decifrar, essa sempre foi minha única certeza. Porque tu sempre foi tudo para mim, menos previsível. E eu sempre quis tudo de você, menos o teu sofrimento.

Parando para analisar agora, acho que eu devo ter me apaixonado pelas nossas (in)coincidências astrológicas. Sabe, eu de aquário e tu de peixes. Nunca daríamos certo, não é? Mas demos. Tu foi a grande paixão da minha vida e eu só tenho a agradecer por isso.

Desculpe se tu estiver chorando enquanto lê isso. Espero que possa me perdoar, algum dia. Eu sei que tu pediu para que eu não te escrevesse nada, porque não queria que o nosso adeus soasse para sempre, mas, veja bem, ele é.

Nós somos cometas um para o outro. E dói em meu coração imaginar que teus olhos floridos nunca mais orbitarão minha rota.

Então, apesar disso, te desejo uma vida feliz. Eu sei que você está perto de alcançar teus sonhos, assim como eu estou perto de alcançar os meus.

Boa sorte, Amor. Viva bem.

❖❖❖
Notas de Rodapé

Texto escrito em 2018 e originalmente postado no site Spirit Fanfiction pelo user @dustEstrella.

Apreciadores (1)
Comentários (2)
Postado 25/02/22 15:08

Parece que escapamos por pouco de situações semelhantes

ou sobrevivemos

ou vivemos.

Não sei direito, mas é sempre bom transformar em palavras. Deixa mais real, palpável, e até, quem sabe, tangível, para tangermos.

E, ah, são vivas as palavras.

Postado 31/05/22 17:57

A separação gentil é mais dolorosa que o rompimento brutal, sentimentos honestos e palavras doces marcam digitais em nosso coração, principalmente quando são de despedida.