365
True Diablair
Tipo: Lírico
Postado: 03/02/22 11:05
Editado: 03/02/22 12:20
Gênero(s): Poema Reflexivo
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 2min a 3min
Apreciadores: 4
Comentários: 3
Total de Visualizações: 190
Usuários que Visualizaram: 8
Palavras: 365
[Texto Divulgado] ""
Não recomendado para menores de catorze anos
Notas de Cabeçalho

Era para ter sido postado antes, mas enquanto fazemos planos, o Universo gargalha da/na nossa cara.

Capítulo Único 365

Há pouquíssimo mais

De um ano atrás

Foi, das dores, o princípio

O pináculo do precipício

De onde me vi atirado

Para uma queda desenfreda:

(Uma toalha jogada)

Pesadelo de um sonho derivado.

Quanto de mim foi substituído

Literalmente destruído

Para sempre perdido

Conforme fui seguindo ferido

Para no final de tudo aquilo

Ver todo o meu esforço

Ser jogado no lixo

Da forma mais cruel

E literalmente explícita

Jamais esperada

Sequer imaginada

Ou, julgo eu, merecida?

E no final de tudo

Onde até existia

A compreensão

Onde ainda cabia

O (auto)perdão

Foi logo se dissolvendo

Em coisas que sequer mais tento

Imputar definição

Não existe mais sorriso

Com as memórias

Pois no fundo do abismo

Percebi a moral da história

E apesar do conhecimento

Do entendimento

Do amadurecimento

Advindos daquele tempo

Aqui, bem aqui dentro,

Lembro bem do sofrimento

Atualmente tripudiado

Ainda que ele tenha marcado

E desfigurado

O âmago hoje cicatrizado.

Tentei seguir pelo caminho

Que era o mais difícil

E hoje percebo a inutilidade

Te ter tentado fazer isso

Pois no fim não houve piedade

Apenas algo unilateral

Uma atroz pá de cal

Inclementemente estourada

Bem na minha cara

Fazendo com que fique

O eterno gosto

Amargo, rançoso,

E inesquecível

Na boca que nunca mais

Irá tornar a se abrir

Para proferir

O que quer que seja

A respeito de todo o inferno

Do qual finalmente desperto

(Mais esperto)

Para um futuro ainda incerto

Pois decerto

Ocorreram outras dores

Ainda maiores na época

(E que prosseguirão

Assolando feito furacão

Sem prazo de duração

Em constante tribulação

Cobrando no coração

E na mente seu quinhão...

Descanse em paz, meu irmão)

Mas essa foi a primeira,

Aquela cuja horrenda ferida

Foi a mais revolvida

Tanto por quem a gerou

(Mais uma vez; pela última vez)

Quanto por mim mesmo

(Não mais; nunca, nunca mais).

Eu fui muito, tão infeliz...

Mas é como se diz:

O que não te mata, te fortalece

Vamos ver o que acontece

Quais sofrimentos e/ou perdas

Ainda estão por vir

Ou se, ainda sem muita certeza,

Surgirão novos motivos para sorrir

(Será? Tomara...)

Pois tudo na vida passa/acaba

Principalmente o que é/deveria ser bom

Mas também o que foi/é ruim...

❖❖❖
Notas de Rodapé

"Entre o outra vez e o nunca mais, existe uma decisão."

Minha mais sincera, profunda e indelével gratidão aos poucos que estiveram comigo durante todo aquele ano tão monstruoso...

Igualmente muitíssimo obrigado por quaisquer leituras e/ou reviews.

Apreciadores (4)
Comentários (3)
Comentário Favorito
Postado 07/02/22 15:08

Querido amigo, eu lamento muito por todas as suas perdas e tormentas, queria que estivéssemos na linha do tempo em que o mundo é mais gentil e que o coração não pesa a cada batida, mas estamos nesta aqui, aonde as mais bizarras e inesperadas coisas ocorrem, aonde não temos controle e nem culpa sobre elas, e só nos resta nos perdoar e tentar distrair a alma com o que realmente nos trás felicidade, por mais que às vezes, seja até mesmo difícil de saber o que de fato, nos trás felicidade, mas ela existe e pode estar tímida, mas mesmo nesta linha do tempo, temos diversos caminhos para os quais seguir e sei que muitos deles levam a corredores de maravilhas, do qual somos merecedores e tenho certeza que você irá encontrá-los e não que nada "valha a pena" todo o sofrimento, mas alenta e nos deixa finalmente em paz.

Que poema nu, puro em seu cerne, com palavras que correm como água, com verdades que refletem como tal... Você é arte pura e você tem dons e forças fora do comum! É uma honra ter esbarrado com você por essas caminhos estranhos que a vida nos enfiou e sempre há esperança! "One day life will be kind" e este dia precisa ser vivido!

Obrigada por abrir seu coração aqui nesta peça de arte tão profunda e importante! Se sinta abraçado! E perdoe pelos devaneios chatos <3

Postado 17/06/22 16:25

Ah, estimada Huldra... Só posso dizer que se não existia limite para o perdão, há algum tempo esbarrei em um.

O sofrimento ensina, mas igualmente marca.

Todavia, e mesmo sem muita convicção ou esperança, a vida prossegue e talvez (apenas talvez), a roda eventualmente gire para todos.

Muitíssimo obrigado pelo apoio e amparo, querida e saudosa amiga. De todo o meu mofado e mordaz coração. Gratíssimo!

Postado 03/02/22 21:45

Este é nosso tipo favorito de texto. True Diablair, deixaste todos os lobos dessa pequena alcateia exultantes com cada verso. Amamos como os versos se desenrolam. A forma como as rímas e o ritmo vão se construindo, bem estruturados, ainda que simultaneamente ostetando a liberdade tão marcante da nossa época, sem perder os sentimentos e o sentido. Um fluxo de consciência caótico e ordenado. Realmente adoramos isso, cada um de nós! (Além do simples fato de nos identificarmos um pouco, também).

Nossos mais sinceros agradecimentos por escrever e partilhar estes versos, que tornaram nossa noite mais interessante. Só o que diremos, por fim, é que, realmente, tomara... Mesmo que seja apenas talvez. Desejamos de verdade que novos motivos surjam para você.

~ Toda a Alcateia. ~

Postado 17/06/22 16:16

Uma vez mais, agradeço sincera e profundamente a esta alcatéia por este comentário não somente positivo, mas tambén deveras empático...

Tomara que ainda haja tempo, ocasiões e motivos.... Para todos nós...

Muitíssimo obrigado! Gratíssimo!

Postado 12/02/22 13:11

Guerreiro queima no inferno antes levantar o machado e o escudo.

Aí guerreiro luta, e luta, e luta, e quando dói faz poesia.

Bom ver que papai Noel ainda existe!!!

Postado 17/06/22 16:27

A fornalha deste Inferno quase destruiu o guerreiro, mas no fim sobrou algo cuja mácula e força são equivalentes. E, mesmo sob as chamas, ele ainda permanece.

Minha mais imensa gratidão, Right R! Gratíssimo, gratíssimo!