Dia dos namorados
Daikiri
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 16/06/22 20:08
Gênero(s): Suspense
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 2min a 3min
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Palavras: 396
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Não recomendado para menores de dezesseis anos
Notas de Cabeçalho

Como eu dou uma classificação de genero pra algo que eu nem sei do que se trata? se eu pudesse apenas ser normal

Capítulo Único Dia dos namorados

Eu segurei no cabelo louro dela e puxei forte, enrolando seus fios em minha mão e tocando com a palma a parte de trás de sua cabeça. Com isso fiz sua cabeça bater no metal frio da mesa. Ela teria soltado algum grito, ou gemido, se ainda estivesse viva. Não sei o que tinha errado comigo, mas eu amava violar aqueles corpos em estado de putrefação. Não sexualmente, mas… Fisicamente. Eu os agredia. Era uma sensação da qual eu tinha me tornado dependente. Como meus vícios anteriores, eu jamais me via satisfeito com isso. De novo, de novo e de novo. Esquecia de comer, mas todas as horas em que eu havia planejado estar lá, e nas quais eu tinha me acostumado a consumir aquela sensação, eu devia estar lá para mais uma dose do meu remedinho. Talvez isso demonstrasse o quão covarde e impotente eu era na vida social, mas apenas eu sabia disso então não tinha problemas.

– Agora, o que eu faço com você, minha doce criaturinha? – Eu disse, olhando as costas frias e bonitas daquela mulher morta. Estava nua, e era atraente, mas eu não sentia tesão em sua figura em si. A excitação morava nas possibilidades. Diferente de um ser vivo, cujas regras eu devo respeitar, ela não me limitava. Podia beijar sua carne morta ou rasgar a pele toda, fazendo cortes profundos e agressivos. – São tantas possibilidades que eu nem sei o que fazer com você, cachinhos dourados.

Larguei os cabelos dela, pus a mão no bolso do casaco e tirei dele um estilete. Vendo a ponta da lâmina com um sorriso, aproximei a dita cuja das costas expostas da madame sem vida. Apesar de não haver sangramento, por ter morrido a um bom tempo, a sensação de rasgar a pele era deliciosa por si só. O sangramento era, como posso dizer, um complemento.

– Cara, você tem uns passatempos cada vez mais estranhos – eu disse, pra mim mesmo. – Sim, sim. Eu sei disso. Mas, o que esperava de um cara estranho? – Sacudi a cabeça em negativa. – Sim, sim. Mas no dia dos namorados? Cara, você não tinha coisa melhor pra fazer hoje do que passar a noite com um cadáver? – Soltei o bisturi e alisei com a ponta do dedo o corte que havia acabado de fazer naquele corpo. – Bem, eu sei que nada seria mais interessante e divertido que isso.

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