Julieta Banguela
Rutinaldo Miranda
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 17/06/22 23:35
Editado: 18/06/22 14:19
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 2min a 3min
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Capítulo Único Julieta Banguela

Foi uma grande coincidência. O tipo de coisa que só o destino apronta. Primeiro dia de aula na faculdade. Olhares curiosos para todos os lados. No fundo, eram apenas jovens comuns. Orgulhosos de se tornarem universitários. Mas uma pessoa chamou a atenção dele naquela sala. Uma garota sentada na última cadeira. Tinha o rosto delicado com grandes olhos castanhos.

Como era de se esperar. Na aula inaugural, todos foram apresentados. E que surpresa! Ela se chamava Julieta. Não seria nada de tão espetacular assim, se ele não se chamasse... Romeu! Ali estavam aqueles dois nomes simbolizando o Amor. Por isso, naturalmente surgiu um magnetismo instantâneo entre eles. Claro que o mancebo sempre era mais exagerado. Afinal, a discrição passava longe dos homens. Romeu olhava insistentemente mesmo. Só que ela também retribuía, com umas olhadinhas faceiras, de vez em quando.

Meia hora depois, o Romeu tinha a maior certeza de sua vida. Foram feitos um para o outro. Tão romântico quanto a farofa e a farinha. Inseparáveis como o angu e o fubá. Só tinha um probleminha. Julieta era muito tímida. Demais mesmo da conta. Inclusive, até para falar tapava a boca, coitada. Mas para um Romeu apaixonado qualquer tempestade virava chuvisco. Eles moveria os céus e Terra, mas colaria em seu amor.

Chegou de mansinho. Seguindo um plano sagaz. Quer dizer, sagaz e patético. De uma cadeira vazia para outra, foi sentando cada vez mais atrás. Finalmente, se posicionou ao lado dela. Mas não sabia o que dizer. Todas as palavras fugiram. Felizmente, quando a língua empacava, um sorriso salvava a pátria. E o Romeu sorriu. A Julieta também. Então, o desespero surgiu no rosto dele. A sua amada tinha apenas dois dentes. Só dois dentes, meu Deus! O Romeu logo murchou. E seu amor também. Mas a pobre Julieta já estava acostumada. Aquilo sempre foi um motivo de decepção em sua tenra vida. Não tomaria veneno por isso, como na história famosa. Ah, não! A sua banguelice não era sinônimo de burrice (uau, que frase de efeito!). Por isso, a Julieta colocou um implante dentário. E assim, foi feliz para sempre. Com quem? Com Irineu, é claro. O seu dentista apaixonado.

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Comentários (1)
Postado 18/06/22 15:50

Que texto mais gostoso de se ler, um princípio que parece indicar um final obvio, mas que por fim não é.

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