Águas Profundas (Em Andamento)
Esfinge
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Tipo: Romance ou Novela
Postado: 18/06/22 15:54
Editado: 19/06/22 21:22
Qtd. de Capítulos: 19
Cap. Postado: 19/06/22 20:37
Avaliação: 10
Tempo de Leitura: 10min a 14min
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Palavras: 1698
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Não recomendado para menores de dezoito anos
Águas Profundas
Capítulo 16 Capítulo 16

Um homem aportou uma pequena canoa na margem do rio. Ele pulou no píer velho pelo tempo e que há anos não era utilizado. Ele caminhou com experiência pelo pântano, pois ali o terreno era irregular e tudo era coberto por plantas aquáticas, não sendo possível distinguir o que era terra firme ou não. Um nevoeiro cobria tudo e apenas uma fraca luz azul era vista em algumas partes. Ele podia sentir olhos em si mesmo em todas as direções e um instinto de perigo pairava no ar. Todavia, ele não seria atacado sem uma ordem. Uma casa de madeira pode ser vista e ele parou cruzando os braços e aguardou. Logo depois, um movimento na água foi ouvido e um outro homem apareceu mostrando parte do corpo.

− Zahir...O que aconteceu? − Ninguém em sã consciência teria coragem de ir naquele território, a não ser aquela pessoa, e por uma boa razão.

−Caçadores. Chegaram hoje e subirão o rio amanhã. O barqueiro os deixará na divisa do canal e eles seguirão até o santuário.

O homem silvou e a água se agitou com os movimentos e mais silvos.

−Teremos permissão para ultrapassar o território?

−Sim. Pelo menos até termos matado todos eles. Eles estarão com dois ômegas, tenham cuidado para não os machucar.

− Ômegas? − Ele virou a cabeça em dúvida.

− Amanhã eu explico melhor.

− Certo. − Ele deu um sorriso mostrando os dentes afiados. − Será divertido, eu não me alimento há muito tempo. − Ele mergulhou na água, desaparecendo.

O homem também sorriu e se virou, desaparecendo na floresta.

Depois de avisar os demônios, o homem subiu o rio. Há algumas horas do santuário. Ele chegou em uma caverna no chão e pulou para a escuridão, rastejando por labirintos de cavernas e rios subterrâneos. Mais à frente, o túnel ficou iluminado. Naquela parte, todas as paredes brilhavam com pedras preciosas e mágicas. Um homem esculpia uma parede com calma e nem precisou se virar para saber quem era. Ele podia sentir e ouvir por muitos e muitos quilômetros.

− Zahir, meu pequeno. Faz tempo que você não nos visita.

− Taj − Ele fez uma reverência respeitosa, mas o homem apenas jogou a pedra num canto e foi até ele, lhe dando um abraço esmagador.

Zahir bufou e deu tapas para que ele o soltasse. Ele não era mais criança.

O macho apenas o ignorou como de costume e continuou lapidando a parede.

− Que tanta cerimônia, o que foi?

− Caçadores. − Ele não precisava dar nenhum detalhe.

− Atrás da Titanoboa? Me diga uma novidade. − O Homem riu, sua risada fazia todo o seu corpo gigantesco tremer. Mesmo naquela pele humana, seu tamanho era impressionante. − O que você quer que eu faça?

−Bom, você é o líder desse território.

− Contra a minha vontade. Eu já estou velho demais para ficar correndo com caçadores.

Zahir suspirou, ele imaginava aquilo.

− Tudo bem. Eu já avisei o líder dos demônios D’água. Apenas vim informar o que acontece na nossa região.

− Só não permita que cheguem perto da aldeia. − Dessa vez a voz soou séria.

−Sim, eles não viverão para chegar até lá.

− Bom. Eu confio em você.

Zahir assentiu e fez mais uma reverência como despedida.

• ────── ✾ ────── •

A noite na hospedaria, o barulho de homens conversando e bebendo podia ser ouvido. Depois de um tempo, Aydan e Rinne também ouviram uma movimentação e alguns homens entraram no quarto de Raiden que ficava no final do corredor.

− O que você acha que eles estão tramando? − Rinne cochichou com Aydan, os dois grudados na porta esperando ouvir algo.

−Eles querem caçar alguma besta da região. Não sei como. −Aydan suspirou sentindo falta da irmã. Ele apostava que nesse momento, com o poder de sua intuição, ela já teria descoberto tudo. − Eu irei sair para tentar ouvir melhor, você fica.

− Por que eu sempre tenho que ficar para trás?

−Porque eu ganhei um voto de confiança e posso sair do quarto. −Aydan falou o óbvio.

−Droga.

−Não se preocupe, os homens de Raiden não podem me tocar.

Aydan abriu a porta e saiu no corredor, porém um guarda estava na porta e o olhou.

"Merda"

− O que você quer aqui fora?

−Eu apenas vou ao banheiro. −Aydan mentiu e teve que usar o banheiro e voltar para o quarto.

− E então? Por que voltou?

−Tem um guarda na porta.

Os dois xingaram e pensaram por um tempo e Aydan olhou para a janela. Nem tudo estava perdido.

Ele abriu a janela devagar e para a sua sorte, a hospedaria tinha um bom pedaço de apoio por fora. Aydan podia ver duas janelas a frente e a última ser a de Raiden.

Rinne olhou para baixo, eram uns bons três metros do chão.

− Eu acho melhor não, irmão.

− Bobagem. − Aydan demonstrou agilidade ao pular a janela, deixando Rinne surpreso.

Ele caminhou com cuidado até a outra janela, olhando se ninguém estava no outro cômodo, mas o que viu o fez parar. No segundo quarto, a menina ômega estava deitada, no que parecia ser um sono profundo. "O que ela faz aqui? Eu não a vejo desde o bordel..." ele pulou para dentro do quarto e foi até a cama para ver sua condição. Suor cobria a pele dela e a expressão era de dor. Ao lado da cama, um escaninho tinha um caderno, tinta e um pincel fino de escrita. Aydan foi até ele o abrindo e lendo com pressa, tentando entender o máximo, antes que alguém aparecesse. “hemorragias...risco de morte pós-parto" Após ler algumas páginas, ele sentiu-se perder o chão. O medo e pavor era tanto que seu estômago revirou.

Uma porta foi aberta, o despertando e Katsuo o viu.

− Seu merdinha! o que faz aqui?

− O único merda aqui é você! Seu filho da puta! – Aydan explodiu jogando as anotações nele.

Ele sentiu tanta raiva que não se importava mais se ele e seu irmão viviam ou morriam. Aquele destino era pior que a morte. Ele não seria mais abusado e nem forçado a ter filhos com homens como Katsuo e Raiden.

Katsuo avançou nele tentando o arrastar para fora do quarto, mas no momento que ele colocou a mão em seu ombro, uma serpente negra deu o bote.

− Desgraçada! Katsuo puxou a serpente de sua mão, apertando-a.

− Zara! Não! − Aydan deu um soco em seu rosto com toda força que tinha, fazendo Katsuo soltar a serpente no chão.

− O que está acontecendo aqui? − Raiden entrou no quarto, atraído pelos gritos.

Katsuo puxou uma de suas pílulas de cura e a engoliu, mas ainda assim, a Víbora da Noite tinha um veneno que podia matar mais de trinta homens em apenas alguns minutos.

−Droga. Homens venham aqui!

Um grupo de homens entrou no pequeno quarto e não sabia o que olhar primeiro.

− Se mexam logo e façam uma transfusão de Qi! – Raiden ordenou.

Eles se ajoelharam e começaram a passar um pouco da sua energia vital.

Aydan ficou parado desejando que Katsuo fosse para o inferno. Ele lembrou que Zara tinha sido machucada e foi até embaixo da cama pegar serpente que respirava com dificuldade.

−Não, por favor, Zara! Resista!

− O que diabos você tem aí? Uma cobra? – Raiden viu a serpente negra nas mãos dele.

Aydan nunca tinha visto Raiden com tanta raiva, um dos seus melhores homens tinha sido abatido. Ele foi até ele e Aydan correu até a janela para jogar a amiga, na tentativa de salvá-la. Se Raiden a pegasse, ele a fatiaria em pedaços.

Depois de jogar Zara pela janela, Raiden o pegou pelo pescoço, os olhos brilhavam de raiva e ele sorria como um louco.

− Ah, eu deveria ter esperado isso de uma cobra ardilosa como você! Me atraindo com a sua beleza e me atacando na primeira oportunidade!

−Vá para o inferno! – Aydan lutou para se libertar.

Raiden apenas colocou mais o corpo dele no seu.

−Você irá se arrepender disso. Quando isso acabar, irei garantir que não consiga andar por dias.

− Apenas me mate! Eu prefiro morrer mil vezes a me deitar com você.

− Prefere morrer a dormir comigo? Me odeia tanto assim? Depois de tudo que eu fiz por você...−Ele apertou o pescoço de Aydan marcando a pele. −Eu não vou te matar, Aydan. Eu sei a forma mais dolorosa de te atingir, a sua maior fraqueza. Eu não pretendia colocar você e seu irmão no meu plano, mas agora...irei te mostrar o quão ruim eu posso ser, e fazer você perceber como eu fui bom todo esse tempo.

Raiden o beijou à força mordendo os seus lábios e depois o puxou pelo corredor. O guarda que estava na porta se ajoelhou pedindo perdão e ele apenas o chutou, abrindo a porta e jogando Aydan em cima de Rinne.

−Aproveite a noite com o seu irmão, Aydan. Poderá ser a última. – Raiden bateu a porta com um estrondo.

Aydan ficou paralisado onde estava e Rinne veio em seu auxílio, mas ele não conseguia ouvir mais nada.

"Isso ainda tem como piorar? O que eu fiz..." ele não conseguia ver uma saída daquela situação.

Aydan lembrou-se de Zara e conseguiu forças para ir até a janela, mas a mata era escura demais para ver qualquer coisa.

• ────── ✾ ────── •

A pequena serpente respirava com dificuldade. Havia sido apertada com muita força e seu corpo era a sua fraqueza, em vista do seu veneno. Ela sentiu alguém se aproximar e a pegar no colo. Passando a mão por suas escamas, a examinando.

− Pelo visto, você lutou bravamente. Tem o meu respeito. − Uma luz de energia surgiu de sua mão e a serpente sentiu a dor ir embora, sentindo-se sonolenta.

O homem guardou a serpente e olhou para a estalagem, sentindo e contando quantas pessoas estavam lá. Ao ouvir o barulho da confusão, ele ficou tentado a entrar, mas seria perigoso destruir a estalagem e acabar matando pessoas inocentes. Ele inspirou algumas vezes controlando a raiva.

O homem certificou-se que os ômegas não seriam mais castigados e foi embora.

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