Águas Profundas (Em Andamento)
Esfinge
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Tipo: Romance ou Novela
Postado: 18/06/22 15:54
Editado: 19/06/22 21:22
Qtd. de Capítulos: 19
Cap. Postado: 19/06/22 20:40
Avaliação: 10
Tempo de Leitura: 9min a 12min
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Palavras: 1501
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Não recomendado para menores de dezoito anos
Águas Profundas
Capítulo 17 Capítulo 17

Ao sair do sol, caçadores começaram a levar os equipamentos para o barco, enquanto eram observados pelo barqueiro silencioso e tão pouco interessante. Kei era um homem ainda jovem e magricela, com a pele queimada pelo sol. Usava roupas largas e um grande chapéu de palha com um lenço. Somando isso com sua falta de expressão facial, o trabalho dele era fácil. Aquela não era a primeira vez e tinha certeza que não seria a última que mercenários visitavam aquela região com propósitos obscuros.

Ele viu os dois homens trazendo os dois ômegas acorrentados e apertou firme o timão. “Algo me diz que dessa vez terei que tomar mais cuidado ainda” o jovem pegou uma pílula de suas vestes e colocou na boca, mastigando-a.

Aydan e Rinne foram arrastados com agressividade assim que o dia nasceu. Pelo falatório dos homens, Katsuo seguia vivo graças a pílula de alto nível medicinal. Aydan observou o belo barco de madeira ancorado e que possuía dois andares. Em outras circunstâncias, ele teria amado ter a oportunidade de viajar de barco em um lugar tão lindo. Os dois foram colocados na cabine e logo Raiden entrou com dois pacotes enrolados em papel pardo, deixando os dois jovens tensos.

−Sabe minha querida, desde a noite passada, sinto que não tenho sido justo com você. Visto que você é minha companheira e futura mãe dos meus filhos, terá que participar mais do negócio da família. −Raiden alcançou o pacote para Aydan que o pegou a contra gosto.

−O que é isso?

−Abra.

Aydan engoliu em seco e abriu o pacote, vendo uma bela túnica vermelha de cerimônia. A mesma que Aydan tinha jurado não colocar mais quando ainda estava em sua casa.

−Você quer que eu vista isso e seja uma isca? −Ele imaginava qual seria o plano e a punição que Raiden daria a ele.

−Qual o problema? Tenho certeza que você ficará belíssimo vestido de noiva. −Ele sorriu em deboche. −Sabe, essa cor também será útil caso se suje de sangue.

Raiden segurou seu rosto e Aydan não podia evitar que as lágrimas caíssem quando ele beijou seu rosto e saiu.

Rinne olhou o homem com raiva e desejou pela primeira vez na vida, que as feras vencessem e matassem todos eles.

O barco partiu da margem e subiu o rio de águas calmas e escuras. Raiden e os mercenários se juntaram no convés e conversavam em silêncio olhando o mapa.

Kei ficou tentado a se aproximar, mas de nada adiantaria saber o plano deles, além de levantar suspeitas. Um medo se apossou dele como nunca, conforme chegavam próximos do lugar combinado. “essa sensação é estranha” era a primeira vez que ele sentia aquilo.

Ele parou o barco onde ficava a divisa.

− Há alguns quilômetros fica a aldeia mais próxima − Kei informou. Não era uma mentira, porém a aldeia ficava bem antes daquele lugar, e o lugar que ele direcionou não era a direção correta.

Raiden pulou nas margens sendo seguido por mais quinze homens e os dois ômegas. Depois de descerem com parte do equipamento ele voltou e falou com Katsuo.

− Boa sorte em sua jornada, Katsuo. Tem certeza que consegue dar conta?

− É preciso muito mais que uma cobra para me parar.

− Desculpe, seguir comigo? −O barqueiro se intrometeu na conversa.

Katsuo olhou para ele.

−Sim, você me levará para o território dos demônios de água doce.

− O quê? Eu disse que não subo a margem direita, ir até lá é suicídio! Vocês só podem estar loucos.

− Para alguém que conhece tanto a região, você é bem covarde. Decida, ou nos leva por bem, ou te matamos e usamos o seu corpo como isca.

Aydan também ficou confuso com aquele desenrolar, observando toda aquela estranha conversa. "Eles vão se separar? Achei que fossem caçar juntos..." o barqueiro pela primeira vez deixou uma emoção de medo transparecer no rosto, mas ele apenas engoliu em seco e pareceu tomar a sábia decisão de não contrariar aqueles homens.

− Certo. Eu os levarei e depois também posso trazê-los de volta. Não é necessário usar a violência.

Katsuo concordou satisfeito e assim o barco partiu novamente.

Depois da partida, o grupo de mercenários se reorganizou e partiu para a selva densa. Aydan e Rinne ficavam no meio do grupo e sentiam que morreriam de calor a qualquer momento, a umidade do ar fazia eles suarem e a quantidade de insetos era perturbadora. No caminho, cobras e mais cobras atacavam de cada canto e em cada passo, e até de cima das árvores.

−Um caçador teve seu calcanhar mordido por uma serpente e caiu no chão agonizando.

Raiden matou a cobra com um facão e matou o homem com um golpe. Deixando todos nervosos.

− Ou vocês se tornam mais cuidadosos ou seus corpos ficarão aqui. Eu selecionei todos os homens aqui a dedo e deixei claro que não aceito covardes e fracotes. O que estão esperando para erguerem uma barreira?

Os homens tão poucos pareciam preocupados com o colega que tinha sido morto e ergueram suas barreiras de energia e seguiram caminho novamente.

Com o cair da tarde, o grupo entrou numa clareira que se abria para o rio.

−Que merda é essa? Estamos andando em círculos? −Raiden olhou para o terreno que havia deixado de ser terra e mato e era feito de pedra.

−Seguimos na direção que o barqueiro apontou, chefe. Pelos meus cálculos, já deveríamos ter encontrado a aldeia.

Raiden andou mais um pouco seguindo o caminho de pedra e passou por uma cortina de folhas.

− Nossa...venham ver isso. −Raiden chamou.

Os homens cruzaram as cercas e assobiaram em admiração, deixando Aydan e Rinne curiosos para verem.

−Isso parece ser uma espécie de templo, a aldeia não deve estar longe. − Raiden disse.

Os dois ômegas também conseguiram cruzar a barreira e não puderam deixar de abrir a boca em admiração. A área com piso de pedra era gigantesca e uma grande escadaria se erguia da água, levando para um altar onde a imagem de uma grande besta estava. Quem quer que fossem os construtores, eles eram talentosos e detalhistas.

Aydan caminhou arrastando as correntes e parou olhando a imagem da grande cobra enrolada num totem. Milhares de pequenas cobras haviam sido gravadas e esculpidas no altar e outras estátuas pareciam curvar a cabeça para ela como sendo algum rei.

Ele imaginou se havia tido um equívoco no exagero da escultura ou se aquela besta realmente possuía aquele tamanho. A grossura do corpo dela tinha quase o seu tamanho, os detalhes das escamas eram realísticos, assim como a cor brilhantemente preta, que fez ele lembrar de sua querida Zara. A cabeça do monstro não era como nada que ele tinha visto, e pelo seu conhecimento em cobras, ela não parecia venenosa pela cabeça arredondada. Os olhos emitiam um brilho de duas pedras negras.

"Uau, ela é linda e majestosa." Aydan sempre fora atraído por elas e sentia admiração. As feras que viviam perto de seu templo não eram tão grandes assim. Seria ela uma fera de alto nível ou talvez lendária? Seu momento de contemplação foi quebrado por Raiden.

−Essas tribos realmente veneram essas bestas...patético.

Aydan mordeu os lábios segurando-se para não piorar sua situação com algumas verdades.

"Seu desgraçado, você jamais terá a honra de ser contemplado e muito menos digno de um templo."

−Senhor...veja isso. − Um homem falou preocupado, apontando para uma grande quantidade de cobras que começaram a surgir de todos os lados e do rio.

−Elas parecem não gostar da nossa presença aqui, senhor.

Os caçadores começaram a matar as cobras, mas elas começaram a se amontoar no círculo da barreira.

− Droga, pelo visto, teremos que antecipar o nosso plano. Nessa velocidade, até mesmo essa besta virá...− Raiden pareceu ponderar por um momento. − Homens, comecem a montar a armadilha antes da noite. Prendam os ômegas no altar, um de cada lado.

Os dois foram obrigados a subirem as escadas e foram presos em duas esculturas menores de cobras que ficavam ao pé da escultura, como guardas. Aydan deixou-se cair no chão sem qualquer esperança. Sentia-se cansado de lutar e fora fraco demais para proteger sua família.

A noite caiu e os caçadores sumiram das vistas, escondidos nas sombras. Raiden foi até seu lado e o cobriu com um véu vermelho.

−Eu sabia que você ficaria lindo nessas vestes. Quando tudo isso acabar, eu quero que façamos a nossa cerimônia. Irei comprar um vestido de noiva muito mais lindo que esse.

−Eu já disse isso, mas... apenas quero que você vá para o inferno e tenha uma morte dolorosa. −Aydan nem mesmo levantou seus olhos para vê-lo.

−Você tem uma língua venenosa, querida. Talvez eu ainda a arranque. − Raiden pegou uma pílula de suas vestes e segurou o queixo de Aydan com força, fazendo ele engolir. Logo depois ele fez o mesmo com Rinne e desceu as escadas tranquilamente.

−Veremos se depois dessa noite, você ainda manterá o seu orgulho.

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Notas de Rodapé

Se hidratem, pois no próximo capítulo terá GUERRA!

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