Águas Profundas (Em Andamento)
Esfinge
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Tipo: Romance ou Novela
Postado: 18/06/22 15:54
Editado: 19/06/22 21:22
Qtd. de Capítulos: 19
Cap. Postado: 19/06/22 21:00
Cap. Editado: 19/06/22 21:22
Avaliação: 10
Tempo de Leitura: 14min a 19min
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Não recomendado para menores de dezoito anos
Águas Profundas
Capítulo 19 Capítulo 19

Kei guiava o barco contra a sua vontade, para um lugar que ele jurou nunca pisar.

O território dos demônios de água doce tinha sido desabitados há muitos anos. Seu avô tinha tentado garimpar a região e caçar os demônios, mas o que ocorreu foi uma grande carnificina e seu avô fora comido vivo. Acabando com sua família fugindo dali. Ele estremeceu com as lembranças da infância.

Ao seu lado, Katsuo não havia deixado-o só nem por um instante. O alfa o observava de vez em quando, o deixando nervoso.

−Sabe, eu estou curioso...existe alguma razão pessoal pela qual você não quer ir até lá? −Ele acendeu um cigarro, tragando-o com calma.

Kei não queria nenhuma conversa com aquele homem, mas por hora, era bom obedecer.

−É sabido pelos pescadores daqui que esse território é ainda mais perigoso que o das serpentes. Os demônios atacam os barcos e devoram quem estiver nele, muitos pescadores subiram para essas bandas e desapareceram. − Kei explicou omitindo a experiência pessoal de sua família, mas nada daquilo era mentira e exagero. Ele tentou controlar seu medo e nervosismo, ela não tinha conseguido tomar sua medicação, nem mesmo quando pediu para ir ao banheiro.

Katsuo olhou para as costas dele, banhadas em suor.

"Esse rapaz me intriga, é como se existisse alguma atração nele..." ele olhou o corpo magro.

−Você não está com calor com esse lenço e chapéu?

−Eu estou acostumado, senhor.

O rio tinha começado a ficar cada vez mais estreito, as árvores quase fechando o céu. Mais à frente, um denso nevoeiro podia ser visto. Os homens no barco podiam sentir um calafrio em suas nucas e seus braços se arrepiarem.

−Um nevoeiro em plena luz do dia?

−Isso é comum quando se tem uma grande concentração de energia sinistra, eu já cacei bestas demoníacas na minha cidade. −Um dos caçadores mais velho explicou.

−Eu só cacei bestas mágicas, é a mesma coisa. −Um jovem que aparentava dezoito anos disse enquanto bebia, gerando risadas dos mais velhos.

−Pelos deuses, criança. Com quem você aprendeu a caçar? Eu não sabia que tinham contratado amadores. Bestas mágicas nasceram da natureza e da magia. Demônios vem do inferno e podem nascer da energia sinistra ou até mesmo de seres humanos que tiveram uma morte violenta e assuntos inacabados nessa vida. Assim como existem demônios que se relacionam com humanos, existem bestas mágicas que também se relacionaram com eles e até mesmo fizeram pactos para se tornarem mais poderosas, dando à luz a bestas demoníacas.

O rapaz ficou tão chocado que até a raiva de ser debochado sumiu.

−E como vamos matar essas coisas? Eu não entendo nada de demônios.

−Não se preocupe, por isso eu estou aqui. Eu me especializei em exorcismo e como criar armas para imobilizá-los. − O homem tirou algumas esferas de cristal da bolsa. − Essas belezinhas estão recheadas com água benta e ervas com alto poder de imobilização, basta jogarmos nesses demônios e matar enquanto eles estão imóveis. −Os homens concordaram satisfeitos

−Aquilo é um cais? − Um deles disse apontando.

Eles viram um vislumbre do cais velho de madeira e o barco manobrou para atracar.

− Chegamos, é aqui. − Kei informou.

−Amarre o barco e vamos descer.

− Eu achei que era só para trazer vocês até aqui.

−Você será o nosso guia.

− Eu nunca estive aqui senhor...

− Ao menos você sabe bem mais que nós. Eu também não confio em deixar você no barco, correndo o risco de você nos deixar aqui. – Katsuo adivinhou seu plano.

Os mercenários desceram do barco com seus equipamentos e seguiram para a floresta, vendo algumas casas abandonadas pelo caminho.

−Que casas são essas?

−Essa área já foi habitada por seres humanos. Os demônios correram todos.

−Pelos Deuses que criatu-Ah! −O homem caiu na água que estava escondida pela vegetação, fazendo todos pararem.

−Água? Isso é o rio?

−Parte dele. Essa região é cheia de micro canais que fazem parte do rio. Como a terra é fértil, a vegetação criou uma coberta por cima. É difícil saber o que é terra firme ou não.

−Maravilha. −Katsuo ficou fulo, aquele lugar não era favorável para uma caçada. −Tem outro caminho?

-Não, senhor.

−Então vamos ter que ir por aqui mesmo. − Ele pulou na água, ficando com ela até a cintura.

Kei engoliu em seco, seguindo o grupo armado.

O jovem caçador que não tinha nenhuma experiência, já tinha se arrependido de ter aceitado aquela missão.

−Não é perigoso ficarmos na água? Não consigo ver nada com esse nevoeiro e tudo está coberto de verde.

−Cale a boca, quanto mais você reclamar, maior a chance deles descobrirem que estamos aqui. − O outro homem disse.

Mais à frente, pontos de luz podiam ser vistos na água, junto com mais cabanas.

−O que são essas luzes? − Ele cochichou.

− Essa luz deve ser das pedras preciosas azuis. − O caçador exorcista parou e começou a tirar as esferas distribuindo para o grupo.

Um dos caçadores se aproximou do lugar que brilhava. Ele não segurou a curiosidade e colocou o braço dentro da água, para ver se conseguia pegar alguma coisa e em seguida retirou da água uma bela gema.

−Olhem isso −Ele olhou ganancioso para todos os pontos de luz. −Vamos ficar ricos.

−Ei idiota, tire a mão daí! −Um homem cochichou para ele.

O caçador continuou pegando as pedras e colocando no saco, abaixando-se para ir mais profundamente, até seu braço ficar preso e ele gritar.

−Meu braço! −A água tornou-se revolta e vermelha. O homem foi puxado para o fundo, criando pânico no grupo.

−Eles estão aqui! − Os homens tentaram puxar o colega, mas a força era maior. Logo depois, figuras emergiram da água, silenciosamente e devagar.

Kei ficou paralisado de medo, o grito preso na garganta, olhando pela primeira vez um demônio de perto. Eles eram jovens, a parte que estava fora da água parecia ser de um adolescente. "Eles...não deveriam ser maiores? Parecem crianças" seus olhos eram totalmente brancos e sua pele brilhava parecendo ser feita de escamas prateadas, porém os braços eram pretos como breu. Eles rosnaram e começaram a atacar.

−Joguem as esferas! − Katsuo gritou atacando com sua espada.

A primeira esfera a fazer efeito, emitiu uma luz branca ao entrar em contato com as criaturas, deixando-as totalmente petrificadas, as outras ao verem seus irmãos em tal situação ficaram ainda mais furiosas, soltando seu ataque elétrico.

Os homens sentiram um breve choque inicial, mas era tolerável. Ao verem que seu ataque não dera certo, os demônios mergulharam na água desaparecendo. Os caçadores esperaram um tempo por algum ataque, mas tudo havia ficado calmo.

−É só isso? Que piada! −O jovem gargalhou batendo na água e apontando para Kei −Vocês são um bando de pescadores ignorantes e covardes.

Kei também estava confuso. Será que todas as histórias não passavam de um exagero e medo coletivo? Eles eram caçadores, talvez para eles aquilo não era nada. Ele viu os caçadores pegando o demônio que tinha ficado para trás e cortando sua garganta. Parte dele sofreu ao ver aquilo, era desumano que eles fossem mortos por conta da ganância. "Todos esses anos eu os vi como sendo os verdadeiros vilões, mas quem são os verdadeiros vilões, senão os próprios seres humanos? Talvez esse lugar nem sequer existisse, sendo totalmente explorado e saqueado." Kei sentiu um tremor na água e sua nuca formigar. Dessa vez uma forte explosão de água foi ouvida, fazendo ele proteger os olhos da água e plantas caindo.

Um grande demônio emergiu da água, porém, diferente dos outros, esse tinha a parte superior do corpo de um adulto, totalmente musculosa, os braços com escamas negras terminavam em garras gigantescas curvadas.

Um caçador agiu rápido jogando uma esfera em mãos, mas a criatura foi rápida o suficiente para pegá-la no ar, antes que batesse em seu rosto. As garras apertaram o cristal, e o líquido congelou em suas mãos, o que não durou um segundo sequer para ela voltar ao seu estado normal. O demônio sorriu mostrando os dentes afiados.

−Pelo visto, hoje a refeição veio até nós por conta própria. −Ele falou em alto e bom tom, chocando Kei, que nem imaginava que eles soubessem falar.

Atrás dele, mais demônios surgiram, eles eram igualmente grandes e fortes. Assim que seu líder deu o sinal, eles atacaram com crueldade. A floresta inundada por gritos e barulhos de água. Kei nadou o mais rápido que pôde até a cabana próxima, colocando metade do seu corpo em cima do palanque de madeira. Uma mão segurou com força seu tornozelo e ele chutou quem quer que fosse, correndo para dentro da cabana. Kei se agachou tremendo de medo, enquanto mais gritos desesperados eram ouvidos. "Pelos Deuses, eu não quero morrer!" Perto de seus pés, o piso de madeira se partiu e uma garra negra agarrou novamente sua perna.

−Não! Eu estou do lado de vocês! Eu juro! Me solte!

−Vocês humanos mentem demais...−O demônio ria com crueldade o puxando até ele. Kei não aguentava mais aquilo, teria que abrir mão de sua última cartada final.

−Eu sou um ômega! Me solte! − ele puxou o lenço da cabeça e o chapéu de palha, esfregando a testa, até que um sinal vermelho podia ser visto. O demônio parou seu ataque, o olhando com cuidado.

−Um ômega?

−Sim, agora tire as mãos de mim!

−Terei que levá-lo ao nosso líder, ele irá decidir o que faremos com você. −O demônio o puxou com agilidade para água, fazendo-o chorar. −Não faça tanto fiasco, eu nem estou te machucando.

−Para o inferno, vocês! −Kei se debatia em vão.

Do lado de fora, a água tinha se tornado totalmente rubra. Kei fechou os olhos para não ver o que tinha sobrado dos mercenários. Ele não era hipócrita, sabia que o fim de todos os caçadores que ele levava em seu barco era esse, mas ver com seus próprios olhos era outra coisa. Numa ponte de madeira, um homem totalmente nu estava de pé, somente suas pernas eram humanas, pois da cintura para cima, as escamas prateadas brilhavam.

−O que é isso? Por que ele ainda está vivo?

−Ele é um ômega, senhor.

Kei deduziu que aquele devia ser o líder.

−Eu sou o barqueiro responsável por trazer os caçadores. Zahir sabe quem eu sou. − Ele explicou as pressas.

−Hmn...− O homem caminhou até ele, o puxando pelos braços da água e o deixando de pé. Kei olhou para baixo para não o encarar nos olhos, mas como a outra parte estava nua, não foi uma boa ideia. Ele engoliu em seco, ficando vermelho "Ele é um monstro...até naquela parte!"

−Zahir nunca me disse que você era um ômega. − O líder abaixou para cheirar seu pescoço. Na forma humana, Kei diria que ele tinha uns dois metros facilmente. Ele sentiu o hálito quente e uma língua lambeu seu pescoço. −Você não tem cheiro de feromônios...mas seu gosto é ótimo.

−E-eu...tomo remédios! Eles anulam meus feromônios, eles estão no meu bolso se não acreditar em mim!

O demônio olhou atentamente para ele, podendo ouvir cada som de sua respiração e o cheiro doce do medo. Ele não tinha dúvidas que aquele jovem era um ômega, o rosto tinha traços delicados, o cabelo de um preto azulado e olhos de um azul cristalino. Eles eram familiares de alguma forma, mas onde os tinha visto? Ele colocou suas garras no bolso da calça, encontrando um frasco de vidro.

−Eu disse a verdade, esse é o meu reméd-NÃO! o que está fazendo!? − Kei viu o demônio atirar o frasco na água.

−Por que você toma essa porcaria? Aposto que seu feromônio deve cheirar bem...se você não o liberar, como seu companheiro irá encontrar você? − ele lhe deu um sorriso com seus dentes afiados.

Kei ficou com tanta raiva que queria chutá-lo, quem ele pensa que é para dizer o que ele tem que fazer?

−Você vai me matar?

−Não.

−Posso ir embora? – Ele estava estressado ao extremo com tudo aquilo.

−Claro que pode, mas não quer ficar para o jantar? −O demônio apontou para um homem preso ao píer, que Kei não tinha visto. Aquele era Katsuo? Ele estava bastante machucado.

−Você vai matá-lo?

−Mais é claro.

−Então por que o amarrou ali?

−Porque irei fazer isso lentamente. Você quer ver?

Kei negou com a cabeça, ele tinha visto mortes o suficiente para uma vida inteira. No momento só queria ir embora dali e pegar seu barco.

−Eu posso ir? Eles não irão me atacar? − Kei olhou para os demônios na água, que estavam estranhamente quietos, observando.

−Não vão, pode ir. – Ele fez um gesto com a mão. − Antes que eu me arrependa e deixe você morando aqui comigo. −O líder falou o comendo com os olhos.

−...− Kei sentiu sua alma sair do corpo e voltar, talvez aquilo fosse só um pesadelo −Então, Adeus. −Ele pulou na água e caminhou rápido até a saída.

O líder gargalhou de forma cruel, sua risada ecoando no nevoeiro. Ele esperou o ômega desaparecer e se virou para o caçador.

−Agora vamos ao que interessa. −Ele aproximou-se sem pressa.

−Eu não tenho medo de você...−Katsuo cuspiu nos pés dele. −Muito menos da morte.

O demônio sorriu pegando seu queixo.

−Da morte nem eu tenho. Não é ela que você tem que temer...pois no final, você irá implorar por ela com ânsias.

O demônio colocou suas garras negras dentro da boca dele e arrancou sua língua em um movimento. Katsuo cuspiu sangue e convulsionou com a dor.

O líder jogou a língua para seus companheiros, que lutaram para pegar o primeiro pedaço.

−Agora qual a próxima parte que eu devo arrancar? Eu detesto a forma como você me olha, talvez eu deva arrancar seus olhos? − O demônio segurou sua cabeça enquanto ele se debatia. −Não...eu quero que você veja, enquanto eu arranco seu coração do peito. Quanto tempo será que você irá durar?

Kei chegou até seu barco sem fôlego, somente parando para respirar quando pulou para dentro dele. A forma dele ter chegado até ali era um borrão em sua mente, não acreditando que estava vivo. Um grito de dor e desespero cortou o nevoeiro, o fazendo correr até a cabine, e saindo dali antes que os demônios mudassem de ideia.

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Notas de Rodapé

Qual morte vocês gostaram mais? A do Raiden ou Katsuo? eu gostei dessa última e teria detalhado mais, porém o capítulo ia ficar mto extenso e a intenção não era dar ibope para esses lixos u.u

Quem ai tinha imaginado que o nosso barqueiro era um ômega? E qual será a razão dele fingir ser um beta?

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