Águas Profundas (Em Andamento)
Esfinge
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Tipo: Romance ou Novela
Postado: 18/06/22 15:54
Editado: 19/06/22 21:22
Qtd. de Capítulos: 19
Cap. Postado: 18/06/22 17:20
Cap. Editado: 18/06/22 17:22
Avaliação: 10
Tempo de Leitura: 9min a 13min
Apreciadores: 1
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Palavras: 1591
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Não recomendado para menores de dezoito anos
Águas Profundas
Notas de Cabeçalho

Olá, meus amores! Eu estou amando escrever essa história, ver meus personagens e tudo que eu imaginei criar vida, não tem preço!

Desejo boa leitura e desculpem quaisquer erros :)

Capítulo 4 Capítulo 4

Quando a noite caiu, a preocupação tomou conta do templo. Logo que Aydan saiu da sala de música e caminhou até o refeitório, viu seu mestre conversando com seus dois irmãos.

− Eles sempre voltam antes do sol se pôr. Será que a carroça quebrou no caminho?

− Pai? O que aconteceu, eles não voltaram ainda?

O senhor se virou e deu um sorriso para ele.

− Não se preocupe, alguma coisa deve ter feito eles se atrasarem. Já aconteceu deles ficarem ajudando alguém doente na cidade. Amanhã cedo eles devem estar de volta.

Aydan concordou com um aceno e foi ajudar a fazer a janta. Eles agradeceram pela refeição e comeram em silêncio, todavia, um clima estranho pairava no ambiente e Aydan não conseguia descobrir de onde vinha.

− Mestre, eu não me sinto bem. − Rute respirou fundo.

− O que você sente? − O senhor a olhou preocupado.

− Eu não sei explicar, é como uma intuição.

Aydan e Rinne se olharam. Alguns ômegas marcados herdaram alguns dons e uma espécie de instinto animalesco, que talvez viesse da ligação entre as almas de seus companheiros.

Seu pai e mestre havia perdido seu companheiro quando era jovem, ele tinha sido morto tentando protegê-lo de caçadores. Desde então, seu instinto tinha morrido, ficando apenas o dom enfraquecido de ver alguns fragmentos do futuro.

− Não tem motivos para vocês se preocuparem. Nós estamos aqui para protegê-los.

Rute concordou. Sofrer com antecipação não levaria a nada.

−Tudo bem, pai. − Ela levantou e beijou a testa do senhor como um "Boa noite".

Aydan e Rinne fizeram o mesmo e se curvaram em reverência aos seus superiores.

Chegando ao quarto, Aydan levantou suas cobertas descobrindo sua velha amiga. A cobra parecia sentir sua preocupação e se enrolou em seu braço.

Aydan sentiu o frescor das escamas e ficou acalentado de alguma forma.

− Obrigado, Zara. − Ela fechou os olhos e dormiu.

• ────── ✾ ────── •

Aydan não sabia o quanto tinha dormido, ele acordou assustado em um pulo. Um som estranho e desconhecido vinha de algum lugar. Ele abriu a porta do quarto e Rute veio correndo até ele.

− Irmão! Eles estão tentando abrir o portão, rápido. − Ela o puxou pelo corredor não dando chance para perguntar quem seria "eles”.

Ela o guiou até o pátio onde seu mestre estava. Ele fazia um movimento com as mãos formando uma barreira.

− Pai! O que houve?

− São mercenários com certeza. Rápido, peguem o bebê e fujam pelos fundos!

− Fugir!? Mas e o senhor e os outros? Eu não vou deixar vocês sozinhos!

− Eles vieram atrás de vocês! Você é o mais velho e responsável pelos outros, os leve em segurança até a floresta profunda. Se eles não os encontrarem, simplesmente irão embora.

O portão pesado tremeu com a força de um golpe.

− Rápido, Aydan! Obedeça a seu pai!

Aydan sentiu lágrimas rolarem, mas concordou com a ordem e correu com Rute de volta para dentro do templo.

Rinne os encontrou nas escadas segurando o bebê no colo.

− O que aconteceu?

− Não temos tempo, venham comigo até a saída de emergência.

Aydan correu até a despensa da cozinha e puxou um alçapão.

− Desçam logo! E corram sem olhar para trás! Eu estarei atrás de vocês.

Rute pulou nas escadas e pegou o bebê ajudando Rinne a descer, Aydan pegou um cristal de iluminação e entregou a eles. Nesse momento um grande estrondo pode ser ouvido. Ao que parecia, eles tinham acabado de derrubar o portão da frente.

Aydan fechou a porta da dispensa e pulou no alçapão. Eles correram pelo túnel mal iluminado por algumas horas até chegar na saída próxima a montanha. Por sorte, eles conheciam o caminho desde crianças, quando brincavam de fugir pela floresta. Aydan sabia agora a razão de seu pai os incentivar a brincarem por ali. "Ele sabia que um dia eles viriam"

Eles correram até suas pernas ficarem cansadas e se esconderam num abrigo improvisado no chão.

Rinne tremia enquanto embalava o bebê.

−Irmão mais velho, o que vamos fazer agora?

−Vamos esperar até amanhã e então voltamos para ver se eles já foram embora. O mestre disse que eles não têm razão para ficarem e nós tampouco temos algo de valor no templo. Os dois concordaram com o plano e ficaram em silêncio. Por sorte, Rinne tinha alimentado o bebê antes de dormirem e ele dormia tranquilo, alheio a situação.

Assim os quatro esperaram o nascer do sol. Aydan saiu do abrigo e olhou com cuidado ao redor. Não existia nada além do som dos pássaros. Ele caminhou por um tempo, pegando alguns cogumelos e frutinhas, trazendo para que eles pudessem comer antes de voltarem.

− Rute, eu e Rinne vamos voltar primeiro. Você fica aqui com o Leo e se estiver tudo bem, voltamos. Se não voltarmos, você terá que pegar o caminho por dentro da floresta e pedir ajuda no vilarejo mais próximo.

− Ok.

Rinne e Aydan voltaram com calma pelo caminho que vieram. De longe uma nuvem de fumaça negra podia ser vista saindo do topo do templo. Os dois olharam de longe preocupados, aparentemente o fogo estava no final e não tinha nenhuma movimentação no pátio.

− Vamos voltar pela dispensa.

Eles correram pelo túnel e Aydan levantou o alçapão sem fazer barulho. Ao que parecia, a cozinha estava intacta e o local do incêndio não era ali. Eles ficaram em silêncio tentando ouvir alguma coisa, mas tudo estava silencioso.

Aydan saiu devagar e fez sinal para Rinne o acompanhar pelo corredor de fora. Eles subiram no muro, olhando o pátio.

Corpos caídos estavam em toda parte, Aydan reconheceu de longe seu pai e seus dois irmãos. Ele não conseguiu segurar o instinto de ir até eles. Era sua família ali sangrando.

− Pelos deuses, o que aconteceu aqui!

Aydan foi socorrer o primeiro irmão jogado ao chão, mas o mesmo encontrava-se sem vida. Ele correu até seu pai, mas o mesmo tinha um buraco no peito, os olhos vazios olhavam para o céu e ele sorria como alguém que encontrou a felicidade no último suspiro.

Aydan sentiu uma dor irracional e lágrimas dolorosas caíram.

− Pai!

− Pai? Mestre? − Rinne caiu ajoelhado em choque. − Eles estão mortos...

Aydan perdeu a voz e apenas assentiu.

Eles olharam os outros corpos caídos, homens estranhos com espadas e lanças, eram muitos e Aydan imaginou o quanto seu pai e os outros lutaram.

Antes que os dois pudessem pensar a razão de toda aquela calamidade. Uma voz gritou.

− Eles voltaram, chefe!

Aydan sentiu um frio subir pela espinha, enquanto homens de preto os cercavam. Foi tudo rápido demais.

− Olha só que maravilha! E eu achei que aqui só existissem esses monges velhos. − Um homem corpulento saiu de trás dos outros e olhou para eles dos pés à cabeça. − São duas belas putas, veja essa pele leitosa.

Um homem sujo com dentes podres chegou próximo de Rinne e passou a mão ensanguentada em seu rosto.

− Eles são uma beleza! Dessa vez o mestre vai nos deixar ricos.

Aydan puxou Rinne para trás do seu corpo.

− Não toque nele, seu maldito!

O homem que parecia ser o líder deles chegou próximo dele.

− Para uma cadela ômega, você parece ser bem arisco. Você tem sorte deu ter ordens para não tocar em vocês, caso contrário, eu ia ensiná-lo como se comportar.

Os homens riram em coro.

− Amarrem eles e joguem na carroça. Já perdemos muito tempo nesse lugar. Peguem tudo de valor que puderem e vamos embora.

Eles foram amarrados e colocados na carroça que Aydan reconheceu como sendo de seus superiores. "Então foram eles..." Quando eles terminaram de carregar a carroça, um homem chegou arrastando uma menina.

− Ei, chefe! Olha o que eu encontrei na floresta. Mais uma puta e um bebê.

Aydan e Rinne olharam com terror Rute ser arrastada.

− Pelo visto, estamos com sorte. Amarre ela e coloque-a com os outros.

− E o bebê, o que eu faço com ele?

− Jogue fora, deixe na floresta, faça o que quiser.

− Certo.

− Não! Por favor! Nãoooo. − Rute gritou e tentou lutar contra o homem, mas era em vão.

— Ou você me dá esse criança, ou eu passarei a faca nele agora mesmo, vadia!

Rute o entregou chorando e foi amarrada e colocada do lado de Aydan.

O líder chegou perto e falou com ela.

— Não se preocupe, querida. Não somos monstros...não matamos bebês de colo, apenas o deixaremos na floresta e o destino se encarregará dele.

Rute olhou para os seus irmãos.

− Me desculpem, eles me encontram.

− Não pense nisso, Rute. Não há o que ser feito.

O homem caminhou até a floresta e deixou o bebê no chão.

− Boa sorte, criança.

O líder mandou levantar acampamento e assim eles partiram.

Algumas horas depois da partida, um puma chegou até ali. Ele tomou a forma humana e olhou com pesar para os corpos.

− Eu cheguei tarde demais.

Ele enterrou os monges e queimou os caçadores numa fogueira, apenas para que os corpos não fedessem ali.

Um choro foi ouvido por ele e ele correu até onde vinha o som.

O bebê encontrava-se vermelho de chorar.

O puma olhou para a marca vermelha na testa. Ele sentiu o aroma do bebê − Era agradável.

− Pelo visto, terei que cuidar de você por enquanto.

Ele assumiu sua verdadeira forma e carregou o embrulho com a boca, sumindo na floresta.

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Comentários (1)
Postado 18/06/22 18:30

Não tenho comentários, ta todo mundo morto junto com uma parte do meu coração.