O Frio da Alma
Rutinaldo Miranda
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 02/07/22 21:00
Gênero(s): Cotidiano
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 1min a 2min
Apreciadores: 0
Comentários: 0
Total de Visualizações: 40
Usuários que Visualizaram: 1
Palavras: 241
[Texto Divulgado] "Renascentismo" "And it's good to be alive Crying into cereal at midnight If they ever let me out, I'm gonna really let it out"
Livre para todos os públicos
Notas de Cabeçalho

O frio da alma não se aquece com agasalhos.

Capítulo Único O Frio da Alma

Tem frio que gela a alma. E naquela noite soube que faria 2 graus... negativos! Era uma santa ironia. Dentro da sua geladeira estava mais quente. O seletor indicava quatros graus. Positivos. Num frio destes, ela se preparava como podia. Dormia sob uma enorme pilha de cobertores. Vestia o seu velho moletom. Sem abrir mão das indispensáveis luvas e meias de crochê. Sempre de crochê.

Mas todos já sabiam. Aquele seria um inverno rigoroso. E pensando bem, não seria a primeira vez. Tinha encarado temperaturas piores. Mas aquela estação seria diferente. Faltava a presença dele. Isso fazia toda a diferença.

Roupas e cobertores aqueciam o seu corpo. Mas o calor da pele dele aquecia a sua alma. E ali, estava sozinha na madrugada. Na escuridão de seu quarto. Onde o tempo parecia parar. Ouvindo sua ofegante respiração. Então, surgiam os fantasmas das horas. A solidão e o silêncio. As lembranças e a saudade. Aquele imenso vazio.

Por alguns instantes, cerrava os lábios. Em um grito calado de indignação. Se pelo menos, fosse Deus. E pudesse voltar no tempo. Curaria o seu grande amor, com um beijo divino. E teriam de volta a sua vida e sonhos. Mas nada podia fazer. Apenas provar o gosto amargo da realidade. No anonimato das dores de um coração despedaçado.

Desapareceu, encolhida debaixo dos cobertores. Lá fora, chovia torrencialmente. E os grossos pingos escorriam pela janela. Como as lágrimas mornas que deslizavam sobre o seu rosto.

❖❖❖
Apreciadores (0) Nenhum usuário apreciou este texto ainda.
Comentários (0) Ninguém comentou este texto ainda. Seja o primeiro a deixar um comentário!