xxxxuuuuuuuuuuuuxxxxxxx
Ovni Cius
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 28/07/22 14:35
Editado: 28/07/22 14:45
Gênero(s): Crônica
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 7min a 9min
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[Texto Divulgado] "Renascentismo" "And it's good to be alive Crying into cereal at midnight If they ever let me out, I'm gonna really let it out"
Livre para todos os públicos
Capítulo Único xxxxuuuuuuuuuuuuxxxxxxx

Pelo inconciso desvario que prolongou-se invariavalmente, não soube-se se V. escovara ou não a língua, se seu bafo era mordaz ou aceitável, mas os poucos que dele se aproximavam não poderiam saber do que é que ele falava, se é que ele falava, mas isto na cabeça dele. Na cabeça de V. os poucos e os muitos e os nadas e os tudos.

Agora seu nariz estava permanentemente entupido.

Agora forjava para si uma inebriante dança a percorrer um destino tragicômico que fosse universal e particular. Mas antes de mais nada: o que eram esses termos?

Esses termos e montanhas e flores e rios e mares e terras.

V. cambaleava, não porque não andasse reto, mas justamente porque andasse reto é que V. cambaleava. Não porque estivesse bêbado, mas porque estivesse sóbrio.

Suas lembranças do outono de 2017?

Da primavera de 2019?

De março de 2015?

Pois que muito bem: estava V. circunscrito ao aqui e ao agora, estando inconscientemente atado, teoricamente, a gestos perfazidos em idos tempos.

E essa teoria ele derrubou. Não havia causa e efeito nesse sentido. Havia esquecimento e morte. E morria-se a cada sono, a cada dia. Mas alguns morriam menos que os outros. Ao passo que V. morria na velocidade da luz.

De modo que asoou o nariz e não pôde ousar pensar mais nada para além da coriza que o afligia. Então, enfim, a biologia reinava, a química, e retornaria ele, sua consciência, sua inconsciência, ao incrustramento tectônico mineral da obscuridade seca e úmida que vive dormindo se mexendo em pedras.

Claro, porque nada sabia de relações intergalácticas ou o espírito.

Estava cego a rodopiar num eixo desviado do objetivo central que estaria em si mesmo desde os outros até o mais ancestral e o mais vindouro.

Descentralizadamente na entropia de pôr açúcar e em seguida café e peidar e pensar na Etiópia, V. nada figurava senão mapas que representassem potencialidades inatualizadas em seu vir-a-ser, como a potencialidade de falar italiano ou estar montado num camelo lá pelas bandas de um deserto do Oriente.

Ora, que jogo de potências e representações era isso?

Dizia-se que teria que estudar muito, do contrário estaria perdido.

Dizia-se também que teria que crer no Único etc., do contrário estaria perdido.

Em todo caso tratava-se de conversões: de um nível ao outro, desse àquele estado, até que subisse o suficiente para não ser arrastado pelas águas da perdição que inundavam o chão onde V. rastejava à cata de vernáculos e rimas e memórias de cuecas borradas e tampinhas de garrafa pet.

Por exemplo, dificilmente o alfabeto hebraico lhe ajudaria nesse momento. Nem mesmo ir ao ar fresco seria interessante. Talvez a vitamina D do Sol lhe esquentasse um pouco o âmago. Responsável por 80% a 90% da vitamina D que o corpo recebe. Não pouca coisa. Espirrou.

O negócio mesmo era 5mg de desloratadina. Enquanto metia soro fisiológico nariz adentro. Tomou para si a enmelecadíssima blusa branca velha de depositar meleca e fez xxxxuuuuuuuuuuuuxxxxxxx. Então era uma rinite ou algo do tipo. Mas voltemos à Etiópia.

Um branco total lhe passou pela cabeça. O verbo estava esguio e enfumaçado. Pensar era algo de outra espécie de ação que já nem imaginava qual fosse. E no entanto pensava! Bem debaixo do próprio nariz. O peido, ele mesmo, era um pensamento das tripas. O Supremo Arquiteto assim o fez.

Queria ele então recair numa dualidade qualquer? Queria realmente, seriamente, invariavelmente recair numa questão de dualidade? E a considerar o que?

“Bem, sim, o corpo e a alma”

“Mas já não se pensa mais nesses termos!”

“E em que termos se pensam?!”

“Em cliques do mouse!”

V. acorreu tranquilamente alucinado até a sua desconhecida morada interior refulgente onde, depois de morrer infinitamente o ensaio de sua morte de fato que ainda há de vir e que já veio no futuro que é o eterno agora, sentou-se a cortar as unhas dos pés enquanto imaginava-se fumando um cachimbo, coisa curiosa, porque já não suportava qualquer tipo de tabaco, embora anos atrás fumasse um maço de cigarro por dia.

Tudo então que faço agora, considerou V. Tudo então. É realmente engraçado. Lança-se os dados. E aí está. Um dia. Outro dia. Uma noite. Uma conversa. Uma desconversa. Uma continuação. Uma notícia. Nuvens no céu. Ruídos de variados tipos. Links inquantificáveis. Internet fantasma. Eu mesmo fantasma. Reflexo fantasma no espelho. Sorriso fantasma no espelho. Carne e ossos de fato. Precisamente vivo e pensante. Ou a caminho do pensamento ou a caminho da imaginação. Mas ligando tudo numa só luz que se diz a luz que faz a ligação de tudo, incluindo os peidos e as nações do planeta Terra e os asteroides do cinturão de Órion. A iminente explosão de Betelgeuse que não aconteceu. Aquela vez que eu quase perdi a caneta Bic azul quando a pus no bolso furado da velha calça jeans e a caneta estava na minha coxa e eu balancei a perna e ela saiu pelo tornozelo e eu distraidamente, depois de ter colocado no outro bolso, coloquei novamente no bolso furado e a caneta novamente eu a retirei pelo tornozelo, até afinal perdê-la não me lembro como, talvez debaixo da cama, talvez realmente não me lembro como, talvez ainda aqui, junto a outra caneta Bic. E tudo isso porque eu fingi que pensei que me apaixonei por uma jovem e foi o fim do mundo durante um mês até que eu me dei conta da idiotice de me enganar que eu estava apaixonado apenas porque eu estava lançado na apatia dos séculos e queria que o coração batesse e aconteceu mesmo, não que o coração batesse, mas que eu ficasse triste e afinal aprendi algo sobre estar longe da órbita de pessoas do tipo, simplesmente porque a solidão me fosse a verdadeira e última companhia, a solidão inominável que permeia tudo o que move o universo, ao mesmo tempo que tudo está acompanhado por forças e a coisa toda se mistura num sim e num não, sendo o sim e o não o retorno àquela questão que ainda há de levar a muitas questões assim que eu der cabo dessa constirpação e também assim que eu por mais soro fisiológico nariz adentro, tenho certeza que terei menos certeza ainda das coisas assim que eu continuar pesquisando sobre as coisas, até mesmo passeando não só pela Etiópia, mas enfim também pela América Latina e pelo próprio passado desta terra, a nadar em rios de sangue, em sólidas construções desmoronadas, em antigos acadêmicos surgindo em fotos preto e branco, enquanto a substância de tudo isso explode através de um passar do tempo insuportavelmente cíclico e exato, como dois mais dois são quatro, e um dia sideral a ter 23 horas e 56 minutos…

❖❖❖
Notas de Rodapé

Anos que não publico por aqui.

Olá a todos.

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Postado 30/07/22 23:29

Nossa, semana passada eu estava morrendo assim!!

Passa cada pensamento filosofico mais que sem nossa pela mente nesses momentos, seria a possiblidade do fim que nos deixa assim?

Confesso que questionei o título, mas ao entender achei incrivel.

Agradecida ppor compartilhar sua obra e bem-vindo de volta!!!! Vou adorar acompanha-lo.

Assinado: uma pequena vampira, ♥