O homenzinho
6 de Janeiro
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 01/08/22 15:03
Editado: 06/08/22 10:52
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 2min a 3min
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Palavras: 445
[Texto Divulgado] "Renascentismo" "And it's good to be alive Crying into cereal at midnight If they ever let me out, I'm gonna really let it out"
Não recomendado para menores de dezesseis anos
Notas de Cabeçalho

"E agora, José? Sua doce palavra, seu instante de febre, sua gula e jejum, sua biblioteca, sua lavra de ouro, seu terno de vidro, sua incoerência, seu ódio, - e agora? Com a chave na mão quer abrir a porta, não existe porta; quer morrer no mar, mas o mar secou; quer ir para Minas, Minas não há mais! José, e agora? Se você gritasse, se você gemesse, se você tocasse, a valsa vienense, se você dormisse, se você cansasse, se você morresse...Mas você não morre, você é duro, José! Sozinho no escuro, qual bicho-do-mato, sem teogonia, sem parede nua para se encostar, sem cavalo preto que fuja do galope, você marcha, José! José, para onde?"- Carlos Drummond de Andrade

Capítulo Único O homenzinho

Eu conheci um homenzinho, tão cego, tão burro

Em seu carro de luxo e roupas bem falsificadas

A cada três dias sua personalidade mudava.

Eu conheci um menininho, tão frágil e tristonho

Que era na chuva abandonado,

Que não teve colo da mamãe

E enterrou o papai tão novo, tão novo...

E então, eu conheci o homenzinho

Tão rico, tão rico...

Mas tão pobre em espírito

Falava mais de demônios do que da luz

E se colocava a cima de um deus que ele mesmo criou.

E eu me lembro do menininho,

Descalço na rua, correndo atrás de moedinhas

Sonhando em ser poderoso e em ter inimigos

Para brincar de guerrinha,

Para poder pisar neles com suas botinas

Para poder cuspir neles, como cuspiram em seu rosto.

Aí, eu conheci aquele homenzinho, uns vinte anos mais tarde

A cada dez palavras, nove eram sobre como ele era glorioso e próspero

E como os outros não eram nada

Eu conheci o homenzinho, que se via tão alto

Tão rico

Tão poderoso

Tão influente,

Vivendo um eterno teatrinho

Onde todos à sua volta, atuavam tão bem,

Que ele acreditava ter um zilhão de amigos

E todos à sua volta, só fingiam amá-lo

Pois era a forma mais fácil de calá-lo.

É... Eu conheci esse homenzinho,

Se achava branco e austríaco,

E era preto - alisava o topetinho

Brasileiro - fazendo de tudo por um amiguinho gringo

Do bairro mais esburacado da cidade

Para sua prisãozinha cara no centro mofado da cidade.

Ele se achava um mestre e era superficial

Se achava predador, mas sem presas

Se achava rico e era chacota

Se achava leão e era rato.

Eu conheci o menininho,

Que foi jogado de lado durante toda a vida

E cresceu e não se curou

Era menos doloroso se ele se tornasse o opressor

E ele se tornou.

Eu conheci o castelinho de areia do homenzinho

Ele achava ser o maior de toda a praia

Mas com um sopro do vento, se tornou migalhas

Eu conheci o homenzinho,

Carente de atenção, viciado em sucesso

Com seu discurso facista,

Com suas narinas infladas

E seus olhos mortos

Eu conheci o homenzinho, que se achava grande

Eu o vi cair mais rápido do que ele esperava

Mas era tão previsível...

Ao sair, bati o pó de meus pés

Deixei para trás essa terra de insanidades

Fui viver minha vida

Enquanto ele continuou fazendo discursos de superação

Com temas que nunca conseguirá de fato, superar.

Eu conheci um homenzinho,

Todos que o conheceram,

Avisaram ele,

O homenzinho chamou a todos de loucos

O homenzinho vomitou-os de seu coração.

Eu conheci um homenzinho, tão assustado e sozinho,

Ele continua a se enganar.

❖❖❖
Notas de Rodapé

O que acontece quando o oprimido vira opressor?

Apreciadores (2)
Comentários (1)
Postado 06/08/22 01:52

Tá ouvindo esse som? É o som do LACRE vindo de HB20 e passando por cima de mim. QUE POEMA! QUE INTENSIDADE! Só no fim da leitura eu percebi que não pisquei de tão imersa que fiquei nos versos.

Obrigada por compartilhar conosco, 6 ♥

Postado 06/08/22 10:47

O lacre tá vindo de ônibus mesmo, de uber no máximo kkkkkkk, obrigada pelo apoio <3 <3 <3

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