Amargoso Café
Angel
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 06/11/22 19:35
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 4min a 5min
Apreciadores: 2
Comentários: 2
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Palavras: 658
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Livre para todos os públicos
Notas de Cabeçalho

Olá, tudo bem com vocês? Espero que sim :)

Esse texto foi um desafio que lançaram para mim, fazendo-me trabalhar com um tipo de história que não estou acostumada: o humor. Então, aceitei o desafio e escrevi sobre um dos meus maiores vícios, o meu precioso café, kkk.

Enfim, espero que gostem e me pordoem pelos erros ortográficos e gramaticais ao longo do texto.

Boa leitura ^^

Capítulo Único Amargoso Café

O frio fazia-se presente naquela manhã de quinta-feira, estava próximo a época de geada. Dentro do carro, que havia sido estacionado em frente à uma humilde casa, estava um casal. Esfregando uma mão na outra, na tentativa de aquecê-las, a jovem mulher olhava para o seu acompanhante com um semblante sério.

— Por favor, comporte-se. — Ela pediu olhando para o rapaz de olhos castanhos. O mesmo suspirou e olhou para a casa que estava logo a sua frente.

— O que eu poderia fazer de errado, amor? — perguntou docemente, tentando soar inocente.

— Você sabe do que eu estou falando, Adrian — disse ela ainda o olhando — Nada de fazer careta quando beber o café da minha avó.

A avó, dona Benedita, uma senhora gentil e bem receptiva com as visitas. Adrian se lembrava bem dela, ou melhor, lembrava-se bem do café. — O rapaz sentiu um arrepio involuntário em seu corpo e por reflexo aperto o pequeno objeto triangular em jaqueta.

— Não irei! — O rapaz afirmou com a voz mansa.

Quando desceram do carro o jovem não pôde deixar de engolir em seco, não era a primeiro vez que visitava os avós de sua noiva, Cíntia, mas não podia dizer que estava acostumado. Caminharam brevemente pelo imenso quintal, quase sendo atropelados pelas galinhas que haviam saído do galinheiro, até chegarem na grande varanda da casa de madeira e sendo recebidos pelos cachorros que latiam descontroladamente.

— Calados! Bando de jaguaras! — disse seu Pedro, erguendo a bengala para afastar os cachorros.

— Bom dia, vô — disse a neta, segurando a mão do noivo.

— Vamos, meus jovens, cheguem! — O idoso sorriu alegremente e abriu mais a porta para dar passagem para o casal.

— A sua bênção, meu vô — disse a mulher, olhando-o com carinho e o abraçando. Seu Pedro a abençoou, assim como abençoou Adrian. O abraço que idoso deu no jovem foi caloroso, com uma alegria peculiar, era incomum para um rapaz da cidade grande como ele.

— Agora entrem, está frio aqui fora — disse ele, enquanto entrava apoiado na bengala. — Véia, a visita chegou. Faz um café caprichado pra nóis. — O idoso gritou.

O casal sentou-se em um sofá na sala, um tanto duro, e não demorou muito para Adrian sentir o cheiro do café sendo coado na hora. Apertando novamente o objeto triangular em seu bolso, ele se lembrava bem da última vez que esteve naquela casa.

O cheiro do café recém-coado era divino, no entanto, não poderia dizer o mesmo do sabor. Ele não gostava muito de coisas amargas e, sem querer, acabou deixando isso bem claro quando cuspiu no chão todo o café forte que lhe fora servido na última vez que esteve ali. O rapaz não tivera culpa, por acaso o casal de idosos teriam algo contra o açúcar ou adoçante? Não poderiam lhe oferecer, sei lá, um toddy, talvez?

— O que você está escondendo aí? — Cíntia perguntou curiosa, fitando-o.

— Não é nada, querida. — Ele deu um sorriso amarelo.

Poucos minutos depois, com um semblante gentil e alegre, dona Benedita adentrou a sala com a garrafa térmica e três xícaras em mãos. Ela serviu o marido e a neta calmamente, logo em seguida olhou para o futuro membro da família com a cara fechada.

— Você também aceita um pouco, Adrian? — perguntou contra gosto.

— Aceito. — Tentou soar confidente e abriu um sorriso, ou uma tentativa de sorriso.

Receosa e desconfiada, ela o serviu. A xícara era transparente e o rapaz pôde ver a camada de pó preto no fundo da mesma, fazendo-o soar frio.

Assim que pegou a xícara, olhou para o líquido fumegante com receio, parecia mais uma tinta. Deu o primeiro gole e tentou ao máximo evitar a careta que queria surgir; vendo que não havia outra alternativa, antes de dar o segundo gole, o rapaz ponhou a mão no bolso de sua jaqueta. Dona Benedita e seu Pedro ficaram confusos, já a sua noiva arregalou os olhos, chocada, ao vê-lo sacar o adoçante e pingá-lo na xícara de café.

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Apreciadores (2)
Comentários (2)
Postado 06/11/22 20:36

Por um instante achei que de início fosse um drama, mas que grata surpresa nessa comédia. Você se saiu bem pois eu me vi dando um risinho aqui na sala de estar kkkk

Eu gosto de café, mas aguado é realmente para os fortes kkkkk

Postado 07/11/22 13:49

Eu esperava tudo, menos um adoçante. Na minha cabeça ele estava com uma pedrinha no bolso por que a dor era melhor do que o café etc, etc..

Eu achei esse texto muito fofo, me lembrou de mais a casa dos meus avós, o chão de madeira com veniz e o sofá marrom furadinho na costura e com aquelas capas decorativas.

Uma comédia que, se você não lê o comentário inicial ou o genêro, cria um climinha de "hmm, será que o café é envenenado, será que temos aqui um exemplar do filme Get Out?" e então recebemos esse fim tão fofo, divertido e muito realista.

Amo comentar seus textos por que me sinto uma daquelas fãs tagarelas que aparecem em convenção de livros (específico de mais? talvez)

Sua versatilidade aflorou, mal posso esperar para ler mais.