A noite será delas
Francisco L Serafini
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 18/04/16 13:54
Gênero(s): Ação Comédia Drama
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 4min a 5min
Apreciadores: 5
Comentários: 4
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Usuários que Visualizaram: 12
Palavras: 668
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Livre para todos os públicos
Notas de Cabeçalho

Mais um texto dos que escrevi outrora.

Espero que gostem.

Capítulo Único A noite será delas

Em um antigo estacionamento de um grande shopping, quinhentos homens estavam ajoelhados, completamente rendidos e na espera da sentença final. Ao lado de cada homem, havia igualmente uma mulher, as quais tentavam mostrar desesperadamente que eram semelhantes, para serem salvas, àquelas que as reprimiam. O céu estava cinzento, o vento soprava forte, a temperatura estava baixa. O mundo inteiro parecia ter padecido, já que toda a atividade humana tinha sido aniquilada. Os gigantescos arranha-céus, os velozes automóveis, os floridos parques, os diversificados zoológicos perderam seus propósitos após os ataques violentos do grupo de seres autodenominados como superiores e conhecidos por toda a Terra como Feminazis.

Em um plano elaborado por décadas, esse grupo reuniu milhares de adeptas a sua causa utilizando como aliados o extremismo instaurado na sociedade e o anonimato das redes sociais. Outros vários grupos extremistas tentaram o mesmo, mas a organização das Feminazis era maior. Em poucos anos, o grupo contava com milhões de militantas, dispostas a dar a própria vida por um ideal maior. Com tudo definido, começaram o ataque repentinamente. No primeiro ato, atacaram os homens heterossexuais, após atrai-los a centros de extermínio, que eram vendidos como malocas regadas de carne, cerveja, futebol e buceta. Metade da população masculina tinha sido exterminada em um único golpe. A outra metade foi aniquilada em ataques menores e sequenciais, que envolviam desde tiroteios a doenças sexualmente transmissíveis. As mulheres que não aderiram às causas defendidas pelas Feminazis também foram perseguidas e foram vítimas de inúmeros ataques. Os dois mais conhecidos aniquilaram bilhões de vidas com muita brutalidade e eficiência. O primeiro ataque foi voltado a todas as mulheres que usavam sutiã e depilavam as pernas e as axilas. O segundo ataque exterminou todas as mulheres que louvavam um homem, como as religiosas que se curvavam diante a um Deus.

Além das Feminazis, haviam apenas mil pessoas vivas na Terra. Mas isso estava para mudar naquela fatídica tarde de inverno, em que o grupo superior e por muito tempo oprimido iria executar a última etapa de seu maquiavélico plano. Na noite que adentraria, somente quem tivesse peitos expostos, vaginas secas e pernas peludas poderiam contemplar o luar. As almas ajoelhadas já estavam conformadas com o fim da vida de seus corpos, que continuavam a se debaterem, numa falsa esperança de fuga, quando começara ao ouvir palavras de ordem entre as militantas do grupo. Todos os condenados voltaram seus olhos ao enorme palanque montado no fim do estacionamento e sentiram que já tinham chegado ao inferno. A imagem daquela criatura gigantesca que se arrastava sobre o palanque e era ovacionada por todos os seres superiores era traumatizante e horripilante. Só o diabo poderia ser pior daquela massa gorda, repleta de pelos e de odor putrefato. A rainha das Feminazis finalmente tinha aparecido e daria início ao ato final. Parou no centro do palanque, pegou com sua mão de unhas curtas e sujas de terra o microfone, abriu um largo sorriso e disse:

— Eu sou a mãe do Ricky!

— Porra, Alex! Porra! Pra que estragar a história do Gabriel?!

— Hahahaha! Relaxa, cara! Estamos aqui no bar desfrutar o fim do dia. A história do Gabriel merecia um final assim.

— Ah! Vão se foder, vocês dois. Certamente que inventaram essa história só pra falar da minha mãe.

— Óbvio que não, Ricky! Eu e o Alex jamais dedicaríamos tanto tempo para falar da tua mãe, aquela baleia obesa! Hahahaha!

Os três amigos tinham o costume de se reunir no Bar do Zinto todas as quintas-feiras para tomar uma cerveja gelada e tirarem sarro um com o outro. Gabriel se inspirou nessa história após de ver no noticiário que um grupo de mulheres nuas tinham invadido a Universidade Federal de Pelotas em protesto a opressão que sofriam. Achou curioso elas se masturbarem na entrada da universidade e impedir a entrada e a saída de quem fosse como atos de protesto. Gabriel não teve dúvidas que podia criar uma boa história para tirar com Ricky. E de fato, Gabriel nunca esteve tão certo.

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Comentários (4)
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Postado 18/04/16 17:43

Senhor, você pode não saber, mas estou imensamente agradecida por esse texto magnífico, majestoso, incrível e cômico (novidade, tudo o que tu escreve é como mel para os meus olhos... o que não fez muito sentido, mas ok) acendeu a última fagulha de inspiração para eu terminar um texto bloqueado por éons *u* obrigada, e parabéns por tal escrito tão lindo :3

Postado 18/04/16 20:02

Sentido é a gente quem faz. Se tu acha que faz sentido, então faz, hehehe.

Caramba, quanto elogio. Sei não se mereço isso tudo, hehe. Mas lhe agradeço imensamente =D

E sobre te inspirar a escrever o fim de um texto... bah, isso é muito legal de se saber. Fico muito feliz por isso. Obrigado por compartilhar esse momento

Postado 18/04/16 19:02

Eu não sei como posso cair como um patinho nos seus textos. Sempre esqueço que você é um tremendo de um tirador de sarro em seus escritos, mas só me lembro disso no final quando dou risadas homéricas..Como sempre, muito bom. :)

Postado 18/04/16 20:05

Hehehe. Eu me esforço para que caiam mesmo, hehe. É a ideia, hehe. Mas o que quero mesmo é ouvir a gargalhada e fico feliz que tenha tido sucesso, hehe. Obrigado pelo comentário, Maria!

Postado 18/04/16 20:16

Para não variar a variável, a constante quebra de expectativa. Valeu, Chico!

Postado 18/04/16 20:29

Pois é. Até parece trairagem por parte do autor para com os leitores, hehe. Mas não é isso não. É meu jeito de contar história, hehe.

Obrigado pela crítica, Giordano!

Postado 18/04/16 20:59

Eu sei cara, não é um uma crítica negativa, acho muito massa isso xD

Postado 20/04/16 15:10

666 palavras.

AHahahaha, que texto maravilhoso. Devo admitir que sigo uma ou duas páginas com bastante conteúdo feminista, mas fujo dos extremos e tudo mais, normalmente são só coisas de auxílio como sobre leis e etc. Tenho medo de todos os extremos. Adorei a pegada do humor, principalmente no final! HAAHAHUuah

Postado 20/04/16 16:53

O número de páginas foi mero acaso, hehe.

Pois é... acho toda causa justa e bem vinda, mas é bem como tu disse: temer os extremos. Não tem nada que preste no extremo.

E obrigado pelos palavras, Julih!