Narciso
Lucia
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 18/04/16 19:56
Editado: 18/04/16 20:04
Gênero(s): Drama Fantasia
Avaliação: 9.73
Tempo de Leitura: 1min a 2min
Apreciadores: 11
Comentários: 5
Total de Visualizações: 894
Usuários que Visualizaram: 14
Palavras: 274
[Texto Divulgado] "Renascentismo" "And it's good to be alive Crying into cereal at midnight If they ever let me out, I'm gonna really let it out"
Livre para todos os públicos
Capítulo Único Narciso

A figura refletida no lago acalentava seu coração e ao mesmo tempo a figura que se contemplava acalentava a outro coração.

Narciso tinha o poder ou talvez a maldição de pertencer a si próprio. Eco já não tinha tanto azar ou sorte, pois, pertencia a Narciso como Narciso se pertencia. A cabeleira agraciava aos dois, era belo como se movimentava como uma serpente ao vento. Os cabelos de Eco moviam-se como uma chama no seu auge, porém ninguém o percebia como Narciso.

Narciso era muito mais do que apenas um reflexo de si mesmo; mais do que sintomas narcisistas, e Eco o enxergava como o verdadeiro. Eco era muito mais do que apenas ecos ao tempo, era a personificação do amor que Narciso esbanjava de si próprio, porém Narciso não a enxergava como a verdadeira Eco.

Narciso, como o próprio narcótico, embriagava-se com a forma com que os lábios e corpo mexiam-se conforme a imagem refletida. Era incapaz de ficar confuso sobre o que acontecia; enxergava-o como outro. Como Eco enxergava-o.

Coexistiam em um mesmo tempo e espaço, porém não compartilhavam de noções reais sobre o que acontecia. Eco sabia que seus ecos não poderiam salvar Narciso de perder-se em si mesmo e Narciso desejava entregar-se de boa vontade a si próprio, assim como Eco desejava entregar-se a ele.

Foi incapaz de ajudá-lo quando a forma bela deslizou para dentro da água em busca de respostas e sentimentos recíprocos e em seu lugar havia apenas uma flor solitária, assim como o próprio Narciso.

Eco desvaneceu-se em pedra, fadada a ecoar os últimos sons e soltá-los ao vento.

Assim como Narciso, Eco perdeu-se de amor.

❖❖❖
Apreciadores (11)
Comentários (5)
Postado 18/04/16 23:39

Como você já tinha falado, o meu Narciso é um complemento do seu. Afinal, eu fiz o meu depois de ler esse. Acho que o meu é como se fosse um pensamento da Eco... Ou algo do tipo, não sei ao certo! x.x (Nem sou uma pessoa confusa, imagina!)

É realmente um belo texto. Arrisco dizer que é o melhor que você já escreveu! Parabéns, Hyu! <3

Postado 18/04/16 23:46

O meu Narciso é raro e diferente, teu Narciso é conceitual <3

Acho q é o único tema que eu consigo realmente me inspirar. Esse Narciso é quase tão bom quanto o outro, quase.

Obrigada por estar sempre comentando meu flops <3

Postado 18/04/16 23:51

Quase mesmo, tenho que adimitir!

Já vai começar com esse lance de flop denovo? É serio? Affffu

Postado 04/05/16 04:32

Eu também me encontro encantado pelo seu talento descritivo/narrativo, Srta Lucia... É deveras fascinante como seu texto flui de modo suave aos olhos do leitor, que sem dificuldade compreende a situação trágica de Narciso. Nåo poderia haver outro desfecho senão o fatítico mergulho em busca...

EXCELENTE!

Uma vez mais, meus parabéns!

Atenciosamente,

Alguém que odeia a sim mesmo, Diablair...

Postado 06/05/16 16:26

Diab <3

Nem sei o que falar perante a tantos elogios da sua parte, só agradecer por ter tirado um tempinho pra ler meus flops.

Muito obrigada <3

Postado 12/12/17 02:05

Eco e Narciso podem se personificar em muitos casais de hoje em dia. Dentro de algumas relações, sempre haverá um Eco, disposto a amar incondicionalmente; e um Narciso, que não vê nada além do próprio reflexo. Isso pode mostrar, porque muitas pessoas desistem de amar. Não se pode amar alguém que não enxerga nada além de si mesmo; não se pode amar sozinho.

Às vezes essa situação nem precisa acontecer dentro de um relacionamento. Muitas vezes, ela acontece quando uma pessoa gosta de outra que não gosta dela. E é aí que temos o famoso coração partido.

O problema de ser Eco, é conseguir ver além do que os olhos mostram e sentir profundamente. O problema de ser Narciso, é não ver nada de fora, apenas de dentro.

Nesse caso, os opostos não se atraem, somente se afastam. Entre eles existe um abismo de diferença e de características que não batem. Ambos são inalcançáveis pela forma como vêem o amor: um ama o outro profundamente. O outro se ama profundamente.

Ah, só os céus sabem o quanto amei essa obra. Me desculpe se falei alguma besteira.

Te parabenizo muito por compartilhar uma obra dessa magnitude conosco ❤

Postado 20/08/20 23:27

Lucinha do Céu... Eu não consigo me perdoar por nunca ter lido esta obra antes... Isso me tocou profundamente, penso que meus romances (até mesmo o atual), é como a história de Narciso e Eco, mas eu sempre possuo as duas formas, ficando então impossível coexistir com eles dentro de mim... Ainda assim, o amor de Narciso por si só, é puro e belo, enquanto Eco... Bom, Eco só se fode... É lindo existir em um mundo aonde sua mente e os seus talentos existem... Sua descrição de cada cena, sentimento e sensação é única e majestosa!

Obrigada, amorzinha, por me fazer viajar no tempo com sua história, mais bela, visceral e dura, impossível!

Love hurts. É o que dizem.

Parabéns, como sempre, por ser única ❤️

Postado 05/10/20 21:56

Meu Deus, Lucia, que texto magnífico é esse. Eu amo Mitologia Grega, e vê-la refletida em um texto é exuberante. O seu texto aborda com fidelidade a lerda de Narciso, mas recontando de uma forma totalmente discernida.

Isso nos faz refletir tanta coisa. Quantos Narcisos não encontramos por aí, presos em suas próprias imagens caóticas e subjugando na mente o fato de ser único e especial. Por outro lado, quantas Ecos também não se submeteram e entristeceram com a vaidade descontrolado de Narciso?

É um perfeito resumo de muitas histórias ainda presentes.

Parabéns pelo brilhante texto, Lu ♡