Obrigado, mãe
Francisco
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 22/05/16 18:16
Editado: 26/09/16 10:18
Gênero(s): Comédia Drama
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 3min a 4min
Apreciadores: 4
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[Texto Divulgado] "Tempestade" Porque eu sou como uma força da natureza, não tente me parar. Isso é tudo o que eu te peço.
Livre para todos os públicos
Capítulo Único Obrigado, mãe

Um som estrondoso, o qual veio da entrada da delegacia, anunciava a chegada de uma fera e alertava que alguma criatura naquele recinto estava mais encrencada do que aparentava.

— Carlos Eduardo Pinto! O que fizeste desta vez?!

Após quinze minutos do telefonema do delegado, a mãe do Cadú, a Dona Terezinha, chegou à delegacia espumando de raiva. Era a quarta-vez que ela tinha que comparecer ao recinto em menos de um ano. Todos ali já a conheciam e se divertiam, embora de forma contida, com a extravagancia da mulher.

— Eu não fiz nada, mãe! Estes caras que estão loucos!

Cadú sempre utilizava a mesma desculpa, mas no fundo sabia que não enganava ninguém. Da última vez que foi pego, tentou acusar os policiais de colocarem sete caixas repletas de armas contrabandeadas em seu carro.

— Cala a boca, guri! Sei que estás mentindo. Hoje vais aprender o que é bom para tosse!

Dona Terezinha se aproximou do seu filho e deu-lhe um tapa na orelha, a qual ficou instantaneamente rubra. Logo em seguida, ergueu a outra mão para dar outro tapa, mas foi prontamente interrompida pelo delegado.

— Acalma-se, Dona Terezinha. A justiça se faz de outra maneira.

Bufando de raiva, Dona Terezinha se obrigou a concordar e se conteve. Pediu desculpas pela agressividade e quis conversar a sós com seu filho. O delegado, com um certo desconforto, decidiu fazer vista grossa e permitir a conversa.

— O que aprontaste, guri medonho?

— Ah, mãe... os porcos me pegaram com o diamante do museu municipal.

— Com o diamante do museu? Mas o quê?!

— Sim, mãe. Eu entrei na sala dos diamantes da ala leste do museu e roubei o maior diamante que estava lá.

— Mas puta que pariu, Cadú?! Por que fizeste isso?

— Eu queria te dar um presente, mãe. Um presente à tua altura e que conseguisse representar todo o meu amor por ti.

— O quê, meu filho? Isso é verdade?

— Sim, mãe. Eu te amo muito.

— Olha, mas que fofo. Eu também te amo muito. Vem aqui que quero te dar um abraço.

— Perdoas-me?

— Claro! Afinal, eu te amo! Vem aqui, vem!

Cadú se aproximou de sua mãe e estava muito feliz por receber o seu carinho e sua compreensão. Afinal amor de mãe tudo perdoa. No entanto, Dona Terezinha pegou seu filho pelo pescoço num Mata-Leão e sussurrou no seu ouvido.

— Guri otário! A minha altura tinha que ser o diamante da ala norte do museu, o qual é três vezes maior. Além do mais, se queres mostrar amor, faça as coisas bem-feitas.

— Desculpa, mãe. Desculpa! Eu só queria te agradar.

— Tu me agradas não fazendo merda!

— Desculpa. Eu não faço mais isso, mãe!

— Cala a boca e me escuta. Mesmo que mereças ficar aqui para o resto da tua vida, eu vou te safar de mais essa. Sou tua mãe, amo-te e não gosto de ver-te sofrendo.

— Obrigado, mãe. Obrigado! O que devo fazer?

— Nada! Meus homens aparecerão por aqui antes de tu ser transferido para o abrigo para menores e te tirarão dessa.

— Obrigado, mãe! E desculpa-me por ter dado tudo errado.

Cadú estava aliviado. Sabia que sua mãe o perdoaria e o tiraria dessa enrascada. Dona Terezinha era chefe de uma grande quadrilha de tráfico de animais e de pedras preciosas. Era responsável por invadir museus e centros de recuperação de animais para obter seus produtos. Além disso, seus filhos, como ela chamava àqueles que para ela trabalhavam, sempre eram resgatados, mesmo caindo na mão da milícia ou da polícia. Nada que o amor e armas de grande calibre de mãe não resolvesse.

❖❖❖
Notas de Rodapé

Pam, obrigado pela capa! Ficou muito boa =D

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Comentários (2)
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Postado 28/05/16 23:50

Geeeeeeeeeeeeeeeeente, esse, sem palavras, foi o texto mais criativo que teve no concurso! Chico, meu caro coleguinha, que criatividade foi essa? Depois de me emocionar com muitos textos, eu precisava realmente rir. Essa perspectiva realmente foi muito original, muito mesmo! E o que eu mais gostei foi que você não deixou uma visão, digamos, de "mãe de sangue" no texto. Os demais não usaram, mas não deixaram em explícito. Já aqui vemos o contrário, a nossa querida Dona Terezinha não é mãe de sangue do nosso pilantra Cadú, e aqui faz o ênfase: mãe é aquela que cria, que cuida, que nos educa, independente dessa ligação de sangue, deve-se ter a ligação de almas.

E de fato, mãe sempre acaba perdoando tudo (mesmo depois de tapas, gritos, castigos, etc., ela sempre perdoa). E esse final? Nada mais verdadeiro e verídico. Se não for dessa maneira, podemos apenas metaforizá-la, afinal, quem mexe com os filhos vão ter que arcar com a humanização de uma leoa!

Sem palavras, foi um texto totalmente criativo, uma comédia gostosa de se ler, e escrita de uma maneira quase impecável. Não poderia ter esperado menos. E o interessante foi essa visão do amor demasiado existente entre ambos, e de que, independente do que ocorra, essa figura materna estará presente quando precisamos.

Postado 05/06/16 20:10

Obirgado pelas palavras, Pão!

Pois é... mãe é mãe, é aquela que manda e desmanda, senta o cacete e faz tudo pelos filhos.

Fico feliz em ver essa análise mais aprofundada do texto. Traz-me informações importantes de como os leitores podem ver o que escrevro, hehe.

Obrigado novamente!

Postado 02/06/16 21:34

Afe, Chico! To com raiva por ter caído direitinho nessa de mãe e filho! hahahaah

Muito bom! Puta criativo também. Tu é foda.

Postado 05/06/16 20:11

Hehehehe. Ah... não deixa de ser mãe, ora pois, hehe.

Muito obrigado pelo comentário!

Ah, se eu sou foda, és o quê? =O

Postado 06/06/16 16:57

Fodinha hgeheheh