Escrevo o que queria ter dito e não disse, ou ainda, o que disse entre o não-dito e o querer dizer. Escrevo o silêncio numa folha em branco. Escrevo o arrepio à pele já conhecido. Escrevo o Tempo pelo não-tempo, escrevo a vida a arder na pele e o sentir a arder na vida.
Me flagro a caminhar pelo avesso do tempo, entre uma lucidez extrema, metade torpor, metade sonhar. Não intento lapidar a saudade pela ausência, nem toda a nostalgia pelo relembrar, tampouco, em todas estas noites escuras e vazias, te escrever à pele; apenas sou, inadvertidamente, esculpido e lapidado por todos estes.
gente por toda parte
parte por entre a gente
é gente que deságua saudade
é saudade que carrega a gente