Paramos para falar sobre o que aconteceu com aqueles dois. A um deles, desejo a morte. A outro, a vida eterna no inferno, agora me pergunto: qual é qual se ambos são tão parecidos? Podemos conversar sobre tudo isso com outras pessoas. O correto seria fazer dos dois tigres um tapete para pisar sobre eles para sempre. Pois bem. Estivemos conversando! Que saudade! Nos vimos depois de tanto tempo e ficamos juntos no dia dos namorados, naquelas mesas cheias de corações — romântico! — e nós três falamos sobre várias coisas. Incluindo esses dois, ainda que não tenham sido tanto o foco. Não vale a pena. Amo os outros dois. Amor de amigo é pouco debatido, mas não sou eu quem irá contribuir para com esta fortuna crítica a respeito de amar os amigos, não é o forte da casa.
Tive a ideia de escrever Natimorto depois de um sonho terrível e decidi unir o que me contaram a respeito dos tigres ali, pois ampara a narrativa de certa forma. Contribui com o que queria para ela. Está pronta. Seis drabbles. Contam uma história comum, mas estou na (terrível, assustadora, macabra, pavorosa, medonha e catastrófica) missão de seguir por outro caminho, talvez o mais difícil deles, afinal é apenas para quem tem nome. Nome grande. Nome importante. Eu sou apenas um cachorro preto. Todavia, tenho contribuições também, principalmente nesse caminho — que é não querer ser entendido. Comecei com Licor de Nuvem. Fui para O Fim é Também o Começo, Cabeça de Burro e agora Natimorto. Espero ser tão incompreensível quanto possível daqui para frente.
A ideia principal é, na verdade, dar a sensação de que estou falando com outra pessoa — e de fato estou —, de que se entrou no meio de uma conversa íntima e confidencial, de que se flagrou um eremita/mendigo louco em seu discurso. Entre outros. Não espere nada, leitor desta entrada. Daqui para frente, é apenas a confusão, que nem se você tentar muito você entende.
Pequena edição: a parte em língua de sinais no último capítulo de Natimorto pode ser sinalizada. Ou não. Não sei. Faz tempo que sonhei com isso.