"Você é responsável por aquilo que cativas", uma frase icônica do livro "O Pequeno Príncipe" que diz que quando você cria laços com alguém você tem um compromisso forte com o cuidado, o respeito e sentimentos daquela pessoa. Pensando fortemente nesse significado, eu tentei me manter em um relacionamento que talvez eu não devesse.
Conheci uma garota enquanto padrinho de casamento de um amigo muito especial, ela por sua vez era também madrinha e irmã da noiva. Bonita, esperta, agradável, características que eu particularmente uso para metrificar as mulheres que conheço, tentando raciocinar sobre com quem eu poderia ver um grande futuro.
Me aproximei dela durante a festa de casamento principalmente, gastei horas naquela festa pensando se, após uma pequena investida que não necessariamente resultou em nada, eu deveria continuar tentando me aproximar ou simplesmente desistir dela no mesmo instante, assumindo que não era o melhor para mim mesmo, tão pouco para ela. Não sei se tomei a decisão certa.
Parecia uma cena de filme romântico, em certos momentos, estávamos juntos aos recém casados e padrinhos comemorando após a festa, mas em outros momentos, parecia que estávamos a sós, simplesmente aproveitando o máximo da companhia um do outro, como se aquilo fosse alimento tanto para nossos corpos como para nossa alma.
Passar por momentos desses carregam algo em nós, meros mortais, beira o mágico, onde parece que você gera um laço que não tem chances de se quebrar, então a sua mente passa a sentir a emoção de viver um amor de verdade, e você começa a sentir falta daquela pessoa no seu dia a dia, por mais que você não tenha perdido o contato com ela, a distância, viver esse sentimento passa a exigir mais.
Mas parece que os "brutos" e "diretos" estão certos, e "o homem sabe se vai casar com uma mulher só de bater o olho nela", e talvez a luta que travei em minha mente já era prova suficiente para eu tomar um caminho para longe dela, só que eu não fiz isso. Muito pelo contrário, eu dobrei a aposta, quase tripliquei a aposta, e deixei isso ir longe demais: Chamei ela para passar um tempo em minha casa, ela mora longe, praticamente do outro lado do país, acreditando que poderia conhecer ela mais profundamente e me apaixonar verdadeiramente por ela, mas tomei uma decisão lutando contra a tese dos "brutos".
Ela foi embora faz 2 dias, e eu tive a conversa difícil de falar pra ela que eu não consegui amá-la mais, eu fiz o possível para poder passarmos bons momentos juntos, foi muito divertido quase tudo, sei que não da pra ser tudo perfeito, mas olhando com sinceridade, eu sei que não fui feliz em provar a minha teoria, é como querer provar que os outros estão errados, porém falhar miseravelmente em seu trabalho.
Talvez a minha interpretação do que a raposa disse estava errada, não é uma questão de tomar cuidado após cativar alguém, mas sim antes de cativar alguém, para que não haja um sofrimento seu em procurar entender se tomou a decisão certa, mas principalmente garantir que a outra pessoa não terá a dúvida se está sendo agradável a ti.
Caro leitor, da forma que escrevi, alguns podem procurar amenizar a culpa que sinto, desde já adianto que não deve fazer isso, da mesma forma que o assassino deve pagar pelo seu ato, mesmo após ser penalizado amargamente por sua própria cabeça. Não acredito que mereço qualquer sinalização de benevolência.