Luto contra o Tempo
Inimigo invisível , desleal
Inimigo de tanta gente que conheço
E amigo
Amigo dos moribundos,
Aqueles abraçados ao peito da morte,
Pegando o passo de cada batimento,
Frágil,
Fraco,
Penoso.
Até que em um certo momento
Os relógios se batem
E fatídicamente param no mesmo horário.
Tempo, Tempo...
Tu que me acompanha solitariamente
E ridículamente acompanha também aos outros
Dia 'pós dia,
Chuva 'pós chuva,
Dor a dor,
Num ciclo vicioso que me embranquece os cabelos
Que me caem os fios
Solta a minha pele
E, por fim,
Numa maldade sem tamanho
Me faz chorar relembrando o que já fui.
Tempo, meu grande vilão por quase toda uma vida
Meu melhor amigo na hora da morte.

