Quem sabe algum dia
Algum dia tenhamos o que é pra se ter…
Viver de forma da qual não seja tão somente pra se dizer que é vida
Que se seja um caminho de beleza
Até mesmo porque a existência… a existência não é nada que senão angústia
Deixe-me ter angústias ao seu lado
E assim alcançar, um dia…
Ah! Quem sabe um dia…
Algum dia alcançar o pleno amor contigo
Sermos amor e perdão, amor e perdão, e amor e perdão somente.
Termos um belo jardim frente a casa da qual nossos incontáveis filhos herdarão
De cores claras, como você mesmo gosta, que iluminem a casa
E não só de Sol haverá luz, como também, indiscutivelmente, de beleza haverá
Há de se ter beleza, com toda infinita certeza de todo o ser, haverá de se ter beleza
Beleza que é tua, tua, e somente tua
Tua beleza… tua…
E que essa coisa bela que é teu íntimo nunca lhe falte
Assegurarei que nunca lhe falte; não há de se faltar.
Não há de se faltar, pois é o teu íntimo que me alimenta
Teu lindo íntimo, tua bonita alma, tua esplendorosa presença
Tão bela, tão mística e tão linda que é capaz de curar infermos
Desvalidos sem esperança, e que com tua simpatia e olhar
Tornam-se os mais felizes homens a morrer.
Tua beleza mata, destrói, induz aos pecados e crimes mais horrendos.
É malévola, fascínora, assassina contumaz dos pobres indivíduos que, sem saber, te veneram.
És a estátua de cada monte,
Da história, faz-se a mão do profeta,
Das vicissitudes, a inabalável paz dos espíritas,
Das traições, és Josephine, única inimiga íntima de Napoleão,
Das tragédias, és minha, minha tragédia.
Minha dor que permeia o vazio dos campos
Que explode e, por fim, semeia a terra arrasada pelo fogo.
És o fogo, a terra, a semente e a dor plantada.

