Um Jovem Lendo no Ônibus
Aristides Dornas Júnior
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 14/02/25 07:06
Editado: 16/02/25 14:22
Gênero(s): Cotidiano
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 1min a 2min
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Palavras: 286
[Texto Divulgado] "Diálogo sobre a loucura" "Diálogo sobre a loucura" é um mergulho poético nas águas turvas da paixão humana. Sob um céu cinzento que chora em forma de chuva, a voz do poema trava um embate intenso entre a frieza da razão e o abismo do sentimento. Diante do olhar verde, puro e impassível de uma misteriosa menina, esconde-se o maior dos enigmas: seria o amor a única loucura que nos salva da lucidez do nada? Uma obra marcante sobre a coragem de se fazer tolo para aprender, finalmente, o que significa amar.
Livre para todos os públicos
Capítulo Único Um Jovem Lendo no Ônibus

Peguei o ônibus no meu ponto. O veículo me levaria ao trabalho. Mas, antes, deixe-me dizer, eu sempre li muito. E não é que para minha surpresa, vi um jovem com um livro aberto. Eu roubei-lhe um breve minuto de atençao. E perguntei-lhe:

- O que você está lendo?

Ele me olhou. Pensei dele não me responder. Mas, ele disse:

- Machado de Assis. O romance LIVIA, que ele escreveu.

Eu fui aos meus pensamentos. Eu gostava daquele romance. Machado de Assis era um escritor que eu vi falado pelos livros tidos mais realistas dele, como D.Casmurro. Acho que citei corretamente. Pelo que me lembro D. Casmurro era tido como um romance autobiográfico. Mas deixemos Machado para outra hora. O que me importa mais era que o jovem, no século XXI, lia Machado. Não me segurei, e indaguei:

- Por que Machado de Assis?

- Estou só começando na leitura - ele disse.

Eu lhe dei os parabéns e lhe disse que não o incomodaria mais. E o ônibus seguiu viagem. Hoje eu aqui me lembrando disso, lhes digo:

- Eu quase cheguei a professor de segundo grau.

Mas não cheguei. O fato mesmo é que eu tinha leitura. O jovem me perguntou:

- Moço, para que tanta leitura?

- Vá às livrarias e pergunte pelo meu nome.

- Moço, o senhor é escritor.

- Só mais um.

- E lhe vale alguma coisa?

- Vale, vale para a minha satisfação.

- E o que vale a satisfação?

- Mais vale um gosto.

- É mesmo?

- Para o meu deleite o meu nome nas estantes.

- ...

- O que escrevo corre o risco de ser lido.

- Ah, entendi...

E pensando na vida, o escritor diz:

- Eu não quis desanimá-lo, você, se se lançar, pode ser um grande escritor.

O jovem:

- Obrigado pelo estímulo.

❖❖❖
Notas de Rodapé

Mas não se lê nem para ser escritor, nem para aprender a escrever. Leitura ajuda até a viver. Mesmo que a sorte seja adversa.

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