Em tempos esquecidos, quando o mundo ainda era moldado por magia e gelo, Evil, o poderoso rei da Babilônia, buscava um poder além da compreensão humana. Seduzido por histórias de criaturas antigas do extremo Norte, ele enviou emissários às eternas geleiras da Escandinávia, onde caçadores afirmavam ter ouvido os uivos de uma criatura que vagava por muitas eras.
Ali, sepultado sob séculos de neve e silêncio, dormia Ulvkrønn, o Lobo Terrível — um predador pré-histórico, maior que qualquer lobo conhecido, cujos olhos refletiam trevas antigas e pura selvageria. Diziam que ele havia sido banido pelos próprios deuses nórdicos, por ser a personificação do instinto sombrio e do caos.
Com a ajuda da bruxa nórdica Embla, o rei conseguiu capturar a fera por meio de feitiços primitivos. Ela então sugeriu um ritual sombrio: unir essa criatura à essência humana para criar um ser híbrido, capaz de obedecer ao rei e subjugar qualquer inimigo.
A escolhida para esse destino foi Puabi, uma virgem de beleza delicada. Embla a drogou com poções alucinógenas e a levou à caverna dos rituais proibidos. Lá, sob cânticos que faziam a própria terra tremer, Puabi foi possuída pelo Ulvkrønn, em uma fusão que misturou carne, macho e fêmea, sangue, alma e magia negra.
Após nove luas, nasceu o Warg, uma criatura que não seguia as leis humanas nem as dos deuses. Alimentado com carne fresca e sangue humano, assumiu um tamanho assombroso — presas afiadas como adagas, uivos que faziam o céu estremecer, e olhos amarelos que carregavam o vazio gelado das terras nórdicas. Seu pelo, enegrecido e irregular, dava-lhe a aparência de um cão do inferno.
O rei Evil acreditava que poderia controlá-lo. No entanto, o Warg não nasceu para servir. Ele era a vingança da natureza, o retorno do caos. E sua primeira vítima seria... quem ousou criá-lo.
Avançando para o século 21...
A antiga Babilônia se tornou um sítio arqueológico disputado por turistas e historiadores. Porém, sob suas ruínas, ainda permaneciam segredos que jamais foram enterrados.
Em uma tarde abafada de primavera, dois jovens apaixonados — Yudi e Tony — exploravam os corredores do templo abandonado de Ereshkigal, sorrindo, trocando fotos e carinhos sob o sol alaranjado do deserto.
“Ah, amor, aqui é tão surreal! Sinto uma energia mística,” disse Yudi, extasiado. “Contam histórias incríveis sobre este lugar. Mas devem ser só lendas, meu caro Yudi. Espero descobrir algo que realmente valha a pena,” respondeu Tony, rindo.
Ao pisarem na cripta selada, um rosnado ancestral ecoou entre os escombros. Da escuridão surgiu uma criatura deformada, feroz, com pelo negro como carvão e olhos ardentes — o Cão do Inferno, cuja maldição nunca foi destruída, apenas adormecida.
Tony foi brutalmente atacado e devorado, sem tempo para gritar. Yudi, ferido por uma patada da besta, foi lançado para longe, à beira da morte.
Um grupo de soldados locais, alertados pela sirene do complexo arqueológico, chegou a tempo de resgatar Yudi e confrontar a criatura. Após os disparos, ela caiu em um poço profundo e desapareceu.
Mais tarde, no fundo do poço, os soldados não encontraram uma besta... mas um homem nu, coberto de lama e cicatrizes antigas, com olhos dourados e presença que silenciava todos ao redor.
Levado à base subterrânea da Organização para Preservação Arqueológica Internacional, exames genéticos revelaram o impossível: aquele homem era Evil, o antigo rei da Babilônia, renascido pelas forças da maldição e do tempo.
Nos arquivos secretos, especialistas decifraram a inscrição deixada por Embla séculos atrás:
“Þá er skrímslið finnr særðan blóð, mun hásæti enn slá hjarta.”
“Quando a Besta encontrar o Sangue Ferido, o Trono voltará a pulsar.”
Ainda em luto por Tony, Yudi começou a ter visões com terras nórdicas congeladas e um ser feroz — parte lobo, parte demônio — que parecia ligado ao renascido rei Evil. Era como se uma conexão profunda e atemporal estivesse despertando dentro dele.
Porém, aqueles que sabiam da verdade decidiram encobrir tudo. Relatórios foram forjados, documentos selados. O retorno do rei não podia ser revelado... pois significava que o Warg estava incompleto, e algo ainda mais sombrio se aproximava.
Continua...

