Na Colina
Calígula
Tipo: Lírico
Postado: 03/09/25 00:02
Editado: 03/09/25 10:12
Gênero(s): Poema
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 2min a 3min
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Palavras: 379
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Capítulo Único Na Colina

Na colina, encontrei-lhe.

Não mais que uma fantasia,

um sonho perdido entre tantos pesadelos,

uma sombra fugidia em meio às luzes que sempre tanto me atormentaram.

Creio que nunca vi completamente sua real carne.

Nunca fui capaz de perceber o que jazia além,

aquilo que você tanto quis me mostrar vez após vez após vez.

Creio, simplesmente, que sempre fui incapaz de qualquer coisa perante suas tão diferentes

e tão assuntadoras formas.

Fui o último dos carrapatos,

rastejando sob um sol feito de incontáveis almas borbulhantes.

Almas que você conquistou e fez gritar, cantar somente para mim…

Em suas palavras senti o mais doce inferno,

o mel de seus dizeres me conduziu ao mais criminoso êxtase…

Nele, fui e sou culpado de tudo.

Mas… por que sinto que tal culpa é o melhor que restou em mim?

Fada ou fauno ou deusa ou demônio.

Nunca tive tanto medo quanto diante da sua imagem,

qualquer uma das suas mil faces.

Seus olhos eram como luas demoníacas devorando meu mundo,

e nunca fui tão grato por ver tudo em que acreditava perecer de forma tão inapelável.

Você devorou e vomitou minha vida infinitas vezes.

Eu somente contemplei maravilhado.

Foi aterrorizado que permaneci esperando cada palavra sua.

É aterrorizado que ainda aguardo seu retorno todos os dias,

todas as noites.

Ou aguardo que me vá para outras paragens,

para o universo que você me apresentou e vi tão nitidamente…

tão repleto de torturas tão saborosas,

um ápice de felicidades,

um jardim de amorosos suplícios.

Covarde, não adentrei nele.

Covarde, fugi e ainda fujo…

Aqui permaneço… covarde.

Nunca mereci nada do que você me entregou.

E ainda, o que você me entregou é o melhor que jamais possuí.

Na colina, encontrei-lhe.

Você veio até mim como a mais bela benção, a mais profunda maldição.

Fada ou fauno ou deusa ou demônio.

Pã imortal.

Antes de você, eu não era nada.

Hoje, sou somente sua invenção, esperando para me desfazer.

Mas, como você sempre fez tudo tão bem… permaneço.

Permaneço até que você retorne e desmonte essa sua criação

que deve ofender seus olhos tão bonitos e tão cruéis,

olhos que idolatrei e idolatro escondido em meu terror enamorado.

Ao menos, enquanto suas mãos me desfizerem,

poderei ver esses olhos brilhando uma última vez.

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